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Snra do Minho

Quarta-feira, Agosto 22, 2012

Snra do Minho, 18 Agosto 2012

CARREGA AQUI PARA VER VÍDEO DA CASCATA DO PINCHO

 

Foi a primeira vez que fui à Snra do Minho e, pelo que tenho ouvido dos ddr`s veterenos nestas incursões do pedal, todas as idas a este local, tiveram um bom enredo aventureiro, como daquela vez em Janeiro de 2010, quando quatro malucos – pois não se pode chamar outra coisa -, Filipe, Futre, Hélder e Rui, resolveram descer do alto da serra, pelo trilho de downhill, cheio de água, com nevoeiro, chegando ao fim da descida já de noite sem fazerem a mínima ideia onde estavam e muito menos como chegar ao local da partida onde estavam as carrinhas.

A ida de ontem à Snra do Minho, foi uma boa aventura, muito por culpa do grande ddr Bruno, que nos levou à descoberta de um novo trilho pelas cascatas do Pincho, e, depois o espírito abnegado, aventureiro, positivo, irreverente, anti-stress, sem-vergonha e sobretudo amalucado dos ddr, fez o resto. Se não foi a melhor aventura, foi concerteza a mais rocambolesca, bem ao estilo dêdêrriano.

Depois de várias hesitações com a escolha do dia, escolhemos o sábado dia 18 Agosto e marcamos a saída para as 09h00. Ninguém se enganou no dia – se acontecesse não seria caso virgem -, mas com a hora da saída foi diferente, só saímos quarenta e cinco minutos depois das nove, quando o César, enfim, resolveu aparecer com a carripana para o transporte. O atraso até foi bom porque tivemos tempo para consertar o primeiro furo, dos muitos que se seguiriam.

Pela A28, saímos em Orbacém, sob o espectro de ter que empurrar a carrinha do Filipe até ao Pincho, tudo porque este se esqueceu de meter gasóleo e a carrinha já andava na reserva desde o dia anterior. Infelizmente para nosso desgosto não foi preciso empurrar

Chegamos ao Pincho, um lugar, se não estou errado, da freguesia de Amonde. Estacionamos na berma da estrada no local marcado pelo Bruno, rodeado de marmelos a sério e aí vamos nós, os nove: Filipe, Milo, Tino, Hélder, Futre, Narciso, Carlos, César e Bruno, montados nas burras à descoberta de novas emoções, pelo alto Minho. Começamos a fazer o aquecimento,  por uma subida em paralelos, íngreme em direção às desconhecidas cascatas já referenciadas pelo Bruno para nós visitarmos.

Durante o sobe e desce, a quinhentos metros da queda de água, quando foi necessário ao Hélder dar ao pedal…nicles, a burra em vez de andar para a frente, recuava com o man a  pedalar em seco. A roldana do desviador traseiro tinha desaparecido, desintegrou-se por completo. Solução: voltar para trás, a pé, à procura das peças e… não é que encontramos tudo? Primeiro a rodinha dentada, depois a anilha e até o minúsculo parafusinho foi encontrado, fundamental para segurar as peças todas. O Bruno, (quem havia de ser?), ao fim de quarenta minutos deu a mula como apta para continuar com as casmurrices, como se verá mais tarde. Esta mula viria a ser uma dor de cabeça para o dono e por inerência para nós todos, durante todo o dia

A última parte do caminho antes da lagoa, é de difícil acesso mesmo para quem o faz a pé. Chegamos enfim, às cascatas, um local lindíssimo com uma lagoa de águas cristalinas provenientes da queda da água das rochas muitos metros acima do solo. 

