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Fomos ao Rafting

Quarta-feira, Dezembro 12, 2012

Fomos ao Rafting                  AS FOTOS

Não é frequente trocar as nossas queridas burras num fim-de-semana, seja pelo que for, muito menos por botes de borracha, mas às vezes acontece

575439_400716536635033_1557049672_n Sabádo dia 8 foi uma dessas vezes, deixamos as mulas em casa e fomos até Melgaço para “raftingar” no rio Minho com a equipa de desportos radicais “melgaço Radical”

Chegamos atrasados trinta minutos, até nem foi muito comparado com outros eventos onde também chegamos fora-de-horas. Às vezes chegar atrasados tem as suas compensações, por exemplo: na prova de btt de Curvos chegamos com uma hora de atraso, como é evidente ninguém esperou por nós mas fizemos a prova à mesma, com a vantagem de não ter ninguém atrapalhar-nos pelo caminho e fomos dos poucos que usufruímos do reforço na íntegra, com um branquinho fresquinho e bolo caseiro a meio da prova e ainda ganhamos medalhas 

 Desta vez os monitores do “Melgaço Radical” não acharam muita piada ao atraso mas como pessoas bem-educadas esperaram por nós. Enviamos daqui as nossas desculpas e por os ter “enganado” no numero de participantes. Qualquer das maneiras nós eramos gajos para pegar nos botes sozinhos e irmos por ali abaixo ao encontro do rio  

Depois de preencher a papelada, começou a aventura de vestir os fatos térmicos. Estou a dizer isto, não é por ter vestido o fato ao contrário, ou o Futre enfiado a perna pelo braço, é que não foi fácil acomodar a tomatada XXL dentro do “escafandro” térmico justinho, se descurassemos este pormenor, em vez de desfrutar do gozo da descida, quiçá, não gozaríamos coisa alguma e ainda teriamos de aguentar os tomates apertados

Um km depois do ponto da partida, estávamos prontos para enfrentar qualquer adversidade por mais difícil que fosse, com o corta-vento, colete salva- vidas e capacete. Em pé e em redor dos botes na margem do rio, o nosso amigo e conhecido monitor do ano passado, Júlio, debitava as habituais recomendações de segurança e exemplificava como bem pagaiar para que a missão rio abaixo fosse um sucesso

Por fim onze garbosos atletas de alta competição, ou seja, nós, divididos por dois botes semi-rígidos, um com  cinco: Manel, Emílio Pinho, Paulo Pinho, Tino e Futre e o monitor Luís Miguel e, outro com seis: Filipe, Milo, Hélder, Eurico Cunha, Ricardo e Narciso e o monitor Júlio Araújo, fizeram-se ao rio na expectativa de viver as emoções de mais uma aventura sem ser a descer montes e serras com as mulas pelos tracks sinuosos, enlameados e empedrados, desta vez a maluquice seria na água,  pelos obstáculos naturais do rio Minho que, segundo a organização, com características únicas durante todo o ano para a pratica do rafting

 O Sol começava a aparecer timidamente na margem direita a jusante, infelizmente para nosso desgosto não passou dessa margem até ao fim. Atentos à navegação, não tínhamos tempo para carpir o desconforto dos pés gelados, de resto era a única parte do corpo que permanecia fria. Dureza é dureza e nada faria esmorecer o espírito destemido dos intrépidos tripulantes enchouriçados com o colete nos rígidos botes

Sempre que se aproximava um rápido, a voz do monitor ordenava autoritária que remássemos depressa e seguíssemos a cadência das pagaiadas dos guias, no caso o Milo e Filipe, para entrarmos aproados e certinhos nos açudes a todo o vapor. Nesses momentos e pela força de hábito, entusiasmávamos atrás dos guias que, julgando estarmos a pedalar gritávamos: “pica Milo, pica, pica, picai, seus…”.

 Acho que esta estratégia só resultou razoavelmente bem, uma ou duas vezes, a maior parte, remavamos atabalhoadamente, dessincronizados e entravamos adornados a um bordo e depois a corrente encarregava-se de fazer rodopiar o bote, de pouco valendo pagaiar para o fazer parar

Foi então que a embarcação dos cinco, farto de levar a carga mal dividida – três num lado e dois no outro – passou-se dos carretos e depois de atravessar um rápido, no meio da ondulação gerada pelo fluxo da corrente, deu um formidável capotanço – daqueles de dez pontos de bike contra as corrente de aço na Estela – Os cinco desempoeirados remadores mais o monitor, foram cuspidos borda fora. Do nosso bote, a tudo assistíamos com indiferença no remanso das águas, mas com uma pontinha de inveja por vê-los a divertirem-se com todas as radicalidades. O bote foi rapidamente dominado, nem era de esperar outra coisa dos audazes atletas, no entanto o quinto elemento e uma pagaia foram ao sabor da correnteza. O naufrago foi parar ao abrigo das rochas e aí permaneceu  à espera de socorro. A pagaia tinha desaparecido

Como estávamos próximo, hesitamos o que fazer primeiro: ir à procura do remo ou recolher o naufrago? A maioria era a favor de procurar primeiro o remo porque fazia falta e era caro, acabou por vencer a minoria e recolhemos em primeiro lugar o naufrago porque era um tipo porreiro e não parava de rir, vá lá saber-se porquê, e devolvemo-lo de imediato à procedência. Quanto à pagaia, desistimos de a procurar e voltamos para trás contra a maré.

Encontramos  Os do outro bote na “maior”, a divertirem-se, a saltar para o mergulho do cimo de uma rocha com oito(?)metros de altura, com a pagaia “desaparecida” dentro do bote, que afinal… só tinha caído à água. Nós, os seis, sentimo-nos enganados, tínhamos desistido do salto para o mergulho, por causa da missão “rescue”, furiosos, obstinados, quisemos também subir até ao cimo da rocha e assim mandamo-nos das alturas como um calhau p`ra água

Com toda a gente a bordo, refeitos da descarga de adrenalina, mas ainda chateados por o nosso bote não ter virado, o monitor Júlio em jeito de compensação para nos animar, acedeu ao pedido do Filipe para abalroar a outra embarcação. A intenção do chefe dos bandidos era saltar para o outro bote e, mandar os cinco pela borda fora, obrigando-os a novo mergulho

O abalroamento correu bem, tão bem, que o chefe dos bandidos no momento de saltar para a outra embarcação, ficou com os pés presos na corda e foi o único a mergulhar na água. Agora sim, começavamos a divertir. Mais uma tentativa e então sim, o chefe aterrou de cabeça no território do inimigo, mas já sem forças para os mandar ao charco

O rio continuava por nossa conta, o silêncio só era quebrado pelo chinfrim que faziamos, de quando em quando avistavamos um pescador nas margens pedregosas e eramos constantemente sobrevoados por bandos de pássaros. Quase a terminar, avistamos um bote a montante carregado de espanhóis, se calhar queriam luta, mas nós não estávamos para aí virados. Aproximava-se o fim, entramos numa enseada e atracamos. Estava concluída com êxito a aventura da descida no rio Minho. Apesar dos pés continuarem gelados, valeu bem a pena, a boa disposição prevalecia com sempre. Carregamos com os botes até ao reboque do jipe e ala por território espanhol  para as excelentes instalações do complexo desportivo de Melgaço, para o desejado banho quente, para depois enfardar uma bela feijoada num restaurante das imediações da vila

À atenção do “Melgaço Radical”: aquando da primeira descida o ano passado, em Agosto, informaram-nos que a altura mais radical para descer o rio, era a partir de fins de Setembro/Outubro, porque começaríamos próximo de  S.Gregório. Foi por isso que escolhemos esta data. Na próxima tem de ser porque esta cambada gosta de radicais malucos, ou então levamos os botes para o cimo da rocha e em vez de saltar um de cada vez, saltamos todos amarrados aos botes com as pagaias a servirem de pára-quedas. Pronto, está dito, fica a sugestão

Ficamos por aqui, não vamos descrever mais nada do que se passou depois do almoço, nem o avacalhamento do Hélder, aliás muito bem conseguido, e, o incidente entre as forças armadas no Solar do Alvarinho que só não degenerou no inicio de uma guerra mundial por um triz, ficando a lição de que nunca se deve desafiar os Senhores do ar e muito menos os Senhores dos mares num recinto rodeado de munições altamente inflamaveis. Preferimos sublinhar o que aprendemos sobre as castas do vinho Alvarinho e, claro está, como bem raftingar no rio Minho

Notas finais:

– Obrigado ao “melgaço Radical”, por ter feito a descida sem o mínimo exigido (quinze pessoas) e agradecer aos monitores Júlio Araújo e sobretudo ao Luís Miguel, pela pachorra de nos ter aturado o tempo todo

– Ao Ricardo pelo jeito que nos fez em disponibilizar a carrinha

Em resumo:

Pena que dos dezassete que demonstraram vontade em participar, quatro acabassem por desistir e dois não apareceram. Foi um dia bem vivido, bem divertido, uma aventura diferente para fugir à “ditadura” do pedal e, quando fazem parte da comitiva o Futre e o Hélder, pode haver guerra é verdade, mas é a cereja no topo do bolo.

PS: logo que possivel serão publicadas as fotos

3 comentários leave one →
  1. Milo permalink
    Quinta-feira, Dezembro 13, 2012 11:32

    Mais uma aventura cheia de maluquice e adrenalina.
    São momentos destes que dão sentido à vida e nos mantem à margem dos problemas do dia a dia. A mente pára os pensamentos dissipam-se e o divino acontece..!

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    • Sábado, Dezembro 15, 2012 0:33

      É isso Milo, Bem dito. Foi um dia extraordinário. Na próxima vamos descer 18km, Nem “K Kaia” desde a fronteira até à ponte. 4 horas de adrenalina. Já está apalavrado com o Melgaço RAdical

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  2. Milo permalink
    Sábado, Dezembro 15, 2012 15:53

    Já estou ansioso!
    Só precisa estar o tempo um pouco mais quente, para poder saltar com o Futre que demonstrou ser um guerreiro, ou antes um verdadeiro Páraquedista.

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