Tanta fumaça

Pela amostra escura, quando saímos do “Rafas”, era fácil perceber que, hoje, dia de feriado duplo, para onde quer que nos dirigissemos, norte, sul ou este, haveria fumaça com fartura por todo o lado, só não estávamos à espera que fosse tão densa e tão molhada ao longo de toda a manhã, não nos dando treguas o tempo todo, vá lá só dois minutinhos p`ra banana.

No cimo do monte de S.Félix, os três gatos pingados, o termo é mesmo este, que picaram o ponto no “Rafas”, os únicos que mexiam por ali, não enxergavam mais paisagem para alem da distancia de 50m, aquilo estava mesmo cerrado a ponto de as luzes fazerem falta.

Demoramos pouco, para não arrefecer e com o guarda do escadório ausente, descemos as escadas em cima das burras e, arre macho para a Franqueira, via Rates, Vilar de Figos e subida ao Castelo de Faria por Milhazes e é sobre esta subida estepurada que deixamos aqui um alerta aos noviços do pedal que agora estão a começar, contra um grupo de pseudo-betetistas p`ra aí uns 12 ou 15, todos montados em burras elétricas e descaradamente a descer, para não se deixarem influenciar por estes artistas da preguiça que dão má fama ao betetismo.

Quando os três gatos pingados, quando chegaram ao cimo do monte da Franqueira, encontraram a fumaça pior e mais molhada que a de S.Félix e quando pensavamos que eramos os unicos, encontramos outro gato pingado da concorrencia com tiques de PRO a tirar fotos ao…nevoeiro, olhando com algum desdém avisando-nos com ar paternalista duro, a não pararmos muito tempo para não arrefecer. Porra, nós todos vaidosos com uma Scott novinha e mudanças eletricas e tudo e o gajo tratou-nos como se estivessemos montados em mulas lazarentas e velhas.

Hoje foi assim, em treininho maioritariamente por pavé para não estragar a estreia da Scott, a burra puro sangue e charmosa.

Não foi nada confortante andar 52km a levar com a chuva nas trombas mas depois de uma semana sem acertar num sinal das obras foi o que se arranjou.

Os ddr na XIX Descida ao Sarrabulho 2019

Quando aterramos em Ponte de Lima, o parque natural da frente ribeirinha da cidade, estava pejado de carros, apesar de ainda faltar duas horas para o arranque da peculiar Descida ao Sarrabulho, ninguem queria atrasar-se para a festa.

Lá estavam as filas para levantar os dorsais, para a sande de carne de porco de espeto, para a cerveja, para o sumo, tudo igual com há um ano, como há dois, como há três, sempre foi assim, tudo previsível para os ddr`s que já andam nestas sarrabulhices há muitos anos, no meio d`um ambiente animado a fervilhar de betetistas de toda a espécie, às voltas, a aprontar as bikes para o picanço da descida.

Lá estavam os camiões, do lado oposto, para transportar as burras para a Boalhosa o monte sui generis dos radicais do btt de Ponte de Lima e os autocarros à espera dos senhores das montanhas, sim, porque os senhores é assim que devem ser transportados, os peões sobem a dar aos crenques ou a penantes se quiserem.

Lá estava a taberna do 27, a tasca onde só entram professores, doutores, caçadores, ddr`s e outros bebedores, de porta aberta, com as bifanas em stand by e as garrafinhas de verde fresquinho, à espera dos costumados roazes e sequiosos duros de roer, comandados pelos porta estandarte da festa, os patifes Miguel e Tozé, com o Martinho à espreita para entrar em cena, até acabar as febras uma hora depois. Depois…

Lá estavam os peões no paddock da partida, atrás do pórtico da Alameda, prontos para dar ao pedal pela estrada 307, até ao monte da Boalhosa, enquanto os senhores se dirigiam calmamente para os autocarros e camiões para as suas montadas. Gente fina é outra coisa.