Do grupo, alguns, poucos, deram um mergulho, destacando-se, claro está, o Bruno que nestas coisas da água, não deixa os créditos para outros, mandou-se por duas vezes das alturas do cimo das rochas “parecia um passarinho”, disse o chefe

Depois, para o que nos havia de dar!!! Continuar a subir pela margem difícil e apertada do rio, em vez de voltar para trás e continuar pelo estradão que nos levaria até Montaria, onde era usual das outras vezes, iniciar o percurso  à Snra do Minho

À medida que continuávamos pela difícil margem do rio, tínhamos que  arrastar as burras, não havia outro remédio, ou com elas às costas. Quanto mais subíamos, maior era o espectáculo das quedas de água, deslumbrante, um paraíso escondido e selvagem – passe o exagero -, que só é possível continuar limpo, sem vestígios de poluição, porque os acessos são difíceis. Alguém comentou que são as maiores quedas de água do país. Pelo que vimos, é bem possível

Valeu bem o esforço de obrigar as burras teimosas a cavalgar por este paraíso e, convence-las que eram as primeiras de todos os tempos a trepar por ali, pois não acredito que algum maluco, além de nós, se aventurasse por ali com a burra. Foi complicado e então com a burra do Milo foi o diabo, pois a determinado altura fez finca-pé, se calhar por não estar habituada ao novo dono e se não fosse o tolo do César dar-lhe um pontapé no rabo, não queria avançar por nada. A muito custo pelo meio do mato grosso e alto, conseguimos chegar ao tal estradão que haveríamos de ter apanhado no princípio.

A minha burra Santa, contagiada pela manha da mula do Milo, também se armou em parva, e, chateada pelo caldinho que lhe dei na selva, deu-me um coice e mandou-me de cangalhas, malhei com o costado ainda em obras no chão de terra solta e com o equipamento molhado do mergulho da lagoa, o resultado já sabem qual foi. Uma nova cor castanha nos calções, enfim, nada que não esteja habituado, com as fdp da Santa e da Jolly

Chegamos a Montaria, fomos logo ao café arestaurantasado “Caçana”, assegurar a muamba, para quando regressássemos dos trabalhos da serra e ainda houve tempo para dar dois dedos de conversa com os clientes do café, para reservar o serviço de piscina, que haveria de falhar e prosseguimos mas, cinquenta metros depois entretivemo-nos mais vinte minutos a substituir outra câmara-de-ar furada da bike do…

O relógio marcava 13h10, quando começamos a trepadura pela estrada de pixe, que nos levaria à Snra do Minho, debaixo de calor tórrido, sem a mais pequena brisa para refrescar um pouco o toutiço e os tomates, com o suor a escorrer em bica pela cara abaixo.

O Hélder, com uma garrafinha de água de 0,250 dl, tentava arrefecer a combustão da burra dele, mas pouco adiantou, a água evaporou-se num ápice e em consequência da falta do precioso líquido, a coisa complicava-se à medida que avançávamos, viu-se fodido para obrigar a mula a continuar, com o esforço chegou a ver estrelas e ouvir sininhos com as duas persianas a ameaçar fecharem-se devido à secura. A mula rabiava por todos os lados, parava, mandava-se no chão, desorientado com a alimária, o Hélder enchia a garrafinha sempre que podia com a água que escorria pelas pedras da serra, chafurdava a cabeça e pés nas poças das bermas da estrada, só assim e a muito custo é que a burra resolvia dar umas passadas. Dois cães que guardavam em rebanho de cabras tentaram dar uma ajuda, ladrando aos cascos, mas a puta da mula continuava irredutível, não se importava com nada, depois para chatear ainda mais a depauperada moral de nós dois, os gajos que fizeram a estrada puseram uma subida a cada curva e assim continuamos a penar, até chegar ao cimo – eu e o Hélder, porque o resto da cambada, ao ver a mula agitada, piraram-se na frente com medo de serem coiceados, só a minha Santa é que teve coragem para acompanhar a burra inquieta.

Encontramos a cambada sentadinha em cadeiras de volta de uma mesa, à sombrinha das árvores, com garrafas de vinho, barril de cerveja, comida à fartazana, aqueles desavergonhados tiveram a lata, a desfaçatez, de pedir isso tudo à única família que lá estava a descansar, até chegar os sete em rebuliço e acabar com o sossego, mais tarde vim a saber que os principais sem-vergonha do grupo foram o Tino e o Milo que de mansinho começaram por pedir um copo de água e depois veio o vinho e tudo o mais que já mencionei.

