Trapalhada

Trapalhada

Com um dia agradável, saímos os três: Filipe, Narciso e Seara do Rafas com destino a Rates, com o intuito de ver e apoiar a passagem dos seis ddr participantes na maratona “Cidade da Póvoa de Varzim”. Em Criaz, o Paulo e o Martinho, perguntam via telemóvel onde nos encontravamos, tinham-se atrasado, pouco depois juntaram-se a nós e os cinco dirigimo-nos para o ponto onde era suposto passar a maratona.

Localizado um dos locais de passagem em Laundos, apercebemos-mos que a informação do trajeto da meia-maratona, dada pelo membro de apoio que se encontrava no local, não condizia com a sinalética, pois tínhamos verificado mais à frente na estrada de alcatrão entre Laundos e Rates, que havia setas a indicar o percurso para a esquerda. No entanto o membro de apoio, aparentando ter 17/18anos garantia convicto que era antes desse local e para a direita pela ciclovia. Para nós, que andamos nestas coisas do btt há muito tempo, não fazia sentido, mas como não tínhamos nada a ver com aquilo, fomos à procura de outro local de passagem para ver os nossos companheiros, quando a certa altura reparamos do alto de onde nos encontrávamos que os primeiros bettistas estavam a entrar na ciclovia, imediatamente  voltamos para trás para o mesmo local de à pouco na esperança de ir a tempo de ver os ddr.

Quando chegamos, o Diogo já tinha passado e foi por pouco que ainda vimos o Tozé e por aí nos ficamos à espera dos outros. Ao fim de algum tempo eis o estreante nestas andanças bettistas: o António Solinho, que cheio de garra e determinação entrou na via, depois o Nelson passados uns segundos, desolado com o atraso por ter rebentado as correntes e o Emílio Santos que tinha parado para ajudar o Nelson e, todos foram para o lado errado como se comprovou mais tarde, quando alguns bettistas voltaram para trás e foram por onde tínhamos vaticinado que seria o percurso correto.

E já agora, para que não fiquemos associados a algum mal-entendido, vamos lá esclarecer as coisas como tudo se passou:

Depois de passarem os cinco (o Paulo foi para a maratona), preparávamos para deixar o local, quando vimos dois bettistas que por um triz não se espetaram contra um motociclista ao fazerem a curva da estrada sem visibilidade que antecedia a entrada para a ciclovia. Com o aproximar de grupos cada vez maiores, com o membro da organização impotente para fazer para o transito e ao mesmo tempo indicar o caminho  aos ciclistas, com o aproximar de um enorme camião com um atrelado de três rodados a ocupar toda a faixa de rodagem, antevemos forte possibilidade de acidente se nada fosse feito, pusemos-mos então na curva para avisar os bettistas do perigo.01

Depois quando algum bettista nos perguntava por onde ir, dávamos-lhe a informação, por onde os outros tinham ido, ou seja, para a direita. Aconteceu talvez com uns 30/40 bettistas, não mais, que de uma maneira ou outra iriam sempre para esse lado, mandados mais adiante pelo membro de apoio.

Analisando depois esta situação, chegamos à conclusão que não nos devíamos ter metido onde não fomos chamados mas, levanta-se a questão moral: ao ver o perigo em que ocorriam os bettistas, ficávamos descansadinhos a ver o que aconteceria, só porque não tínhamos nada a ver com aquilo? Claro que não, tínhamos de fazer o que fizemos, e estamos certos que evitamos um muito provável acidente, caso o veículo pesado tivesse avançado, até porque o fluxo de bettistas estava a aumentar.

Está feito o esclarecimento, antes que hajam más interpretações por parte dos mais exaltados com o engano, e com toda a razão, que nos viram por lá.

Até agora, só temos feedback, do Tozé e Emílio, que acabaram por desistir depois da trapalhada do tal engano e ao darem conta que estavam no monte da Franqueira e na maratona.

Apúlia – Fátima 2013

Apúlia -Fátima 2013

001Pronto, está feito. Já passaram dois dias desde que os ddr cumpriram a aventura que ainda faltava este ano: a tradicional ida a Fátima. Ao contrário das outras vezes, foi um grupo pequeno, o mais pequeno de sempre com dez elementos. Sinais dos tempos ou da crise, não sei.

Apesar do mau tempo, na hora da partida o grupo estava alegre e confiante que tudo iria correr pelo melhor, e, quando o Futre teve a ideia de guardar a chave do jipe, dentro do…jipe e trancado as portas, foi o prenúncio disso mesmo, que tudo iria correr comó costume ou seja, com coisas do género desta.

