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Os DDR`s conquistaram o Marão

Quinta-feira, Janeiro 13, 2011

(FORAM ACRESCENTADAS MAIS FOTOS NO SLIDESHOW)

09 Janeiro 2011

“Os Duros De Roer” pela serra do Marão

O feedback do Nelson, o único ddr que participou na edição do ano passado eram só elogios, desde a organização impecável, trilhos espectaculares, reabastecimento à farta brutos até ao repasto final de cinco estrelas.

No que toca ao repasto até nem é difícil de acreditar, quem conhece a região sabe que os transmontanos com estas coisas de aconchegar o estômago, tão do agrado de nós praticantes deste desporto extraordinário e salutar, não brincam em serviço, mais que não fosse, já eram motivos suficientes para não falhar mas, a oportunidade de conhecer a serra do Marão em toda a sua plenitude em btt, obviamente que sobrepunha-se a tudo o resto

A ideia de faltar a esta prova a realizar num dos locais de eleição e mais belos do País, não me agradava, mas como tinha compromissos familiares assumidos há uns tempos, só com muita persuasão consegui antecipar a tertúlia aniversariante, pois era disso que se tratava, em um dia, assim a quarenta e oito horas do dia D, inscrevi-me mas ainda sem ter a certeza se participaria nesta aventura bêtêtista porque não fazia a mínima ideia como as coisas terminariam no Sábado. Terminou tarde por volta das 02h00 de Domingo e num estado razoável que me permitiu picar o ponto com os ddr`s à hora prevista e ainda deu para dormir três horitas.

A viagem  de 150km pela A4 foi tranquila faltavam dois minutos para as oito, quando a Task-force dos Duros De Roer constituída por nove elementos elite, eh,eh, aterraram em Campeã, uma pacata vila dos arredores de Vila Real, local escolhido este ano (o ano passado foi em Vila Real), para o início e terminus do VIII BTT de Inverno, dispostos a comerem aquelas montanhas com as suas armas mortíferas de duas rodas e as febras do reforço.

Chegamos cedo, estacionamos no centro no Largo da Feira, num local privilegiado, a dois metros do pórtico da partida e, de imediato dirigimos-nos para o local da entrega dos dorsais.

Com o saco do dorsal vinham um falso gorro e um par de meias alusivas ao evento bem mais útil que a tradicional camisola para arrumar num canto da casa e ao fim de uns tempos servir de trapo para limpar a bike.

Faltava ainda uma hora e tal para o início. A organização atarefada, ia fazendo marcações e interditando áreas necessárias para a logística da prova, nós andávamos por ali descontraídos e na maior, sempre com a moral em alta para isso contribuindo os dichotes habituais bem à moda dos ddr que íamos mandando uns aos outros.

No fim do imenso vale nas cercanias da vila onde nos encontrávamos viam-se as montanhas com os picos cobertos de nevoeiro.

“Este ano e de acordo com o ditado popular – um bom filho à casa torna – o VIII BTT de Inverno regressará à verdadeira serra, com partida do Largo da Feira de Campeã, local situado num vale maravilhoso em pleno sopé da serra do Marão, base das primeiras edições deste evento”,

Assim rezava a nota introdutória no site dos “Bilabiker`s”.

A hora aproximava-se já havia muitos atletas as voltas  pela praça e com cada máquinão, compenetrados para o ataque à serra.

Entretanto a barraca das amplificações sonoras, começou a debitar música para mexer com o pessoal, os ddr`s não se fizeram rogados ao apelo. Uns faziam o aquecimento às voltas na praça com as bikes, nós fizemo-lo a dançar e a pular ao som da música ali mesmo no Largo chamando a atenção das pessoas para o grande show de dança protagonizado pelo inimitável e formidável Xico.

09h10, eis chegado o momento de sacar da carrinha as nossas burras e completa-las com a roda da frente que tinham viajado separadas e preparamo-nos para a luta.

O speaker alertava para que toda a gente se dirigisse para o local de partida, o nosso amigo Durães e o amigo Rui, tinham-se juntado a nós no local da partida.

Às 09H33 foi dada a partida pelo Snr Presidente da Câmara, ou seria o Presidente da Freguesia? Para mais uma aventura dos Duros De Roer, desta vez pelos trilhos do respeitado e imponente Marão.