Lá estava, uma hora depois, no alto do monte, a maior tribo de sempre para participar na prova mais democrática do mundo, onde cabem ciclistas de toda espécie: betetistas-puros-sangue, betetistas-pilecas, betetistas-domingueiros, betetistas-vou-tomar-café-e-já-venho, betetistas-do-pixe, betetistas-empata-fodas, betetistas-downhilleiros, betetistas-enduros, cicloturistas, de estrada, freeraidistas. ebikers e outras espécies raras, no pórtico da partida virtual, onde cada um parte quando quer, com letras grandes a desejar as boas vindas a todos os sarrabulheiros e a tabuleta a avisar que o inferno ia começar mas, o inferno já não é o que era, não amedrontou os 800 sarrabulheiros e foram todos para o inferno, pelos carreiros apertadas do monte, depois…

Lá estavam os velhos trilhos nossos conhecidos, os regos, as pedras, os cartazes coloridos com o gajedo espalhados pela descida, tudo ingredientes de qualidade para dar umas cambalhotas à maneira e descarregar a adrenalina até ao pote dos rojões, depois…

Lá estava o circo montado, com muitos espetadores filados na traiçoeira ponte sobre o charco de água e lama – o ritual da passagem para ter acesso aos rojões do pote -, para ver os artistas do resvalanço/malhanço na tabua.

Lá estavam também na margem do charco, certos ddr depois de todos terem passado sem hesitação a ponte cambalhoteira – com distinção para o Solinho que só usou a roda de trás para a travessia -, com os chefes da mafia a comandarem a banda, os endiabrados Tozé e Miguel, bem coadjuvados pelo Cunha, a incentivar os seus parceiros mais atrasados… atirando-lhes pedras.  

Lá estava a balança e depois o estradão de boa memória onde há 2 anos o Chico e Tozé andaram aos abraços e… ops…roubaram o single track do Seara?

Lá estava a inovação que a organização prometeu, umas descidas vertiginosas, my god, que descarga, aquilo é que foi assapar com as rotações no vermelho, na frente os destravados malucos, Cunha, Miguel e o Tozé transfigurado em diabo a picar os dois, pressionando-os com a mesma formula do ano passado “sai da frente” a ver se resultava, mas agora não teve efeitos práticos, embora houvesse uns ameaços.

Lá estava depois da única subida de pavé as prometidas castanhas e vinho e a Rita Batoteira, que não conhecia o Martinho ddr e o Martinho ddr que não conhecia a Rita Batoteira, embora sejam ambos de Vila Cova e o Miguel com a pica toda a fazer das suas e o Tozé também até entrarmos todos inchados (das castanhas), no ultimo single track cheio de curvas a descer, a descer, ao som da gritaria daqueles dois, até surgir uma tabuleta a informar “Aproximação a 500m” “visita e prova de bagaço”.

Lá estava a surpresa, um banho de espuma, nem de propósito era mesmo disto que os ddr precisavam, depois de terem provado a queimada e os licores de café e outros sabores. Com a pica toda ninguem segurava os dois diabos, estavam como peixes na água a espordinharem-se na espuma como duas focas, estava-se bem, não apetecia sair dali mas teve de ser.

Lá estava a capela das Pereiras com o escadório, para a apoteose final da descida. Os ddr como sempre, desceram-na todos juntos (ou quase), em alto estilo, o Miguel até repetiu a dose.

E assim terminou a XIX Descida ao Sarrabulho, lá estava tudo como   previsto, ao longo destes anos houve algumas modificações, poucas, para melhor, mas o cariz da descida continua o mesmo, tudo como nos primeiros anos, a formula já a conhecemos de cor e salteado: 17km ininterruptos de diversão pura e apesar de ser a prova onde há mais trambolhões por metro quadrado, não raras vezes com uma visita ao hospital para consertar umas esfarrapadelas mais elaboradas, ninguém se chateia e volta sempre.

Os ddr sempre marcaram presença, continua a ser a prova fetiche de estimação, a emoção da descida é sempre a mesma como a da primeira vez, pela alegria que espalham ao longo dos 17km. Pelas suas histórias trágico cómicas, nunca passam despercebidos.

