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Bragança Granfondo

Sábado, Julho 22, 2017

1.“O Bragança Granfondo desafia-o a viajar no tempo, ora, o tempo, é o objetivo final de qualquer ciclista. Fazer determinado percurso gastando o mínimo de tempo possível é, desde sempre, o propósito de quem pratica esta bela e viciante modalidade. No entanto neste Bragança Granfondo o sentido de tempo é outro – um tempo para desfrutar… de outros tempos!”. Assim rezava a nota introdutória da organização.

Nem mais, foi isso mesmo, uma aventura pelo tempo, pelas aldeias remotas do parque de Montesinho, com casas antigas, adivinhando a traça original, de mais de uma centena de anos, por certo carregadas de histórias extraordinárias das suas gentes, dos seus usos e costumes, como a singular aldeia de Rio de Onor atravessada a meio pela fronteira entre Portugal e Espanha sendo ambas as partes conhecidas como “povo de cima” e “povo de abaixo”, assim nos explicou um ciclista conhecedor desta zona com quem entabulamos conversa, com um governo de leis próprias e dialeto semelhante ao mirandês.

Por esta viagem no tempo, como muito bem a apelidou a organização, valeu bem termos feito os quinhentos e tal kms e suportado durante cento e três kms de bicicleta, debaixo de calor intenso, trajeto que de outro modo, muito possivelmente não nos disporíamos a faze-lo.

2.Quanto à corrida, seria fastidioso estar aqui a descrever todas as incidências, foi um grande fundo com todas as vicissitudes próprias deste género de provas: subidas, descidas, calor, velocidade, lentidão, interação com outros participantes, com gente conhecida como os duros do Gilmonde btt – vai daqui um abraço -, foi extraordinário o apoio das populações durante todo o trajeto, incansável, nunca regateando aplausos e palavras de incentivo aos ciclistas…e algumas mangueiradas de água também, então na estância turística espanhola de Puebla de Sanabria, onde estava instalado um pórtico da Caixa Rural com uma meta volante, foi surpreendente, ver tanta gente a aplaudir, a dar-nos moral “vamos, vamos, animo chicos”,  para fazer a parede até ao castelo, até parecíamos vedetas a terminar uma qualquer etapa de montanha no Tour.

3.Este Bragança Granfondo, apesar do muito calor, foi divertido, fomos dois ddr, Narciso Ribeiro e Bruno Monte. Tenho que agradecer ao Bruno o ter-me desviado para o Mediofondo e a sua companhia quando na parte final os diabinhos com os seus tridentes começaram a chatear as cãimbras. Foi uma prova que nos proporcionou imenso gozo faze-la e que perdurará por muito tempo na nossa memória e quando assim é, quando aproveitamos os momentos bons da vida, está tudo dito.

4.Mais uma vez a Bikeservice esteve impecável, atenta ao mais pequeno pormenor. Parabéns.

Algumas imagens dos fotografos oficiais:

 

Passeios da fama…

Terça-feira, Julho 11, 2017

1.Enquanto o Marco, para nos fazer inveja, se pavoneia pelo passeio da fama em Hollywood, na terra do tio Sam, nós por cá cada um à sua maneira, também no divertimos por outros passeios da fama.

Comecemos pela transcrição da página do face do Nelson Miranda, sobre a “Moutain Quest”, a ultra maratona btt de 180km, com 6000 de acumulado. Os ddr mais novos não  conhecem o Nelson mas, recordamos-lhes que em tempos o Nelson foi um duro de roer daqueles que, antes quebrar que torcer, depois de um período menos bom que o fez parar com os treinos, regressou a toda a força e a solo e está a subir de forma em flecha.