Por ali estivemos algum tempo,(bastante), no imenso vale, rodeado de eólicas, vacas, cabras e cavalos, vigiados de perto pela estátua da Snra do Minho no nicho da capela, com o chefe e o Bruno a espetar uma valente seca à pobre família de acolhimento, que não arranjava maneira de se ver livre da seita de lateiros. A vontade de sair dali era nenhuma, queríamos lá saber das horas, com exceção do Bruno que tinha um compromisso para ser cumprido às 16h00 em Viana do Castelo e o Carlos que começava a ficar apreensivo com a possibilidade de não apanhar o avião no dia seguinte às 21h00, se continuássemos com o andamento como até aqui.

Depois de comer um pedaço de bolo e beber um copo de vinho branco, a mula do Hélder ficou mais bem disposta, com outra disposição para o mais que viria a seguir: a tão propalada DESCIDA, pois foi para isso que ali estava toda a seita.

A muito custo, pois o chefe não desligava por nada da caridosa família de Manhente Barcelos, donde eram naturais, despedimo-nos e voltamos pachorrentemente ao trabalho. Ao fim de cinco minutos, estavamos desorientados às voltas à procura do enfiamento da DESCIDA, do famoso trilho quebra-tolas downhilleiro e discutia-se: “é por aqui…”, “olha que não é…”, “lembro-me que tinha uma cancela…”, “e eu lembro-me que se ia à volta do vale e das eólicas, isso eu sei…”, “vamos para trás..”, “é uma vergonha se descemos pelo pixe, nem quero acreditar…”

Como tínhamos tempo, o Tino aproveitou para furar e de seguida o Bruno, estava tudo a correr lindamente.

Como a cambada não dava com a enfiadura  radical, o Bruno deu meia-volta e regressou sozinho pela estrada de pixe, o compromisso assumido das 16h00(desconfiamos que chegou fora do prazo) era para ser cumprido. Foi uma baixa de peso, a partir dali não fomos os mesmos, o grupo ficou manco com tão prestigiada baixa e com o credo na boca pois se avariasse uma das oito burras, ía ser bonito sem o nosso mckgyver, para resolver

“é por aqui, porra, cá está as cancelas”. Isto só os ddr, está nos genes, o grupo pode dar voltas e mais voltas, dividir-se em dois ou três, deixar um ou uns quantos para trás, com engamos, a organização pode não ser das melhores, e, sem rei nem roque andar à deriva, no fim dá tudo certo, como meninos do coro

Esta maneira de ser dêdêrriana, tem funcionado bem, é como uma válvula de escape ao stress da nossa vida profissional, onde toda a gente é obrigada a cumprir horários e respeitar a ordem estabelecida daquelas coisas que a sociedade inventou para nos dar cabo da mioleira. Sabemos que tem de ser assim, nunca confundimos serviço com conhaque mas, se agíssemos nos treinos ou nas nossas aventuras, como no quotidiano do dia a dia, com tudo certinho, bem organizado, estávamos fodidos, os níveis de stress nunca baixariam e já tínhamos morrido de tédio há muito tempo e, provavelmente o grupo desaparecido da circulação como outros que infelizmente se desfragmentaram. É por isso que esta seita apesar de uma ou outra contestação – e ainda bem que as há -, continua vivinha da silva.

A DESCIDA como se esperava, foi louca, radical, excitante, adrenileira, kamikaze em alguns trechos, a certa altura fomos obrigados a parar com dores nos pulsos de tanta força que fizemos para o equilíbrio das burras. Diverti-me imenso sobretudo na parte das grandes pedras lisas. Acho que nos divertimos todos.

É uma lacuna grave não termos um filme deste trilho fantástico. Na próxima tem de ser

A mula Ramson – sempre ela, pois foi a estrela da companhia -, começou o trilho entusiasmada, pois é disso que ela gosta, entusiasmou-se de tal maneira, que a meio arrebentou com o cabo das mudanças e o pobre do Heldér fodeu-se mais uma vez, nas subidas com ela à mão e para chatear ainda mais a pinha ao dono, à chegada à rua do Espantar, (agora compreendo porque a rua tem este nome), onde está situado o café, voltou a furar.