Parabens Batotas! Até p`ro ano

Os 12 ddr Sarrabulheiros de 2019:

Chico, Manel, Paulo, Narciso, Tozé, Solinho, Martinho, Cunha, Miguel, Soares, Berto  e Luis

Algumas fotos e fotogramas:

Ai o rio, canudo!

Nem sempre um bom treino é seguir um rumo pré-determinado, andar de prego a fundo, fazer uma boa média, terminar com um acumulado jeitoso e um gráfico com muitos altos e baixos e a escorrer suor por todos os lados.

Por vezes um bom treino é fazer precisamente o contrário, por exemplo como hoje fizemos e embora saibamos que é essencial tirar todo o proveito de umas pedaladas fortes quando temos um determinado objetivo, hoje deixamos que o sentido da aventura com alguns resingadelas à mistura prevalecesse e redescobrimos locais há muito esquecidos, com tempo até para o Seara, Solinho e Luís porem a conversa em dia sobre a caravelha partida da roda da burra do Seara

Por vezes um bom treino é seguir o exemplo do Martinho quando sem cerimónias e mariquices, deu o exemplo e foi o primeiro a enfrentar as águas enfurecidas do rio desafiando os temerosos ddr a segui-lo (que ainda ponderaram deixa-lo sozinho ou voltar para trás) e determinado respondeu às dúvidas “qual é o problema? Atravessar isto? Estais com medo de molhar os coisos…. ?”.

E, o Martinho ousado enfrentou a Adamastor, com a água pelos joelhos e a burra pela mão arribou à outra margem, obrigando os outros ddr receosos de o perderem a segui-lo.

Grande Martinho, sem dúvida o ddr da semana.

E o treino continuou pois ainda havia muito trabalho para fazer antes do pirolito final, agora com os pés encharcados. A conversar dos três sobre a caravelha partida, tambem continuou.

Por vezes um bom treino é tudo isto, fazer como nós fizemos hoje.

Fotos dos temerários ddr a atravessar o rio:

 

 

Quando se faz o que se gosta…

Há ddr que fazem o que gostam e há ddr que gostam do que fazem. Parece a mesma coisa, mas há diferenças semelhantes.

Deleitamo-nos a meio de um treino, que tanto pode ter quarenta ou oitenta km, a dar uns mergulhos num dos lagos que fazem parte dos nossos roteiros pelas matas, a descer por trilhos de dificuldade elevada e depois terminamos o dia a atestar numa esplanada e vamos embora com o ego atestado (e às vezes ainda atestamos quando chegamos tarde a casa), por mais uma vez ter desfrutado de uma aventura solitária pelo monte, muitas das vezes (des)compensada por um ddr azarado que, por falta de jeito, azelhice ou burrice, bateu com os queixos no chão, para gaudio de quem assiste ao infortunado  ddr.

Porém, também gostamos de fazer uns treinos em modo de provas, com tempo  cronometrado mais ou menos oficializados, isto é, com cartaz e a pagar para depois, chegando o dia, descarregar a fundo toda a adrenalina acumulada durante a semana com o intuito de fazer boa figura conjuntamente com a concorrência ao longo dos quarenta, oitenta ou até cento e cinquenta km, dependendo da modalidade e, chegar ao fim com aquela sensação boa de alivio por nos termos safado dos obstáculos do percurso e da dureza da altimetria.

E, depois, refeitos da corrida, damos uma olhadela na tabuleta da classificação e ficamos satisfeitos com o tempo que fizemos, outras vezes frustrados porque achamos sempre que podíamos ter feito melhor e perante os colegas arranjamos uma desculpa esfarrapada para justificar, como se fossemos obrigados a faze-lo, a falta de pernas.