Os ddr congratulam-se pelo feito. Parabens

Nelson Miranda  

#MountionQuest
#Grande_aventura…recomendo  🙂
#Objetivo_cumprido…apesar de ao km 40 ter traçado ligeiramente o pneu….câmara de ar.. problema solucionado, aos km 50 +- parti um dos carris do selim, andei a restante prova com o selim inquelinado e com cuidado para terminar…pois esse era o objetivo, ser #Finisher  🙂
Desde o Alvão senti um ligeira picada na parte exterior joelho esquerdo…que se agravou após a Sra da Graça, pensei que não conseguisse terminar pois só conseguia dar carga na perna direita ..mas consegui com fortes dores!
Prova muito dura, apesar da pouca preparação…simplesmente Fantastica  🙂
180km 6000D+

2.O Tozé, com a camisola da ADE, outro super atleta, com provas dadas há muito tempo, passou o domingo a correr o Ultra trail Douro e Paiva, terminando num excelente 25º lugar na classe. Foram 11 horas e tal a dar no duro. Parabens BIG Tozé.

Mas o Tozé não foi o único Apuliense a participar neste Ultra e seletivo Trail, onde só terminaram 100 atletas e, tomando a liberdade de meter a foice em seara alheia, mais quatro Apulienses, do Apulia a Correr, o ultra Paulo Filipe, traquejado nestas andanças de super provas a doer, terminou em 16º lugar na classe e três atletas femininas no curto, todas com excelentes prestações. Felicitações dos ddr. Parabens.

3.O Chico, foi vespar, ou será vespesar? – Nunca sei -, para Guimarães, vespou, será? Com a sua ervilhinha todo o sábado, com os seus amigos do clube das lambretas, pelas ruas de Guimarães a fazer pi, pi, pi, pi, pipi. Ao que consta foi um dia perfeito.

4.E os treze ddr, só não tiveram um dia perfeito no sábado, quando pedalaram pela ecovia junto à margem do rio Vez, desde os Arcos até à aldeia de Sistelo, com direito pelo meio a cliff diving para o rio e, no fim a um copinho de porto, graças ao Miguel – que continua com alguma dificuldade em domar a burra selvagem -, antes de subir pachorrentemente as escadas com as burras às costas depois de ter abandonado a ideia de fazer um filme com bolinha vermelha e enveredado pela parte radical da ecovia até à pitoresca aldeia de Sistelo.

Foi tudo perfeito até à aldeia e desta vez descobrimos a parte menos boa deste lugar paisagístico e sossegado do alto Minho, em ruínas. Que pena um local tão lindo, abandonado

E, como dizíamos, só não foi um dia perfeito porque o bolo, com que o Miguel nos obsequiou no “O Barriguinhas”, cresceu pouco (e soube a pouco), porque em vez de seis, só levou três ovos. No dia 5 agosto a partir das 8h00, vamos percorrer mais um passeio famoso. Prevenimos desde já o Miguel para não se esquecer que o bolo tem de levar mais do que três ovos.

5.No próximo domingo dia 16, temos o Bragança granfondo, pelo menos dois ddr vão estar presentes. Um é garantido, o outro ainda não decidiu se vai levar a bike road…ou não.

 

Corre, corre, corre…

Domingo, Julho 2, 2017

O chefe deu cabo da transmissão e, em consequência desta bendita avaria, a subida fodida até aos depósitos das águas em Mariz (?) foi cancelada. Como diz a sabedoria do povo, há males que vem por bem, e este foi um deles. Com a burra cambalida,  não podia obriga-la a tamanho esforço e, vai daí, solidários com o chefe, afinal chefe é chefe, toda a rafeirada deu meia volta às alimárias e, por caminhos mais ao jeito para não estrelouçar muito a cassete, viramos a agulha para Esposende. O chefe, a toque de caixa com a vara do Solinho pela ilharga, zicava a roda do pedaleiro em alta rotação, furioso, na única mudança em condições.

Quando aterramos em Esposende, vinte para o meio-dia, estava a decorrer a VI edição de triatlo de Esposende, para taça de Portugal, com os melhores triatlistas do país,  anunciava o speaker . Por lá nos demoramos, ao pé do rio em frente à marina, a ver os atletas a sair da água e a correr com as burras, um espetáculo e, no fim aprendemos, através duma respeitavel senhora, ferrenha sportinguista, como se incentiva os atletas de triatlo a mexerem-se sem olhar à cor das camisolas, ora vejam:

Os DDR pelo Caminho Finisterra

Quarta-feira, Junho 21, 2017

Ao fim de uma semana, hoje, dia 18, estava planeado escrever qualquer coisa, sobre o Caminho Finisterra que concluímos há uma semana mas, depois da tragédia de Pedrogão Grande, a vontade de escrever foi pouca. É nestas alturas que percebemos quão frágil somos e todos as coisas significam tão pouco, bem sabemos que a vida continua mas, parece que nada faz sentido.Os ddr, como  em todo o país, estão solidários e associam-se à dor da tragédia que atingiu a população de Pedrogão Grande.

 

Todos os anos durante três dias, os ddr pedalam pelos Caminhos de Santiago, unicamente pelo prazer da aventura, para descomprimir uns dias e sobretudo para fortalecer a união de grupo – se fosse por qualquer outro motivo, por ex: religioso ou cultural, para interiorizar a mística destas rotas milenares, teria de ser em grupos pequenos e a pé.

Muitos peregrinos após visitarem Santiago e a sua catedral, onde é suposto (não há certeza), estar sepultado o apostolo Santiago, continuam a peregrinação até Finisterra – fim de terra -, local considerado por muitos o fim do verdadeiro Caminho de Santiago.

Os ddr, depois de terem pedalado por tantas rotas ao longo dos anos, este ano, no fim de semana de 10 e 11 junho, chegou a vez de “completar” os Caminhos que ao longo de dez anos terminaram na praça do Obradoiro em frente da catedral de Compostela e foram até ao… fim da terra

Pela primeira vez, fizemo-lo em dois dias e formamos um grupo de 17 elementos, o maior de sempre a pedalar por estas rotas que milhares de pessoas, supõe-se que antes da era de Cristo, utilizaram para se dirigirem às terras do fim do mundo, para se encontrarem com o renascer da vida e os elementos da natureza, a água, o sol e as pedras, culto associado a ritos pagões que, mais tarde na cristianização deram origem a monumentos e famosos santuários como o da Virgem da Barca – que visitamos em Muxia – e a igreja de Santa Maria das Areas em Finisterra, relacionados com as rotas de Santiago.

Com este intróito aconselhamos a quem tenha intenção de calcorrear ou pedalar por este caminho, se documente sobre a sua história para melhor o desfrutar mais intensamente do que nós o desfrutamos, muito por falta de tempo, mas também por…um engano monumental no segundo dia, mesmo assim, deu para formarmos uma opinião excelente deste Caminho, único, mítico, diferente de todos os que já percorremos, que começa onde os outros terminam, com histórias de séculos.

 

Sábado, 10 junho 2017

1º dia: Santiago – Muxia – Finisterra

1.Com o habitual engano do costume – um clássico dêdêrriano que se repete a cada ano para onde quer que nos dirijamos para começar uma rota -, Chegamos a Santiago com poucas ou nenhumas horas de sono e cheios de larica, mas com carradas de boa disposição e com a expectativa de descobrir o que nos reservaria este peculiar Caminho Finisterra, um dos trinta e tal referenciados dos Caminhos de Santiago e património mundial da humanidade.

Preparados, com alguns apontamentos dos pontos mais emblemáticos a visitar, convencidos, embora o mapa indicasse algumas dificuldades, que este Caminho seria relativamente fácil, mas, não foi bem assim, o constante sobe e desce/pica miolos, como alguém lhe chamou, tem umas paredes jeitosas que se refletiram nos 2800m de altimetria final até Finisterra. Às 09h00, partimos da Catedral com o objetivo de fazer as etapas: Santiago-Muxia-Finisterra.

Com tempo ameno e como é natural no inicio de cada jornada, deparamos com muitos peregrinos, a exigir cuidados redobrados da nossa parte para não haver chatices, foi sempre assim até Olveiroa, próximo da separação do Caminho.

O Chico, nosso porta bandeira, com uma bandeirinha nacional pregada na bike, identificava a nossa origem, mas com pouco sucesso, porque fomos muitas vezes confundidos como sendo italianos, quando desfazíamos o engano lá vinha a inevitável associação a Portugal com a exclamação “ah Ronaldo”.

Depressa chegamos a Ponte Maceira, um povoado com 50 pessoas, um local aprazivel e bonito com uma ponte medieval a merecer que explorassemos mais demoradamente este local histórico, infelizmente só houve tempo para as fotos da praxe e continuamos a pedalar ligeiros por entre os imensos prados verdejantes a perder de vista e por meio de bosques, sobretudo pinhais.

Paravamos sempre que nos apetecia, ora para atestar a nossa passagem sellando a credencial (muito pouco), ora para repor os níveis de glicogeneo gastos com o esforço das subidas e cada um escolhia o óleo que mais o satisfizesse.

Negreira, outro ponto histórico, foi só de passagem.

O Miguel, um dos três estreantes nestas coisas dos Caminhos de Santiago – os outros dois eram o André e o Martinho – lá ia de quando em quando com a sua voz estridente, soltando o gripo de ipiranga, muito útil para aqueles que estavam quase a adormecer em cima da bike.

2.Vilaserio, encontro com a carrinha de apoio conduzida pelo nosso asa Carias, para tragar umas sandoxas e tomar um cafezinho, ao mesmo tempo que se mandavam umas bocasinocentes e gozonas para quem se pusesse a jeito, e, neste capitulo, o indómito Miguel, teve mais audiência, talvez por ter um stick  p`ras selfies que..não funcionou.

Olveiroa, outro ponto de referência que também nos passou ao lado e onde encontramos um peregrino a fazer de mula, a beber cerveja (e pedrado ?), a descansar de puxar um pesado carrinho – o Tozé constatou que era pesado – com dois varais igual ao das carroças, transportando todos os seus pertences desde há longos meses, pelo menos foi o que deu a entender no seu inglês macarronico, porque não tinha a certeza de quando tinha começado. Flagrantes como este de peregrinos pelos Caminhos de Santiago, encontramos sempre, alguns bem insólitos, como daquela vez no Caminho da Costa, quando encontramos um peregrino com um enorme porco e um cão pela trela.

Ou para Finisterra ou para Muxia

E eis-nos no Hospital um pequeno pueblo, com duas opções para os caminhantes, ou diretos a Finisterra (30km), ou por Muxia (64 km), como foi delineado no inicio, continuamos por Muxia.

Os primeiros 18km foram agradáveis por entre pequenas povoações cuidadas e históricos de Dumbria, porém, os últimos kms antes de Muxia, exigiram bastante do caparro, que começava a dar sinais de alguma fadiga, o que nos obrigou a fazer duas  pausas para reforçar o buxo, uma delas mais demorada à entrada da vila, que serviu também para admirar a “paisagem”, da baía da praia da Espinheira.

Muxia, uma típica vila piscatória do litoral situada na famosa Costa da Morte, designada assim devido a milhares de mortes ao longo de séculos em consequência dos muitos naufrágios, dos quais há poucos anos, como todos ainda estarão recordados, quando o petroleiro Prestige encalhou derramando 77.000 toneladas de crude, provocando uma maré negra com a extensão de 2.000km por toda a costa espanhola e francesa, sendo considerado até hoje, o terceiro pior desastre mais custoso da história depois da explosão da nave Columbia e da central nuclear de Chernobyl.

Terminada a pausa, retemperados, atravessamos a vila e continuamos para norte pelo cabo, em direção à ponta da Barca, um local carregado de lendas relacionadas com as suas enormes pedras, dentre as quais a lenda da pedra de Cadris, cuja história popular conta  que pertenceu à barca de pedra que transportou a sra com o apostolo Santiago e que deu origem à construção do santuário da Virgem da Barca, onde todos os anos em setembro se realiza uma popular romaria das mais concorridas da Galiza. Perto do santuário está erigido um monumento megalítico para assinalar o desastre do Prestige.

3.A ultima etapa de 32kms até Finisterra são feitos praticamente por zonas florestais e largos estradões,  agradáveis de pedalar e dos mais solitários do Caminho, a convidar a uma introspeção espiritual, principalmente a quem o faça em solitário, apenas encontramos um peregrino na direção oposta.

Logo à saída tivemos que trepar durante 3 km, dos 0 aos 270m, até ao cimo do monte Facho do Lourido, um local que antes de haver a ajuda dos faróis à nevegação, acendiam-se fogueiras para avisar quem andava no mar, dos perigos da Costa da Morte.

Ultrapassado este obstáculo de alguma dificuldade, o resto do Caminho foi relativamente fácil e rápido.

O Miguel lá ia soltando os gritos para incentivar as tropas e a coisa resultava para alguns que fugiam do pelotão até desaparecerem da vista, outros ficavam para trás, a dispersão do grupo foi uma constante nos dois dias, por vezes com intervalos de kms entre o primeiro e o ultimo. O Cunha aproveitou para tentar ganhar algum, e fez vários carretos para cima e para baixo do monte, a rebocar alguns tresmalhados que começavam a dar de si, mas ao que consta teve azar porque ninguém lhe pagou. Ingratos.

Nesta etapa, as placas toponímicas são quase inexistentes o que deu origem a que passassemos por Frixe e Lires os locais mais mediáticos entre Muxia e Finisterra, sem que nos apercebêssemos, o que originou desencontrarmo-nos por duas vezes com a carrinha da logística e até chegamos primeiro do que esta a Finisterra.

Cento e vinte e três kms depois de termos saído de Santiago e 7 horas e meia a pedalar, às 19h30, estávamos em Finisterra, o km zero e o farol do cabo ficariam para o outro dia, pois eram horas de uma boa hidratação a sério e um banho retemperador, para depois afiar os dentes para o jantar.

domingo, 11 junho 2017

2º dia: Finisterra – Santiago

1.No segundo dia a história foi outra, depois de termos estado na véspera, hora e meia à espera do jantar, nem tudo foi mau, a espera foi muito bem aproveitada para conversar sobre…o quê? Alguém se lembra? Hum, achamos que não, mas todos nos lembramos do truque que o patife do Tozé – pois quem mais haveria de ser? –  ensinou ao Martinho, foi de facto um bom truque… prófundo, quando por fim terminamos de roer umas carnes assim, assim, o empregado também fez um truque com a conta do jantar, mais prófundo que o truque do Tozé.

Quando abandonamos o restaurante já passava da meia-noite, depois…” tchitchó corno”, e cama.

Durante a noite fomos brindados, pelas incansáveis gaivotas do fim do mundo, ao que parece, adoram fazer serenatas ao pé das janelas dos hoteis e, neste aspeto fomos uns privilegiados com o hotel que nos tocou, mas  não agradaram a toda a gente, muitos ddr não gostaram da música e queixaram-se que dormiram mal em contraste com as roncadelas telúricas vindas de quartos ocupados por peregrinos.

Cabo Finisterra

2.Finisterra, como já o dissemos no inicio é considerado por muitos o destino final do Caminho de Santiago, onde está a 3,5km, o mítico farol o ponto mais ocidental de espanha – durante séculos considerado o ponto mais ocidental da Europa, só mais tarde descobriu-se que o ponto mais ocidental fica em Portugal, no cabo da Roca em Sintra -, que deixou espantados os romanos ao verem o sol desaparecer por detrás do oceano e que acreditavam que era neste local – finis terrae –, que as almas  iam para ao céu.

Começamos o dia a fazer os últimos 3,5kms do Caminho desde a vila até ao Cabo Finisterra, onde se encontra o marco com a sinalética da vieira a assinalar o km zero. O fim do Caminho

O imponente edifício do farol está rodeado de escarpas perigosas, reza a história que foi palco de duas batalhas navais nos séculos XVIII e XIX entre o reino unido e a frança e de muitos naufrágios, o maior deu-se em 1870 quando um navio de passageiros se afundou com 482 pessoas, o acontecimento mais trágico da costa da morte.

3.São várias as tradições quando se chega ao fim do Caminho, ao km zero, como ver o nascer do sol que renasce tal como o peregrino que chegou ao fim e renasce de novo, infelizmente para nós o tempo estava nublado e lá se foi o nascer do sol e alguns de nós bem precisavam de renascer.

Outra das tradições é tomar banho no mar ou pelo menos molhar os pés e queimar ou deixar algo que o peregrino usou durante o Caminho, uma forma de celebrar uma nova vida. O Chico foi o único que cumpriu esta tradição e queimou um par de sapatilhas, que tinha utilizado há dois anos.

Ao fim de vinte minutos, partimos do km zero, iniciando a odisseia do dia, voltamos à vila e continuamos pelo Caminho pejado de peregrinos que, àquela hora se dirigiam para o farol do cabo, sempre pelo litoral a circunscrever as várias baías pela marginal, muito  cool.

4.O grupo tal como no dia anterior continuou desagregado, um clássico difícil de corrigir e foi por causa deste clássico fugitivo que depois de Corcubión em Caminhos Chans, km 23 dos 35 que teriamos de fazer até à bifurcação no Hospital onde tínhamos estado no dia anterior que, distraídos com as paisagens, seguimos em frente e só quando o Milo Santos deu pelo engano e tocou a rebate, já tínhamos percorridos indevidamente 18km, pela AC550, até Caldebarcos.

Como a disposição de fazer mais vinte kms para trás era pouca ou nenhuma e tinhamos alternativa, de resto a rota do Caminho de Santiago estava praticamente feita, só faltavam 12 kms, sem stress, fomos lanchar na boa, estavamos em Caldebarcos. Reajustamos o GPS para nova rota que haveria de ser pixante até Santiago, no entanto este engano, custou-nos caro, pois tivemos de subir duas serras, Santa Comba de Carnota e as As Paxareiras (serra de Outes?), duas subidas longos com grau de dificuldade médio, que nos fizeram derreter de transpiração mas, depois, voar por aquelas descidas de kms sem fim, com pouco transito, deram um gozo dos diabos.

O aniversário do Martinho

Ao fim numa dessas descidas paramos para comer os restos do saco de comida do dia anterior na pacata povoação da Serra de Outes. Como o Martinho fazia anos, obsequiou-nos com um bolo de aniversário comprado numa pastelaria local, para que todos os ddr lhe cantassem os parabéns, um luxo, e, mesmo sabedores da proeza do truque da véspera, em que o Martinho foi protagonista, toda a gente comeu o bolo partido por ele e lambeu os dedos, o champanhe será noutra ocasião a combinar em casa dele. Com este gesto o Martinho subiu ainda mais na nossa consideração. Parabens.

A ultima paragem e sellagem, foi já às portas de Santigo, o calor assim o exigiu.

Hás 16h00, estávamos novamente no ponto de partida, em frente à Catedral de Santigo. A aventura, algo desnorteada pelo Caminho Finisterra, tinha terminado.

Santiago de Compostela

Em jeito de resumo: foram dois dias excelentes, concluímos uma rota sempre adiada a cada ano. Embora o Caminho estivesse praticamente concluído  todos gostaríamos de o ter feito na volta, mas como vendo a perspetiva pelo lado positivo e estávamos ali pela aventura, peregrinamos por locais que mais ninguém peregrinou e haverá outras oportunidades de fazer tudo certinho, tudo certinho? Isso é outra história que só se concretizará quando as galinhas tiverem dentes ou os ddr sofrerem uma mutação genética drástica. Bom Caminho!

5.Não podemos terminar sem enaltecer os gestos solidários, rebocantes/empurrantes, do Cunha, Seara e Solinho, para com aqueles menos preparados fisicamente, que se esforçaram até aos limites para os manter no grupo e ao Carias que mais uma vez teve toda a paciência para nos aturar. Em nome do Grupo obrigado aos quatro.

Os dezoito: Filipe Torres; Francisco Ferreira; Emílio Santos; Celestino Palmeira; Paulo Santos; Emílio Hipólito; Rui Faria; Narciso Ribeiro; Paulo Fernandes; António Maia; Tiago Costa; António Solinho; Marco Gonçalves; Martinho Anthony; Eurico Cunha; André Tarrio; Miguel Dias e na logística Zacarias Palmeira

Agumas fotos (falta a de grupo), tiradas pelo Narciso e Chico e o excelente vídeo do Chico sobre a parte mais soft do Caminho.

Sem stress

Segunda-feira, Junho 5, 2017

Ou talvez não, depende da perspetiva de cada um, mas sim, foi um treininho sem stress, descontraído, para desfrutar do ambiente, da camaradagem de grupo como mostra o vídeo, só foi pena o gajo que filmou o vídeo não perceber um c**** do que estava a fazer e nos momentos mais artisticos e foram alguns, por ex: o show de circo do Solinho com a roda de trás a riviangar na areia e o barrote que deu cabo da roda (e não só), do Milo, desligava a câmara e esses momentos ficariam muito bem registadas em vídeo. Foi um treininho que serviu de preâmbulo para o próximo fim de semana para o Caminho de Santiago.

 

Dia da Marinha

Segunda-feira, Maio 22, 2017

Ontem alguns ddr`s fizeram um manguito aos treinos e rumaram a outras paragens, como por exemplo Fafe, para assistir ao rally de Portugal.

Um pulou a cerca para participar no desfile do dia da Marinha que este ano se realizou em Vila do Conde e Povoa de Varzim. A nostalgia foi grande, sobretudo quando as unidades navais desfilaram perto da costa.

Desculpem lá mas hoje o video não tem rodas.

 

Fátima 2017

Sábado, Maio 20, 2017

1.Quando iniciamos no sábado dia 13, o périplo Apulia, Mira, Figueira da Foz, milhares de peregrinos em Fátima preparavam-se para viver um dia de fé espiritual sob o auspício do Papa Francisco. O país de modo geral, esteve focado no que lá se passou, nas cerimónias religiosas do centenário e na canonização dos dois pastorinhos Francisco e Jacinta – já agora porque não canonizaram a Lucia? –  até à sua despedida, quando o helicóptero levantou voo com o Papa Mário Bergoglio de regresso ao Vaticano.

Connosco, um grupo de vinte elementos (mais um na logística), a presença do Papa, por força das circunstãncia, passou-nos praticamente ao lado, estivemos mais concentrados no aspeto carrancudo do tempo na espectativa de quando começaríamos a tomar banho de chuveiro, como previa a metereologia, felizmente a água que caiu mal deu para lavar a cara e não fosse a bufaria do vento sueste a fustigar-nos as bentas, teríamos tido uma viagem calma até à Figueira e a espectativa de alguns elementos, adeptos do clube campeão de futebol, esteve mais centrada no jogo que a sua equipa realizou ao fim do dia.

O que não faltou ao grupo desde o inicio foram carradas de boa disposição. Com dois rookies no grupo: António Soares e o Campos, este, uma aquisição de ultima hora ao vizinho concelho de Barcelos, é engraçado o que a maioria do grupo magicou sobre esta aquisição, durante os dois dias ouvimos bocas do género “deve ter saído em precária” e que tinha fugido daquela casa com nome de côr amarela, se assim pensou a maioria, foram injustos, o Campos portou-se muito bem, foi um excelente companheiro, a única falha, coisa pouca, foi querer substituir o chefe no comando das operações. Uma coisa é certa, ficará nos anais dos ddr da edição 2017.

A viagem até à Figueira, decorreu sem incidentes, nem um furinho para amostra, o mais relevante, foi o desvio para conhecer Murtosa, uma pacata vila do distrito de Aveiro, demos a volta à vila, uma visita muito didática, as ruas tinham casas dos dois lados e muitos carros estacionados e havia uma igreja, e, se tivéssemos continuado iriamos conhecer um sapal da ria, onde a estrada que se tinha posto mais a jeito quando saímos da rotunda terminava, como não estávamos para aí virados, voltamos para trás e prosseguimos pela EN109

Em Mira, fizemos a habitual pausa nestas andanças, de duas horas e meia, para almoçar e…para fazer alongamentos, nos Moinhos Quinta da Areia em Casal de S.Tomé www.aamarg.org/index.php/moinhos-da-quinta-areia , como sempre, fomos muito bem recebidos pelo seu proprietário, Sr Carlos Miranda e a refererência dos moinhos da quinta, o moleiro Sr. Manuel “Reco” e família, com um opiparo almoço, muito bem regado e com doses de pachorra para nos aturar. No fim, falhou (mas por pouco) mais uma tentativa para destruir a quinta, felizmente ainda não foi desta.

De Mira até à Figueira, o poiso para a pernoita, foi um pulo. A casa dos Limonetes na quinta agricola de Tavarede posta à nossa disposição, foi muito cool, mesmo para quem dormiu em sacos cama e…em cima da bancada da cozinha.

Enquanto palmilhamos os 3km de distãncia até ao restaurante onde tivemos vaga, os adeptos do clube campeão nacional de futebol, faziam a festa com as buzinas dos carros e cachecóis da ordem, uma chatice para adeptos doutros clubes.

Por volta da meia noite também ficamos a saber que Portugal tinha ganho nas cantigas da eurovisão. Um dia em cheio a fazer recordar o que se ouvia dizer aos críticos do antigo regime fascista que alcunhavam o nosso país de três efes: Fátima, Futebol e Fado, velha máxima que identificava o que era ser culturalmente português, pois viam nestes três fenómenos a manipulação do regime instalado para adormecer o povo servindo-lhe doses maciças sobre Fatima, Futebol e Fado. É claro que hoje em dia o panorama é diferente, no entanto a existência de campeões que representam o país gera um fenómeno de orgulho em ser português.

Com intervalos e conforme a vontade, íamos regressndo à quinta de táxi, não é que estivéssemos cansados, 196kms nem deram p`ra aquecer, pois…, mas não havia pachorra para fazer mais três kms a butes e foi numa dessas carradas taxistantes, que fomos recebidos à entrada na quinta por dois policias à civil e um fardado, motivo: alguém bufou à policia que viu quatro indivíduos a escalar o muro da quinta. Depois de interrogados, explicamos a contragosto que, embora os quatro indivíduos mal-encarados, que foram vistos a assaltar a quinta e com aspeto de terroristas, eram nossos colegas e fizeram-no porque a porta da entrada estava fechada a cadeado, a coisa compôs-se, esclarecidos foram embora, mas tivemos à mesma de escalar o muro para entrar. No minuto seguinte, o Campos, um dos terroristas do primeiro assalto, exigiu por telefone o resgate do portão aberto para a restante cambada que ainda faltava entrar. A encarregada dos animais da quinta não teve outro remédio senão levantar-se da cama e cumprir a ameaça.

2. No segundo dia a saga continuou, à saída da ponte, um novo elemento foi integrado no grupo, fê-lo de forma fulgurante, depois de nos cumprimentar, mandou-se para cima dos rails e capotou para o outro lado. É a vida, quem levanta a mão em cumprimento e esquece-se do que vai a fazer, sujeita-se. Um grande abraço dos durosderoer amigo Adélio.

Chegamos a Fátima, relativamente cedo se comparado com os anos anteriores.

Os vestígios da presença do Papa, ainda se notavam, aqui e além nas imediações do santuário, viam-se algumas bandeiras abandonadas com o  foto do Papa e algumas torres meio desfeitas que suportaram os meios audiovisuais.

Entramos no recinto, centro de fé dos portugueses, os peregrinos a assistir às cerimónias religiosas, idênticas às do dia 13, ocupavam boa parte do santuário que no dia anterior uniu milhares de peregrinos que com emoção e alegria certamente tiveram a maior experiência espiritual das suas vidas com a presença do Papa Francisco, o Papa do povo como já é conhecido.

Cada um de nós desligou-se do grupo e refugiou-se em si, em silêncio, abstraindo-se de tudo, cada um à sua maneira embrenhou-se na mística espiritual do Santuário. Este momento de introspeção, também foi um dos motivos porque fomos a Fátima.

3. Resta-nos agradecer à Isabel Martins e à Rosa Cunha mais uma vez pela disponibilidade em nos trazer de volta no autocarro e ao Carias que nos acompanhou diariamente durante os dois dias.

O grupo de 2017:

Filipe Torres; Francisco Ferreira; Emílio Santos; Celestino Palmeira; Emílio Hipólito; Paulo Santos; Filipe Correia; Narciso Ribeiro; António Maia; Tiago Costa; António Solinho; Marco Gonçalves; Eurico Cunha; Celestino Faria; Agostinho Filipe; André Tarrio; António Soares; Alberto Ribeiro; Miguel e Campos – na logística: Zacarias Palmeira; Isabel Martins e Rosa Cunha

Daqui a três semanas, temos os Caminhos de Santiago, até lá cuidem-se.

Video de Mira e fotos