E foi por causa destas coisas da chave e dos atrasos dos Milos, que arrancamos um bocadinho, depois da hora marcada (06h30), às 07h10. Começamos sem chuva, mas foi por pouco tempo, passados poucos minutos, a chuva e o vento de sueste, começaram a fustigar-nos o pêlo sem piedade e continuou à medida que avançávamos, com ligeiros intervalos, só nos deu  tréguas a partir das 15h00,  e foi só a chuva porque o vento “bufou-nos” na cara o tempo todo.

A aventura a Fátima deste ano, não se resume só ao mau tempo, embora fosse um adversário de peso, também tivemos histórias, que ficam para a história, ou não fosse o grupo deste ano formado por poucos, mas bons  artistas.

Antevemos logo à partida, que o herói do dia, iria ser o chefe, por ter a lata de se apresentar com a sua  burra  de roda 29”, no meio das zirinhas de estrada. Ficamos admirados – se bem que com ele tudo é possível -, por ter aguentado a pedalada até Aveiro, em condições tão adversas, e se a chuva e a força do vento eram iguais para todos, na 29” a bufaria com certeza que se fez notar mais. Pronto o chefe foi o herói do dia e…o Futre também por ter levado um bolo para todos e algo mais.

Ao invés de atravessarmos a ria como nos outros anos, indo por S.Jacinto, devido ao vento forte optamos por seguir sempre pela EN109 até à Figueira. Decisão que se tornaria acertada, porque além de ser um pouco mais longe, a paisagem com tempo invernoso, não compensa o esforço redobrado que teríamos de fazer se fossemos pela Costa Nova.

Quase a chegar a Aveiro, com a chuva cair a cântaros, como a larica começava a apertar, resolvemos parar e procurar um local abrigado. O melhor que conseguimos, foi no parque subterrâneo do Pingo Doce. Encharcados até aos ossos, agrupamo-nos a um canto, misturados com os carrinhos das compras. Sentados no chão começamos a roer umas sandezecas e comer massa de dentro de tupperwares,  para espanto dos fregueses do hiper, que não devem ter duvidado, pelo nosso aspeto de aves raras, estar perante  um bando de vagabundos sem eira nem beira, vigiados pelas câmaras de vigilância, que foram despejados de uma qualquer casa em ruínas.

Seja num restaurante, ou num parque de estacionamento no meio do fumo dos escapes, o local é tão bom, ou tão mau como nós quisermos – é a velha questão do copo meio cheio ou meio vazio -, e o local que escolhemos, depois de confortados com um delicioso bolo – que mais uma vez a Senhora esposa do Futre teve a amabilidade de nos oferecer -, e do aperitivo da garrafa, também do Futre (escorrixada num ápice), por cima da massa e da cerveja, ao ver a chuva a cair, já nos parecia um local acolhedor. Depressa começamos  a afeiçoar-nos às novas instalações, equacionamos mesmo a hipótese de ficar por ali o resto da tarde a embebedarmo-nos, mas não pode ser e tivemos de deixar o conforto do chão de cimento húmido e com óleo e fazer-nos de novo à estrada, porque além do mais o Manel ainda não tinha dado uma pedalada e precisava de fazer a rodagem à perna por causa dos parafusos, só estava à espera de um trajeto propício para a rodagem (que só viria a acontecer próximo da Figueira e no dia seguinte próximo de Fátima)

E como a zirinha do Manel estava disponível e folgada, o chefe aproveitou-a e mandou a matulona 29″ para a carrinha.

Depois de Aveiro, prosseguimos por Saldreu, Avanca, Ílhavo, Mira  e por aí fora, íamos pedalando certinhos em grupo – com exceção dos Milos e do Chico desarvorados na frente descolados do resto dos cinco.

Sem chuva e com vento forte, depressa as roupas ficaram secas.

A 20kms da Figueira, quanto estávamos entretidos a beber uma cervejita e comer uns cascavelhos, passou o grupo da Propedal de Esposende  por nós, comandados pela carrinha de apoio, cujo destino era o mesmo que o nosso – mais tarde encontramo-nos todos na Figueira e trocamos dois dedos de conversa sobre as incidências da viagem.

Com as habituais escaramuças, na descida da serra da Boa Viagem, com cada um a espremer as zirinhas até não dar mais, chegamos à Figueira da Foz, à hora programada: 18h30, ao fim de 183kms. Aliviados por ter terminado a etapa que começou de modo desagradável e fartos de levar com vento na cara.

Depois de um banho retemperador, uma refeição quente, só faltou o aperitivo do Futre da hora do almoço em Aveiro.