17h10 estava feita a DESCIDA, cheios de larica, fomos para a paisagística esplanada do “Caçana”, atacar a sangria em tigelas XXL e rojões em tamanho S e tudo o que os empregados iam trazendo para a mesa, a tudo lhe deitamos o dente com vontade, porque a larica apertava e de que maneira

Estava-se bem na esplanada, numa nice, muito cool, conversando, com o Futre a dar o mote e o Tino com o habitual humor corrosivo – a ouvir as histórias destes dois não me importava de estar ali a noite toda -, sem nos preocuparmos com o tempo, a não ser o Carlos como já disse, que tinha de apanhar o avião às nove da noite do dia seguinte e o Heldér que ficou de montar as mesas em casa às quatro da tarde para a festa.

Com a tigela  XXL a ser frequentemente reposta no nível full e a petiscar, tinhamos aterramos em volta da enorme mesa às cinco e tal e só levantamos voo às sete menos dez. Quando chegamos ao “Caçana”, estavam dois casais, daí a pouco constou-se que os ddr andavam por ali, num instante o Café ficou lotado de gajas boas e gajos só para ver os famosos “durosderoer”.

Montamos as burras para o regresso às carrinhas e pedalamos mais de 10 kms, se contarmos com o novo embirranço da mula Ramson que fugiu pela estrada abaixo em vez de virar para a esquerda como devia, o raio da burra devia estar possessa quando saiu de casa, manhosa a subir, partiu cabos e mudanças. Tivemos que ir atrás malvada para a trazer de volta com o Hélder em cima, desorientado, com pouco pulso para a domar, mais uma vez teve de ser o tolo do César a trazê-la de volta

E assim chegamos ao vale dos marmelos a sério e às carrinhas às oito menos qualquer coisa, ainda com a esperança de ter que empurrar a carrinha do chefe com o depósito nas lonas, seria a cereja no topo do bolo, depois de sete furos e de tudo o que aconteceu com os embirranços da mula, mas a furgoneta aguentou-se bem até Darque, para nosso azar

Foi um dia em cheio, um daqueles dias para memorizar e recordar mais tarde, agora imaginem o que seria se o resto da Companhia DDR estivesse presente.

Com o Futre a comer um intragável marmelo durante toda a viagem de regresso e a prometer que iria escrever umas prosas para breve, sobre umas certas personalidades. Ficamos todos a aguardar.

Foi mais uma aventura/trágico/cómico à boa maneira dos ddr

PS. Esperemos que o Carlos tenha chegado a tempo de apanhar o avião e feito boa viagem de regresso a França e que volte rapidamente mas com mais tempo, para lhe dar cabo da cabeça

Vai daqui um abraço dos ddr

4 comentários leave one →
  1. Milo permalink
    Sábado, Agosto 25, 2012 20:54

    Sem comentários..! Tudo na perfeição he..! he..!

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    • carlos permalink
      Domingo, Agosto 26, 2012 0:37

      oi pesoal!é só pra dizer k eu cheguei a tempo pra ir para o aviao!:).foi um dia muito fixe como é sempre kuando os ddr estao em açao!um dia com muitas historias k já aki foram contadas na perfeiçao pelo nosso grande amigo Narciso.um abraço pra todos mas em especial aos ddr k foram á s.do minho.

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      • Filipe Correia permalink
        Domingo, Agosto 26, 2012 19:07

        Grande Carlos pá, desta vez sou obrigado a concordar contigo foi de facto um dia perfeito à ddr. Se me permites deixa-me realçar a tua coragem de fazeres este treino, a pouco mais de 24horas de apanhares o aviao, pois foi grande o risco de falhares o embarque. Um grande abraço e quando vieres avisa para nós dois fazermos um treino na feira de contriz onde nós somos especialistas

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      • carlos permalink
        Terça-feira, Agosto 28, 2012 21:40

        ok grande futre!:).um abraço

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