Atravessamos o vale verdejante, de inicio com subidas suaves que serviram para fazer um bom aquecimento, à medida que avançava-mos pelos trilhos enlameados a paisagem modificava-se a cada instante com as árvores despidas de folhagem, pouco casario, calmamente embrenhamo-nos na serra, agora as subidas começavam a fazer mossa viam-se bastantes “atletas” apeados, que pena, máquinas tão bonitas serem rebocadas à mão.

Ao km dez, o Nelson partiu as correntes, valeu o dono do dorsal 296 que disponibilizou um elo de engate e o dono dorsal 111 com a chave para o apertar e… o Berto para desapertar o elo errado, se assim não fosse o Nélson teria terminado ali o btt de Inverno, seria uma baixa de vulto.

Com esta treta da corrente fomos ultrapassados por mais de duzentas rodas com os respectivos montadores/as

Resolvido o problema da Cube, continuamos a subir, subir, subir, o pesadelo de qualquer bêtêtista quando sobe é depois duma curva estar à espera de uma descida e aparecer outra subida e então nesta prova, como se esperava, tivemos muiiiitos pesadelos.

Estávamos todos prevenidos pela organização que ao  km 13 seria a parte mais perigosa da prova, de facto o trajecto com um km a descer, tinha muitas pedras de lousa (pelo menos pareciam de lousa), cheias de lama o que dificultava ainda mais a descida, foi preciso muita perícia e técnica  aos poucos que se aventuraram a fazê-lo montado na burra neste trecho downhilleiro, mesmo assim houveram muitas quedas, felizmente sem grandes consequências físicas ou materiais. A maior parte optou sensatamente por descer com as burras à mão.

Continuávamos a descer com nevoeiro cerrado e frio, à medida que descíamos o nevoeiro acabou por desaparecer e entroncamos numa estrada de paralelos que serpenteava nas fraldas da montanha sem nenhuma protecção, embora não fosse uma estrada perigosa era preciso ter atenção e cuidado porque aquelas pedras eram traiçoeiras, aconteceu mesmo que um bêtêtista deu uma queda e ficou no chão a contorcer-se com dores, todos nós receamos que tivesse partido qualquer coisa. Aqui quero dar os parabéns a um Snr com uma carrinha que foi extraordinário, depois de galgar um trilho não muito fácil, socorreu de imediato o homem, parabéns Snr da carrinha. (mais tarde soubemos que o bêtêtista não sofreu nada de grave). Logo a seguir ao km 18, ai sim poderia ter acontecido algo muito grave, segundo o Filipe e o Futre contaram quando chegamos ao pé deles:

“ um gajo ia a ultrapassar o Futre pela direita, este sem querer toca-lhe no ombro e homem e bicicleta rolaram pela serra abaixo, por momentos temeu-se o pior, felizmente foi dia de sorte para ele, foi só o susto, nem ele nem a bike sofreram nada”

Ironia do destino foi o mesmo dono dorsal 111, que tinha emprestado anteriormente a chave ao Nelson para emendar as correntes.

Depois dos cinco kms de emoções fortes, acabou-se a descida e vamos lá trepar, trepar, trepar por estradões e trilhos magníficos com uma vista soberba sobre os vales lá ao fundo, por vezes abstraia-me por completo da prova e contemplava fascinado os declives grandiosos e belos das montanhas, com aglomerados de casas isoladas que mais pareciam um quadro pintado numa tela, o Marão em toda a sua plenitude, ao vivo e inóspito nos Invernos rigorosos cobertos de neve, que só conhecia das citações desse grande escritor Transmontano Miguel Torga e de passagem pelo IP4 e que agora tinha o privilégio de calcorrear com a minha SantaCruz, dando por bem empregue todo o esforço despendido e a quase direta no pêlo.

E finalmente chegou o tão ansiado reforço, na casa do guarda (acho que era assim que se chamava o local), tomem nota da composição da ementa: febras, costelas, alheiras, fiambre, chouriço, fruta, sumos, água e, uns garrafões com uma valente pinga, assim até dá gosto pedalar, só faltou mesmo umas cervejinhas para a coisa ficar completa.

Como não havia vagas à frente do ataque às febras, os ddr´s escapuliram-se sorrateiramente para trás do balcão e abriram as hostilidades às costeletas e tudo o mais que por ali aparecia e com o garrafão de cinco litros de tinto na mão, repusemos num instante o nível hidratante e as calorias despendidas. Aqui mais uma vez o Xico não deixou o crédito por mãos alheias e levou a melhor nas coisas que eram preciso dar ao dente.(vidé vídeo)

Com a barriguinha bem atestada, iniciamos a segunda parte. “faltam 27kms”, disse uma simpática bêtêtista.

Estavamos nos 700m de altitude e tínhamos ainda de subir mais 300 e tal metros, depois de uma ligeira descida, voltou o “pesadelo” das subidas, os “muros” mais altos, começavam a aparecer, a principio as febras e o tinto ainda deram uma ajuda mas às vezes só mesmo com as burras pela mão é que a coisa evoluía por ali acima e mais rápido do que os heróis a cavalo.

Que pena o nevoeiro não deixar ver a paisagem que nos rodeava.

Na Lameira, uma zona com mesas para pic-nics, creio que este local faz parte do parque do Alvão ou alto de Espinho (corrijam-me), os ddr`s tocaram a reunir, como combinado fomos sempre em grupo estrategicamente colocados ao longo de…dois kms  ou mais, de quando em quando, havia necessidade de fazer a contagem e… novamente cada um ia à sua vida, mesmo assim ainda andamos algum tempo juntos.

Depois do parque da Lameira, pedalávamos descontraídos por um belo estradão plano, desta vez com os ddr`s todos juntos, do lado esquerdo encontramos um farol, ou o que parecia ser um farol ou luz de aviso à navegação, pela lógica estes sinais estão sempre no ponto mais alto, julgamos que seria também o ponto mais alto do percurso, o Nelson armado em GPS lançou uma boca: “ a partir daqui há só uma subidita e depois é sempre a descer” e nós, prego ao fundo a todo gás e aí vamos nós ao encontro da  tal subidita.

Que néscio Tone…depois dessa subidita seguiram-se outras e outras e mais outras. “parece que estão a andar com a serra à volta”, exclamou o Futre e foi assim até perto do final.

A sorte do Nelson foi ter desaparecido senão chegávamos-lhe a roupa ao pêlo.

Os últimos 10 kms, foram feitos com o tempo enevoado e frio, trilhos por entre pinhais enlameados e cheios de água devido à chuva intensa caída nos últimos dias, ia deixando marcas no pessoal enregelado (encontramos pessoal em sentido contrário para fazerem o resto do percurso pela estrada alcatroada), desgastados com os constantes sobe e desce e o desconforto dos pés encharcados e gelados, suspirávamos pelo final, para tomar um retemperado banhinho quente.

Marão é sinal de beleza mas também de dureza.

Os três kms finais foram feitos com uma descarga altíssima de adrenalina, com a Scott do Filipe na frente, seguido pela Mondraker do Futre e a minha SantaCruz e a KTM do Milo, o meu VDO chegou a marcar 51km/h.

Estava feito este VIII BTT de Inverno pelo mítico  Marão.

Depois de lavar a burra, foi a desilusão total o banhinho quente tão ansiado deu lugar a um banho frio bem gelado.

46 km Duros, fabulosos, deslumbrantes, marcantes que exigiram muito do fisíco. Em suma foi uma grande jornada de btt na sua essência mais pura homen/bicicleta/natureza, pela primeira vez nas muitas provas em que já participei e já ando nisto há uns anitos, participei numa prova dura quanto baste, as subidas difíceis eram cicláveis até se fizeram pouco importando se foram feitas em cima das burras ou com as burras pelas rédeas, foi bonito ver as pessoas a pedalaram descontraídas sem a pressão paranoica das classificações

Parabéns “Bilabikers”.

Os  “DUROS DE ROER”, que conquistaram o Marão:

FILIPE; XICO; TINO; BERTO; MOTA; MILO; FUTRE; NÉLSON e NARCISO

Um saudação para os amigos DURÃES e RUI

PS: o almoço estava bom mas não foi do tipo “casamento”, foi bem melhor o reforço.

vídeo de Narciso Ribeiro

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3 comentários leave one →
  1. mota permalink
    Sexta-feira, Janeiro 14, 2011 2:25

    Ó kerido ! Olha k eu também fui para lá com 2 horinhas mal dormidas! Tambem mereço o meu nome na lista dos «Duros de Roer» k comquistaram o Marão…eh! eh!

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    • Sexta-feira, Janeiro 14, 2011 14:24

      Tens toda a razão Mota, foi uma falha imperdoável que já foi corrigida. Fiz a contagem por alto e esqueci-me de a fazer também por baixo.

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  2. xico permalink
    Sábado, Janeiro 15, 2011 22:22

    É isso aí cunhado lá por seres pequeno e a máquina fotográfica só te apanhar metade no ecran, tu tambem fizeste ver a todos que os Homens não se medem aos palmos,…. este gajo é mesmo duro.p.q.p.

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