Segundo dia:

No Inverno, a Figueira da Foz, assim como todas as povoações do litoral, tem pouca vida, se compararmos com os meses de verão. Por isso não estranhamos às 08h30, não encontrar ninguém pelas ruas a assistir e a bater palmas à nossa partida como grupo famoso que somos, tudo muito calmo quando arrancamos para a ultima etapa de 75kms até Fátima, não sem antes como vem sendo tradição termos um furo à partida. Embora este ano não fosse dos piores no que respeita a avarias, tivemos os nossos furozitos e um pneu estragado e ainda demos apoio técnico a três membros de um numeroso grupo de ciclistas de Paços Ferreira, que se deslocavam também para Fátima.

O Hugo da Propedal, tinha-nos informado na véspera, que iria estar um bom dia, mas o certo é que ainda apanhamos uma boa chuvada antes disso acontecer.

Se calhar foi por causa do chuva que alguns músculos custaram a aquecer, mas o certo é que aconteceu também o mesmo nas outras vezes com sol e calor, porque seria então? Não sei, mas acho que é mesmo do…cliiima da Figueira!

Quando as nuvens carrancudas desapareceram, depois do último furo ter contemplado o Chico, com os músculos quentinhos, a boa disposição voltou e da Guia até à Caranguejeira, foi só zimbrar pela estrada fora.

O Bruno, que tinha prometido no dia anterior, estar à nossa espera no final, ia-nos contactando de vez em quando para saber da nossa posição.

Mantivemo-nos juntos até ao inicio da serra de S.Catarina. A partir daí os Milos puseram-se em fuga  e, embora pedalassem à nossa vista, não mais pararam. O Nelson e o Chico resistiram à tentação de os acompanhar e foram uns Siinhores, solidarizaram-se com os restantes elementos. Iniciamos então o ataque à derradeira subida. Foi bonito treparmos em grupo compacto, pena que os outros dois se tenham pirado. Acho que nunca subimos a serra tão rápido como desta vez, pelo menos eu.

Depois tivemos a grata surpresa, de ver o Bruno à nossa espera no alto da serra. Obrigado Bruno pelo apoio.

Os últimos kms, até à rotunda dos Pastorinhos, foi como no dia anterior à chegada à Figueira, a espremer as zirinhas ao máximo.

Estava concluída a ultima etapa, da aventura que faltava este ano.

No fim sentimo-nos bem, não por termos competido, mas por termos superado mais um desafio, não interessando se foi duro ou mole, se discutimos ou não, às vezes somos tão parvos por não aproveitarmos as coisas ao máximo. Foram dois dias de convívio, divertimo-nos e isso foi o mais importante. Pela minha parte, adorei esta edição do Apúlia – Fátima 2013 e com o grupo deste ano eu ia até ao fim do mundo

Despedimo-nos do Bruno, com pena de não almoçarmos juntos, mas tínhamos de cumprir a visita agendada  à madrinha do Nelson na Malaposta e fomos embora depois da visitarmos o santuário (terreiro)

Depois…depois…, de visitar a madrinha do Nelson….não tenho coragem de publicar o vídeo. Alguém chegou a dizer, para esquecer a “Tourada de Mira”, mas não, a Tourada de Mira continua no top, mas lá que o regresso foi animado e a pedagogia mal tratada, lá isso foi.

Antes de terminar queremos agradecer, ao Carias e ao Francisco Gomes, a pachorra por nos ter aturado mais uma vez, principalmente ao Chico Gomes por não nos ter posto fora da carrinha a pontapé, depois daquele banzé pica miolos durante toda a viagem e pagar-lhe a consulta de otorrino que por certo vai ter de fazer, depois de lhe termos deixado os ouvidos tão maltratados.

Dedicamos esta aventura, ao Chefe que por motivos profissionais não pode chegar ao fim e ao Chico por ser o obreiro de toda a logística e a todos os nossos companheiros que não puderam participar nesta aventura e nos enviaram mensagens de apoio, assim como aos nossos emigrantes ddr`s que embora longe, continuam connosco

O grupo desta aventura:

Filipe Torres,  Francisco Ferreira,  Manuel Torre,  Emílio Santos,  Paulo Santos,  Emílio Hipólito,  Filipe Correia,  Narciso Ribeiro,  Nelson Miranda. No apoio: Zacarias Palmeira,  Francisco Gomes e Bruno Monte  no final 

Algumas fotos tiradas pelo Chico e Narciso:

PS: já agora Bruno se tiveres as fotos com os nossos bofes de fora a subir a serra, manda-nos a desgraça por mail. Obrigado

“há gente para trás…”

“Há gente para trás…”

Começa a faltar paciência para tantas conversas sobre avaliações, pareceres e mais pareceres, programas e cortes disto e daquilo, renegociações da dívida, ajustamentos, de pedido de mais tempo, de recessão, segundo resgate. Vai faltando paciência para tanta conversa sobre a situação do país, do antes, durante e depois da troika. Vai faltando paciência para espetáculos deploráveis como ver jogar a selecção portuguesa

Entediado, não deixei que acabasse o noticiário e desliguei a televisão.