No dia seguinte, esquecemos tudo e já estamos prontos para outra aventura que tanto pode ser por conta própria, sozinho, pelo monte como fizeram os sete no domingo passado, sem stress, não importa se por trilhos calcorreados centenas de vezes a divertimos-nos como se fosse a primeira vez, ou por conta de outrem como tem acontecido nas ultimas semanas, onde também nos divertimos, a roer umas provazitas assim-assim, dependendo da perspetiva de cada um, como aquelas em que o Cesar participou a andar às voltas nos Urban Races de Cabeceiras (2º), Braga (4º), Galos (9º); como aquela dos três dias em que o Bruno roeu o Vila do Conde-Gerês-Vila do Conde; como a do Narciso e o Luís Torres (3º), que se empanturraram com pastéis de Chaves na mítica e saudosa Rota do Presunto; como a dos Seara, Miguel, Tozé, Bruno e Narciso que se embebedaram com o vinho Alvarinho no Granfondo de Monção-Melgaço e que bebedeira apanharam o Seara (32º) eo  Miguel (80º); como a do Cunha que andou um dia inteiro debaixo de água com a bike transformada em submarino a roer os montes e serras desde Montalegre até ao Rio Caldo e depois no dia a seguir desde o Rio Caldo até  Esposende no Transcavado 2019 e, que diversão foi os picanços pelos 5 Cumes no ultimo domingo em que o Cunha (10º), Luís Torre (9º), Seara (14º), Miguel (47º) e o Alexandre (58º), nas respetivas classes, picaram tudo o que havia para picar nos 5 Montes, já o Narciso (11º) e o Nelson (49º), tambem nas classe, foram mais comedidos e picaram só nos  três, bom, cada um gozou à sua maneira e picou o que quis ou pode.

E é por estas diversidades todas, que fazemos o que gostamos e no fim o mais importante é sentir como disse o Miguel no fim dos 5 Cumes de domingo: “Mais um domingo bem passado, fantástico” e nós corroboramos.

 No próximo domingo vamos todos p`ro picanço, nem K Kaia

Os protagonistas do ultimo domingo:

 

A Silly Season

Não sabemos se a tal silly season, estrangeirismo muito usado pelos jornalistas, para classificar as coisas mais mirabolantes e parvas que acontecem em julho e agosto, meses de ferias por excelência, vai continuar por setembro.

No que diz respeito ao tempo, estamos conversados, foi uma fraude de todo tamanho, a silly season funcionou bem, o gajo que comanda o clima não foi competente e carregou nos botões errados,  trocando os meses de verão pelos de inverno, uma rebaldaria que deixou toda a gente a clamar por sol p`ro bronze. Só agora que estamos em setembro, é que deu pelo erro e finalmente carregou no botão do calor.

Quanto aos ddr, não se notou grande coisa, as coisas parvas que aconteceram durante o verão, foi mais ou menos o prolongamento das outras estações do ano, vamos só relembrar uma ou outra parvoíce das mais recentes como aquela do Anthony de Vila Cova, ter amuado porque não lhe fizemos a vontade do treino p`ro picanço ser na terra dele, enfunado, nem começou o treino e foi-se embora porque dali a….três horas(????), tinha de estar em casa.

Outra coisa parva foi o atrevimento do Milo e do Tino, a tentarem impor uma nova versão da historia do urso e do caçador, queriam sobrepor a versão deles à verdadeira, à original historia ursante do Futre, que se recusa a conta-la enquanto os dois farsantes não retirarem a versão contrafeita deles, ficando assim este diferendo adiado e sem fim à vista. Quem se lixou, mais uma vez, foi o Miguel e o Nelson que ficaram a xuxar nos dedos à espera dos ursos.                                              E  quanto às coisas parvas fiquemos por estes dois exemplos, senão nunca mais saímos daqui.

Mas nestes dois meses tambem aconteceram coisas interessantes e até fenomenais e aqui estamos a referirmos ao fenómeno de só ter inchado um tomate ao Chico, quando o mais comum era ter inchado os dois ao mesmo tempo e nas mesmas proporções, para manter o equilíbrio. Um fenomeno de facto, mas a natureza tem destas coisas, nunca se engana, sabe quem merece te-los do sitio e caminhar direito, e quem merece ter só um e caminhar torcido.

Quanto às coisas boas da silly season, foi ter entre nós dois grandes ddr, o João da Silva ddr com provas dadas e mérito proprio e o Manuel Fradique (Souto), que bastaram dois treinos para conseguir as mesmas esfarrapadelas que alguns ddr num ano. Por isso e pelo seu fair play, passa a ser um ddr honoris coisa e em agradecimento pelos bons momentos, entregamos-lhe as chaves de honra da nossa sede da Colonia. Infelizmente estiveram pouco tempo connosco mas o suficiente para terem deixado saudades ao grupo. Enviamos daqui uma grande saudação para os dois e voltem depressa.

2.Terminamos com a boa ação, praticada durante o treino espetacular de ontem, quando encontramos um cachorro preso, envolto numas malhas, que alguém sem a noção para que serve um contentor de lixo, descarregou na berma de um estradão de um pinhal, onde raramente alguém passa por ali, felizmente acabamos com a agonia do animal que quando se viu liberto, pisgou-se que nem uma bala. Estás a ver Martinho, até para ser cão é preciso ter sorte.

 

Pela Rota das Sombras

O aviso fora feito uns dias antes “o dia seria para a romaria” e, foi…. foi mais um bom dia, dos muitos, à boa moda dos ddr.

Depois de percorrer os 113kms desde Apulia, às 10h15, os dez ddr, estavam prontos para dar a volta (mais uma vez), pelo espetacular trilho da Rota das Sombras.

Começamos como habitualmente, na estação termal de OS Baños, junto ao Rio Caldo, uma pequena povoação do concelho de Lobios na Galiza a 6kms da Portela do Homem.

Por um trilho agradável, depressa atingimos os marcos mileares da Ponte Nova e depois continuamos pelo trilho das Geiras até entrarmos no estradão que vai dar ao Vale das Sombras.

Sem stress, sem preocupações de tempo ou do que quer que fosse, o objetivo era desfrutar ao máximo o que a Rota tinha para nos oferecer e da camaradagem do grupo.

Ao km 14, a 900m de altitude, surgiu-nos uma piscina (tanque), cheia de água corrente, ora conhecendo a apetência pela água do Bruno, foi sem surpresa que comandou o assalto à piscina, furando a cerca de arame e foi o primeiro dos sete a mergulhar na água gelada, proeza que viria a repetir ao km 20, na curva do rio Airo, no meio do famoso trilho a 1km que dá acesso às Minas das Sombras.

Sozinhos, com o barulho ensurdecedor das montanhas, miravamos sem nos cansar o imenso vale inóspito de Lobios, enquanto circundávamos as montanhas a 1100m de altitude.

É de facto compensador subir quase 1000m para contemplar os 15 km deste Vale profundo apelidado das Sombras.

Depois foi descer de prego ao fundo, por entre cavalos e vacas até surgir as primeiras casas.

Ficamos um pouco desiludidos, por no fim da descida o GPS não nos ter mandado por trilhos, já que os últimos kms foram feitos por pixe até ao local da partida, seria um fim mais ao nosso jeito. Assim soube a pouco.

Terminada a volta fomos ao obrigatório mergulho das águas termais, quentes e frias, antes de rumarmos definitivamente até Covide, Terras de Bouro e ficarmos encravados por algumas horas no Bosk, o nosso restaurante de estimação gerido pela D.Emília, com uma pachorra do caraças para nos fazer o almoço às 3 da tarde e nos aturar até às 18h30.

O ojetivo do dia fora sobejamente atingido, só foi pena que o inspiradissimo Futre, tenha mais uma vez adiado a historia do urso ao Miguel e o Nelson.

…sem o Manel!!

O nosso amigo, o intrépido Manel, teve duas atuações de truz na semana passada, entrou em dois rodeos, num aguentou-se uns valentes segundos em cima da garupa até a malvada burra o atirar de cangalhas, passado três dias, voltou a atuar à noite e, embora com contornos diferentes, repetiu a façanha do ultimo espetaculo e lá vai Manel pelas escadas abaixo.

Esperamos que o Manel continue a dar show, porque é um artista com muito potencial, daqueles que dá gosto ver em ação e até já tem vários seguidores a plagia-lo, como se viu no ultimo domingo.

De facto p`ro reino dêdêrriano a ultima semana foi bastante produtiva, agitada e…perigosa, desde um meteorito em forma de Cunha com a roda no ar a cair em cima de um pacato cidadão ddr, entretido a ver a paisagem e as letras gigantes E.S.P.O.S.E.N.D.E  na foz do Cavado e, o raio do meteorito não contente com o abalroamento três dias depois o mesmo meteorito refinou-se e não deixou que um ddr estatelado no chão se levantasse e passou-o a ferro;  outro ddr em manobras donwhilleiras, desequilibrou-se na descida kamikaze dos moinhos da Abelheira e com os encaixes dos sapatos presos à burra, lá teve de bater com o costado nas pedras.

Outros malhanços, com protagonistas diferentes também se sucederam e não sendo tão bonitos como os do Manel e arrojados como os do meteorito em forma de Cunha, tiveram no entanto o merito de contribuírem para aumentar o score do campeonato da cambalhota, ao contrario de outros que andaram na duvida aos pinotes a prometeram pontuar no cai não cai pela Abelheira mas não passou disso, de promessas adiadas; ainda outro para não cair em tentações acrobáticas, perdeu-se propositadamente…ou não?

Depois destas atuações artísticas, fica o aviso a quem não está familiarizado com os tiques e manias do reino: não tentem fazer isto em casa e sempre que andarem na rua façam-no com o nariz no ar e com cuidado, porque nunca se sabe quando podem levar com um ddr em cima.

Parabens ao Bruno Monte que concluiu mais um Extreme Vila do Conde-Peneda Gerês-Vila do Conde

Aqui fica um pequeno registo de 45 segundos de um video possivel, da amostra de um dos muitos malhanços da jornada e da descida maluca do trilho de S.Lourenço

O Manel

1.Incentivado pelo Milo da loje, foi com alguma curiosidade que vimos aparecer no Rafas, um individuo forte, entroncado, equipado com o primeiro equipamento dos ddr usado em 2007, com rosto moreno a fazer transparecer que a vida não foi fácil.

O Manel Souto um velho conhecido dos ddr`s mais antigos do grupo, vive há largos anos na Corsega, só regressa à terra onde nasceu, uma vez por ano e em férias como agora.

O Manel em tempos quando lhe faltava coragem para acompanhar as deambulações amalucadas dos ddr, ia no seu encalço seguia-lhes o rasto deixado na terra pela marca dos pneus e foi assim, como nos revelou no fim da jornada de hoje, enquanto saboreavamos umas imperiais xxl fresquinhas, que deu a primeira e unica pedalada com os ddr até hoje, só uma vez é que arriscou e juntou-se ao grupo em S.Lourenço mas, a junção não correu muito bem e daí, jurou nunca mais querer misturas com este tipo de gente meio tresloucada.

Para os mais novos no grupo o Manel Souto é um tipo desconhecido, ou era, porque depois da extraordinária exibição d`hoje, passou a ser um tipo às direitas e bem conhecido.

Muito por causa da condição física do Manel e também porque sim, os 40km de hoje foram feitos em toada pachorrenta e, quando o nosso amigo propôs desistir a meio duma subidita de 120m, para não atrasar, opusemo-nos tenazmente a tal ameaça, estávamos ali para o ajudar, a rebocar, a empurrar, enfim para o que fosse preciso, menos a carrega-lo às costas porque alem de não dar jeito, aquele corpinho aparentava pesar uns quilos valentes.

Era evidente que o nosso Manel sem treino, sem rotina nas pernas não podia dar mais nas subiditas.

Mas, se nas subidas não podia dar mais, na descida deu de mais e foi um regalo para quem assistiu, como nos contou os dois felizardos que tiveram a sorte de ir atrás do nosso herói, ver a postura acrobática kamikase em cima da burra a descer pelo estradão irregular, parecia aqueles cow boys dos rodeos americanos, aos pinotes, em desequilibro a ver quanto tempo aguentaria até ser cuspido da garupa, era uma questão de tempo, pois segundo o testemunho do Cunha e do Chico, pela trajetória tomada aos esses, o heroico Manel, não tinha qualquer hipótese de a corrigir e, tão fatal como o destino, foi cuspido da burra com um belo mortal de 360º.

Costuma-se dizer que “ao menino e ao borracho pôs Deus a mão debaixo”, o nosso amigo Manel não sendo borracho e muito menos menino, Deus condoeu-se com a cena e abriu uma exceção pondo-lhe a mão debaixo e saiu do rodeo praticamente ileso, com uns simples arranhõezitos de pouca monta e com um final feliz.

2.Perelhalvixlandia, ali tão perto, era inevitável e visitamos pela enésima vez um dos nossos locais de culto sempre apetecível em qualquer altura do ano. O chefe foi o primeiro a mergulhar seguido pelo Manel completamente refeito do capotanço, nas águas límpidas do lago que logo se tornaram turvas pela força da agitação do fundo lodoso mas, isso não impediu que o Milo, o Soares, o João e o Tozé se amandassem também para a água, enquanto o resto se estendia descontraidos por cima das pedras como lagartos ao sol.

Como também era a 1ª vez do Manel em Perelhalvixlandia, não foi preciso praxa-lo como é de tradição, irrequieto, entrava e saía com mestria pelo buraco da pedra parideira, berço do renascimento por onde todos os ddr emergiram um dia.

Neste paraiso escondido de olhares curiosos, só nos apercebemos do perigo que corremos, quando o Milo topou um lagostim na corrente da água pelo cimo das pedras.

É verdade, Perelhalvixlandia tem lagostins e granditos, doravante temos de ter muito cuidado, não vá o diabo tece-las e sermos agarrados pelas mandibulas afiadas dos crustáceos e ficarmos com os tomates inchados comós do Chico.

3. O mês de julho está quase no fim, foi um mês calmo p`ros ddr, mesmo assim ainda houve alguns picanços de relevo:

– A meio do mês, dois ddr foram para Bragança granfondoerem-se no III Bragança Granfondo, a mais espetacular e animada prova de ciclismo de fundo de todas as realizadas no país, quiçá do mundo. O Miguel, com o pico da forma no máximo, arrancou de Bragança virado a norte a toda a força e só parou 140km depois pelo sul  Bragança. Pelo meio, contou no fim “tive de refrear o andamento porque não fazia ideia do que estava pela frente e de desmamar um grupo de espanhois que me mamaram(?) durante muitos kms”. No fim teve direito ao diploma de ouro. Grande performance. Excelente Miguel.

O outro ddr Narciso, teve de contentar-se com o diploma de prata e já foi muito bom, mas lá que se divertiu, divertiu.

– Afinal quem mudou de emblema não foi o Martinho, foi o Seara que a partir do passado dia 20, passou para o clube dos casados. Felicidades campeão.

Outras boas noticias:

O João da Silva está cá e, como é um duro de roer a sério, não perdeu tempo a apresentou-se de imediato ao serviço e o Manel Souto, prometeu que também não faltaria mas depois do batismo de domingo, temos mais duvidas que certezas.

– O chefe depois de alguns meses conturbados, regressou em pleno e o Chico agora com as bolas no sitio, mais pequenas e desinchadas também.

– O Cunha vestiu-se de motard e à semelhança dos outros anos, foi participar e acelerar para a concentração de motos em Faro e o Nelson foi a S.Bento da Porta Aberta a pé.

– No fim do pachorrento e animado treino de domingo, tivemos o grato prazer de ter à nossa espera a nossa amiga Tãnia Serra e assim terminamos o domingo em beleza.

E agora vamos todos p`ro picanço

O Padroeiro dos Betetistas Desorientados

Há muito, muito tempo, existia algures numa freguesia de Barcelos, um gajo com barba à passa piolho, que coabitava com dois cães. Viviam os três em harmonia perfeita, com os mesmos gostos, a relação era tão forte ao ponto de comer os três na mesma pia.

Faziam frequentemente corridas e, o gajo com barba à passa piolho, corria desalmadamente de uma ponta à outra do quintal na tentativa de não descolar dos seus amigos de quatro patas, proeza a maior parte das vezes inglória, pois ficava desorientado e em dificuldades para atinar com a parte final da correria, contudo, uma vez por outra tinha êxito e terminava a corrida, conseguindo para seu deleite um esforçado terceiro lugar ao lado dos seus companheiros focinhudos.

Esta história até pode ser ficcional, no entanto, tem algumas verosimilhanças com um ddr recentemente eleito “Padroeiro dos Betetistas Desorientados”, senão vejamos:

Mora numa freguesia no limiar dos concelhos de Esposende e Barcelos.

Tambem tem barba à passa piolho, com tiques de hipster (um tipo com barba crescida, cabelo carrapitado e roupas justas),

Tem dois cães, mas aqui a história é um pouco diferente, pois ao que parece não há grande harmonia entre os três e consta até, que cada um come na sua pia o que a ser verdade, é indicio de facto de alguma perturbação entre os três e a prova disso é que há poucos dias os cachorros fartos de o aturar, deram de frosques e não quiseram saber dos apelos angustiados do hipster barbudo para que voltassem, voltaram sim quando muito bem entenderam ao fim de uns quantos dias.

O grupo dos ddr treinantes deste domingo, puseram mesmo em causa a idoneidade dos canitos: será que na fuga levaram aquele GPS do Transcavado e Piodão.…? Se levaram, foram burros, depois de tanto conviverem, deviam saber que esse GPS desnorteia-se com qualquer coisa e fica facilmente irritável e perde as setas. Se foi assim está explicada a causa de andarem tantos dias perdidos.

Quanto a corridas a três, não nos parece que haja alguma analogia com os três da  história, no entanto é verdade que o padroeiro dos betetistas desorientados, sofre muitos desaires que o deixam desatinado, mas é persistente e, uma vez até ganhou uma corrida…sem meta, em Gemeses e com mais de três participantes.

O Martinho está de volta, a musa inspiradora destas cronicas regressou e se os cães demoraram uma semana a regressar, o Martinho demorou 27 dias. Foi uma questão de interpretar o GPS conforme as capacidades de cada um.

O Martinho regressou em força e não perdeu tempo, começou logo a chatear a pinha aos gajos do emblema que ele ameaçou trocar, logo nos primeiros kms estropiou um pneu da burra, valeu-lhe a competência dos injinheirus ddr, sobretudo o injinheiru- chef  Eurico Cunha, que o desenrascaram mas não foi fácil, a primeira tentativa a enxofrar a camara-de-ar foi em vão, verificou-se depois que um injinheiru tentou sabotar o arranjo do burra emprestando-lhe uma camara-de-ar com mais furos que um passador chinês, por fim  outro injinheiru condoeu-se da pobre roda e lá lhe arranjou uma camara a sério e foi assim que PDBD, evitou ter de regressar a casa com o rabo entre as pernas.

Quem estava a ver a vida a andar para trás era o nosso amigo Nuno Gonçalves que depois do aquecimento matinal de… 15kms a correr, tinha planeado fazer no mínimo 40kms e pelo que se viu, a coisa não esteve fácil mas tudo se resolveu mais uma vez graças à competência dos injinheirus ddr.

Quanto ao treino mesmo com o Martinho em cena, foi porreiro, embora um bocado para o puxadote e o Nuno conseguiu o objetivo do dia, ou seria da manhã?

A três kms do final, um elemento desconetou-se do grupo e até hoje nunca mais foi visto, quem haveria de ser? O nosso artista, o Martinho ao mais alto nível.

As fotos do nosso artista em plena labuta sobre a supervisão dos injinheirus ddr