Dou uma vista de olhos on line pelos jornais do dia, não é que o teor das notícias seja diferente, mas ao menos podemos ler o que mais nos interessa ou desperta curiosidade, como esta sobre a feira do livro e das artes a decorrer em Frankfurt, na Alemanha: descrevia o artigo que os visitantes na zona das bicicletas, pedalam para conseguirem ver um filme com uma história dum país qualquer, como mostra a foto.filme brasil

E dou por mim a fazer o seguinte exercício: e se algum amalucado se senta numa dessas bicicletas e começa a pedalar desenfreadamente como os ddr`s no treino de hoje? Será que a bicicleta e o filme resistiriam à média de 35km/h de Apúlia a Darque? Ou com a média final de 31,4 como mostra o gráfico do Toze? Não é que fosse uma média por ai além, se compararmos com as médias dos profissionais, mas se calhar não, o mais certo era o amalucado ir parar a um hospício, ou ser preso por ter deixado a máquina dos filmes movida a pedal, em fanicos, irremediavelmente perdida e sem conserto, com destino à sucata.13out

A história do treino d`hoje é breve: oito duros saíram em direcção a norte e um em direção ao sul por ter picado o ponto fora de horas.

O grupo dos oito comandados por dois Pros, determinados e possesos: P Fernandes e E Santos, voaram durante 87kms, por pixe até à margem direita do rio Lima, depois de atravessar a ponte em Lanheses. Após uma curta paragem para atestar pneus, começamos a levar com chuva nas ventas a partir de Cardielos e, a partir de Viana com o acrescento do vento de frente. De nada valia o aviso “há gente para trás”, para os da frente abrandar o andamento (de facto não havia ninguém atrasado), continuavam a pedalar em alta, impávidos ao que se passava na retaguarda e assim foi até Apúlia city, com um ligeiro abrandamento ao passar pela marginal em Esposende. Nunca andei tanto em tão pouco tempo, a ponto de surpreender por ter chegado a casa tão cedo

O outro duro, andou sozinho pelos lados de Famalicão, de facto é por onde costumávamos treinar em anos anteriores em vésperas de ida a Fátima. Falta saber se o Futre fez escala em Viatodos na casa do grande Nelson, ou se o encontrou, quiçá, também possesso a subir à Franqueira, porque nós não acreditamos que tão valoroso Pro, tenho ficado na cama toda a manhã…ou ficou?

Os ddr`s: Chico, Emílio Santos, Paulo Santos, Futre, Narciso, Paulo Fernandes, Bruno, Tozé e Diogo

E porque o chefe hoje faz anos e na impossibilidade de lhe cantarmos os parabéns, vamos oferece-lhe este jogo da roleta para se divertir e esperamos que tenha sorte…roleta

Os Martinhos – o Santo e o nosso

ATENÇÃO DDR`s DOMINGO 13, ÀS 08H30 NO RAFAS COM BIKES DE ESTRADA

Os Martinhos – o Santo e o nosso

A história de S. Martinho que se celebra a 11 de Novembro, é conhecida de todos: – um cavaleiro, que viria a ser S. Martinho, montado num belo alazão em dia de tempestade, ao ver um mendigo a tiritar de frio, com a espada cortou a sua capa dividindo-a pelo pedinte para que este se protegesse da intempérie. Continua a lenda que imediatamente o céu ficou azul, a chuva parou e o Sol aqueceu a terra, dando origem a partir desse dia ao chamado verão de S.Martinho. Acho que é mais ou menos esta a história, pois estou a citar de cor

Pois bem, nós temos no nosso grupo um Martinho, sem lendas como o da capa, mas com boas histórias no seu currículo. Duvido que algum dia ande por aí a dividir a camisola com outros e muito menos que seja venerado como santo, embora todos nós achassemos que o Martinho por ser um rapaz bem parecido e robusto, ficaria muito bem num pedestal e que teria mais fãs que o Tony Carreira, a pedir-lhe graças

Sem vocação para santo, todavia o nosso Martinho, está no bom caminho para mártir, como ainda hoje ficou provado ao sacrificar-se por uma ravina abaixo em direção ao rio Cávado, em prole da nossa felicidade e, pelo aperto que levou, merece que hoje ocupemos todo o tempo a relembrar o que tem sido o seu percurso desde mancebo a recruta:

Há muitos dias atrás, num certo dia de primavera, um mancebo, vindo do nada apareceu no templo da pizzaria Urbanus, montado numa pileca MGO amarela e com um escafandro esquisito enfiado na cabeça a fazer lembrar um capacete da guerra das estrelas

O dia estava lindo, os ddr`s não lhe passaram cartão, no entanto toleraram-no, como sempre fazem aos recém-chegados mortinhos por fazerem parte da distinta quadrilha dêdêrriana à primeira tentativa.

Depois das pedaladas do primeiro treino, sem darmos por ele, continuou a aparecer regularmente no seio da cambada. O Martinho, pois deste mancebo se tratava, rapaz bonito, com barba-à-passa-piolho, riso fácil e capacete à chanfrado, herança do grande César, seu famíliar (alô Argélia, vai daqui um abraço para o grande César), cedo demostrou ser um mancebo inteligente e vimos logo pela sua atitude, que era ambicioso, ao ocupar sempre o mesmo lugar na cauda do pelotão. Cumpria à risca os preceitos do todo poderoso chefe dos ddr: se preciso fosse, carregava heroicamente durante uma prova de btt, tupperweres com comida no camelbag, para toda a gente, sem se queixar.

Com o passar dos treinos, ia evoluindo na cauda, só deixava este lugar se, por acaso acontecia haver algum ddr com distúrbios gástricos a correr aflito para o meio do mato durante um treino, ou se alguém era forçado em consequência de avaria a andar devagar, nessas circunstâncias era-lhe permitido que ocupasse o lugar de penúltimo. E foi assim, a aproveitar as oportunidades da vida que lhe iam surgindo de ultimo penúltimo e de penúltimo para ultimo, que teve uma ascensão rápida no grupo e foi-lhe outorgado o grau de recruta zero.

O nosso Martinho, depressa conquistou os seus superiores, a todos encantava, dava prazer assistir às suas proezas rasteirinhas, quando mergulhava no solo empoeirado, como daquela vez na pista de Tougues, quando ultrapassou de gatas um eminente ddr, depois de ter despachado na frente a sua pileca MGO amarela pelo monte abaixo 

Os todos poderosos ddr, com calos no rabo comós macacos, vendo nele um recruta promissor mas ainda muito verde, sem arcaboiço para o novo posto de recruta, decidiram que o melhor seria imputar-lhe um mestre que lhe abrisse os olhos e o domesticasse para desafios que se adivinhavam exigentes, preparando o seu futuro para  alcançar um dia o tão almejado diploma “duroderoer”.

O escolhido foi o mestre Futre e, foi uma escolha tão certeira que passado um mês, o nosso recruta zero ganhou uma prova muito famosa em Gemeses: a grande maratona btt da Barca do Lago com quatro postos de controle e tudo00

Enriquecido com a vitória continua a ser recruta, às vezes tem de ser chamado à pedra, quando se excede a falar grosso. Continua a usar o mesmo capacete de  chanfrado, mas é outra pessoa. A sua burra MGO amarela, também está diferente, a condizer com o novo estatuto do campeão da Barca, pintou-a de preto e raspou-lhe o nome, para a compensar colou de um lado e do outro, autocolantes da marcas Berger e Rock shock mas, sem o saber criou um conflito dos diabos entre as duas marcas e, hoje em Mariz na descida para o rio, foi notório que a Berger e a Rock, não se entenderam e entraram em disputa cada qual a querer chegar primeiro, na refrega embrulharam-se à bulha e quem pagou a fatura foi o mártir Martinho que acabou de cangalhas e a queixar-se com os tomates doridos

Para nós, este é que é o verdadeiro Santo, pois dá-nos muitas alegrias, fez melhor que o seu homónimo da capa: quando caiu não viu o céu azul, mas viu estrelas; foi poupado à trabalheira de parar a chuva e em vez de aquecer a terra provou-a e com isto tudo fez o milagre de alegrar não um pedinte, mas oito rafeiros.

Viva o nosso Martinho que ia ficando sem os tintins e é melhor que o Santo!!!!

Os ddr de serviço: Filipe, Emilio Santos, Paulo Santos, Futre, Narciso, Seara, Martinho, Solinho e Berto Ribeiro

Um vídeo que faltava publicar da pista de Creixomil

de Francisco Ferreira: