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Os ddr pelo Caminho Português Interior Santiago

Quarta-feira, Maio 7, 2014

(O vídeo do Tozé está publicado no fim da crónica)

Os ddr Pelo Caminho Português Interior Santiago

001Todos anos por esta altura, quase sempre no mês de maio, reservamos três dias para deambular pelos Caminhos de Santiago. Tem sido assim desde há oito anos. Desta vez escolhemos o Caminho Português Interior de Santiago, que começa em Viseu e estende-se por 205kms em território português até à fronteira de Vilarelho da Raia e depois mais 180kms em território espanhol até Santiago de Compostela, com um acumulado de 8294 m a subir e 8443m de descidas. Por aqui se vê que não é dos mais fáceis e exige uma preparação física razoável se o quisermos fazer na sua totalidade em três dias ou mesmo quatro.
Já passaram três dias desde que terminou a nossa aventura que começou no dia 1 e terminou no dia 3 de maio, e, como tem sido tradição começou algo atribulada. A dois dias da partida, andamos em bolandas com mails e telefonemas à procura de alojamento onde pernoitar (os albergues por norma não recebem grupos grandes), é claro que estamos a falar de alojamentos de uma e duas estrelas, quase todos lotados na data pretendida por causa dos feriados. A cinco horas da partida persistia a incerteza se haveria transporte para as bikes com o mecânico a tentar resolver a avaria da carrinha durante horas, quando afinal bastava… alguns segundos. Por fim na hora prevista para a partida 05h45, o Nelson adormeceu e acabamos por sair às 06h43. Tudo isto foi como que um prenuncio de que tudo iria correr bem. E correu, tirando a frincha que lixou o João e o rolamento gripado da roda da bike do Milo, mas já lá vamos…
003Como não estávamos formatados para começar no inicio em Viseu, começamos em Chaves ao km 170, aliás, não foi bem na cidade de Chaves, o Francisco Gomes teve pena de nós depois da seca à espera do Nelson e descarregou-nos no “O Padrinho”, um café restaurante a meia dúzia de kms do ponto da suposta partida, cujo dono, como nos revelou, tem grandes amigos em Fão.
Com todos a postos, eram 08h30, quando começamos a pedalar para explorar mais um Caminho, sem grandes preocupações do que iriamos encontrar pela frente.
Paramos várias vezes à procura do caminho certo, em algumas troços só existia vestígios de setas amarelas ou da concha (vieira), as más marcações seriam uma constante até Ourense, valeu que o Emílio Santos levava o track do Caminho e tirava-nos as duvidas quando elas surgiam.
010Chegamos a Verín num instante onde encontramos outros grupos de ciclistas de Gondomar e Barcelos com o mesmo destino do nosso. Cinco kms depois começou a tão propalada subida de Rebordelo, que afinal não foi assim tão difícil, pois ainda sobrou folgo para o Mota cantar o “ai que mal eu fiz para merecer isto”, com coro a responder “ isso aí miudo…sobe, sobe…”. Terminamos nas eólicas, o cimo a 836m já na localidade de Pena Verde.
Depois de um pequeno intervalo para afinar a bike do Nelson, continuamos até Vila de Rei onde almoçamos e a bike do Milo anunciou a morte esperada depois de ter saído de casa adoentada, valeu que o Alexandre a contas com as cãibras, ou seria canhas? Cedeu a sua bicicleta e a do Milo foi para a carrinha de apoio descansar a ver se no dia seguinte… estaria em condições de prosseguir.
Até Ourense haveríamos de ter mais outra subidita ao sair de Allariz, quando o grupo se desfragmentou em três e cada um 017seguiu por onde lhe apeteceu. Um clássico dos ddr. Entretanto o João aproveitou a confusão para fugir e só apareceu passado duas horas da nossa chegada, quando estávamos a meio do jantar depois de ter percorrido as ruas da cidade à procura do hotel…Salcedas, deixando os Ourenses a interrogarem-se se conheciam tão bem a cidade como julgavam, pois não conheciam o Salcedas de lado nenhum e nunca tinham ouvido falar em tal nome e, só não dormiu na rua porque o Bruno enviou-lhe uma msg com o nome do hotel Rosendo.
O primeiro dia de Chaves a Ourense, 105kms, com 1600 m de acumulado, foi feito sem grandes pressas, por meio de um ambiente predominantemente rural, à vista de monumentos medievais e pelas localidades de Transmiras, Xinzo de Limia e Allariz, as mais mediáticas desta etapa, aproveitando ao máximo as descidas que o Caminho nos proporcionava.
O segundo dia, de Ourense a Silleda, foi mais curto, mas mais duro, com constantes subidas e descidas. A partir de Ourense o Caminho prossegue pela Rota da Prata. Depois de atravessar a cidade movimentada àquela hora da manhã, atravessamos a ponte sobre o rio Minho. A partir daqui há dois trajetos até Bouzas, informou-nos o Filipe, fomos pelo Caminho Real que embora tenha a mesma inclinação do outro, psicologicamente é melhor, com as curvas não se tem a noção da extensão da subida ao contrário do outro em linha reta. A parede começou em Cudeiro aos 136m e durante três kms foi até aos 848m, terminando no Monte do Seixo com uma vista magnifica sobre a cidade ao fundo. No fim encontramos mais um grupo de ciclistas, este de Braga que tinham saído de Viseu no dia 30 de abril, onde se integrava um conterrâneo de Apúlia.
A partir de Ourense a paisagem é mais agradável e diversificada. Começamos a ver peregrinos a pé, no primeiro dia não encontramos nenhum. Em San Cristovo de Cea, optamos por não ir ao famoso mosteiro de Oseira que rezam as crónicas oferece chocolate a quem bater à porta mas, parece que agora não é bem assim e nos últimos tempos os monges deixaram de alimentar as gulodices dos peregrinos.
Em Dózon, o Carias e o César, não falharam lá os encontramos mais uma vez para o almoço, foi sempre assim, à horinha lá estavam no local combinado com as marmitas das sandes, da massa e super-bock até esgotarmos o stok e passar para a estrella galicia ou mahou.
O tempo continuava bom, com sol, embora o vento do norte a soprar de frente não fosse nada agradavel. Continuavamos com o mesmo espírito de grupo em alta e o ritmo pachorrento do primeiro dia e depois desforrava-mo-nos nas descidas todo terreno adrenileiras. Numa dessas ocasiões a coisa não correu bem para o João quando descia de prego a fundo desde o alto de San Domingos até Prado, num troço com gravilha, enfiou a roda da bike numa…frincha, como contou depois, e foi ?????????????????????????pelos ares. Perante o aparato da queda só (?) deu para esfarrapar um joelho, com os peregrinos atónitos a presenciar o espetáculo e depois a rapidez com que se levantou. Grande João
Nesta etapa interagimos com vários grupos, dos quais um de Melres Gondomar que já o tínhamos encontrado em Verín, um grupo em tudo semelhante ao nosso mas…melhor nas canhas e outro bastante grande os “Kotas & Companhia” do Sul, com um staff de respeito composto por três carrinhas que, para além de todo o apoio logístico, observamos que confeccionavam as refeições e montavam banca amiúde com os reforços. Enviamos daqui um abraço a todos, principalmente a estes dois com quem nos encontramos varias vezes durante o dia e esperamos que tenha corrido pelo melhor até ao cabo Finisterra.
Chegamos a Silleda cedo, 16h30, com tempo para dormir a sesta, para as canhas acompanhadas com… alpista. Foram 70kms durinhos com 1700 de acumulado e, caso curioso, chegamos todos juntos, ninguém andou à procura do Salcedas.
060Até à hora do jantar demos bastante trabalho ao homem do bar a trocar barris de cerveja, principalmente o grupo de Melres, no meio de grande algazarra. É o que faz chegar cedo.
E foi no intervalo de troca de barris, que o Tino revelou em primeira mão um novo método de treino, para quem anda pouco. Não é barato e é um bocado longe, mas é eficaz para que quiser andar na frente e bater records. Se alguém dos que não estiveram presentes estiver interessado é só contactar o Tino.
O jantar decorreu bastante animado, nem podia ser de outra maneira, numa sala com o grupo de Melres e no fim a dona do restaurante fez questão de ficar na foto connosco, qual tia Márcia da tasca das fodinhas de Ponte de Lima.
No terceiro e ultimo dia, abandonamos Silleda cedo, 08h00, com um frio de rachar. As bikes do grupo de Gondomar por lá ficaram sozinhas na garagem à espera que as montassem. O canhamento do dia anterior foi de qualidade e quando assim é, é necessário mais tempo para o descanhamento. Grande grupo.
Até Santiago, foram, 45kms e o percurso decorreu sobre o lema “O caminho faz-se caminhando”, no nosso caso pedalando. Ao fim de 20 kms, tivemos a mais longa descida do Caminho e por pixe até Ponte de Ulla. Foi espectacular chegar aos 70km/h e, depois…lá estava a subida à nossa espera a única digna de registo nesta etapa e entramos definitivamente nos arredores de Santiago com muitos peregrinos à mistura e o grupo de Barcelos (noddys) e depois, através da Porta das Praterias (devia ter sido por aqui), à praça do Obradoiro em frente à Catedral de Compostela .Estava 086concluído o Caminho Português Interior de Santiago.
Descrever agora as vivências depois de percorrer um caminho de Santiago, não é fácil, a perspetiva de dezasseis elementos, que integraram o grupo deste ano provavelmente serão todas diferentes mas, no final, independentemente das dificuldades físicas que alguns sentiram mais que outros, todos estamos de acordo que foram três dias de convívio extraordinário com algumas incidências surreais à boa maneira dêdêrriana, senão vejamos: quem se lembraria de iniciar o caminho com uma bicicleta a precisar de intervenção mecãnica sabendo de antemão que não teria hipótese de chegar ao fim? Ou andar perdido sozinho duas horas à procura do hotel que nunca existiu?
No fim tudo foi interessante, toda a gente foi interessante, estas aventuras ensinam-nos a não ficar distraídos da vida.
Dedicamos esta aventura a todos os que nos enviaram msg de apoio e especialmente aos nossos emigrantes: Adélio Costa, César Nogueira, Carlos Figueiredo e Hélder Santos que mesmo longe continuam connosco

Terminamos a agradecer mais uma vez a disponibilidade do Carias e César que nos apoiaram durantes os três dias, assim como a disponibilidade do Francisco Gomes que nos transportou a Chaves e foi buscar-nos a Santiago. Em nome do grupo, obrigado aos três.

BOM CAMINHO!!!

Os dezoito do Caminho Português Interior de Santiago:

Filipe Torres
Francisco Ferreira
Emílio Santos
Paulo Santos
Emílio Hipólito
Celestino Palmeira
Luís Lopes
Narciso Ribeiro
Nelson Miranda
Bruno Monte
António Maia
Tiago Seara
António Solinho
Eurico Cunha
João Zão
Alexandre Caseiro
Zacarias Palmeira
César Carvalho
Francisco Gomes

Vídeo do Tozé – mais uma excelente realização da perspetiva da nossa aventura (falta o vídeo do Chico)

Algumas fotos de Narciso, Chico, Mota e Toze (ainda faltam mais e o vídeo que serão publicadas quando as enviarem)

3 comentários leave one →
  1. Francisco permalink
    Sábado, Maio 10, 2014 9:23

    Em primeira mão quero agradecer este excelente trabalho de escrita feito pelo Narciso que é digno de um grande escritor/poeta e com grandes tomates. Ao Tozé pelos excelentes filmes que nos tem deliciado e com grande mestria de produção e realização, depois vem os amigos da rosca, quero dizer volante a todos o nosso obrigado pela vossa pachorra com este grupo de rafeiros do melhor com um elevado pedigree.
    Todo grupo que fez este maravilhoso passeio Chaves-Santiago está de parabéns pelo seu companheirismo e em horas menos boas estava todo unido com grande entreajuda.
    O meu obrigado pelo excelente fim de semana passado na vossa companhia. Aos elementos do grupo que tiraram fotos, pois sem estes momentos gravados o nosso blog era mais um blog sem nexo e moribundo. Apelo para que participem, coloquem duvidas, comentários, porra escrevam, não doi nada.
    Um abraço a todos.

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  2. adelio permalink
    Domingo, Maio 11, 2014 10:00

    Ola DDR aproveito e quero agradecer ao nosso grande escritor (narciso) pela grande escrita e aos colegas pelas fotos da ida a Santiago e porque nao se esqueceu de agradecer aos imigrantes pelos mns k enviaram de apoio e k tambem nao puderam estar presentes. mt obrigado. ass: (espanhol)

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  3. Luis Mota permalink
    Domingo, Maio 11, 2014 23:43

    Cada vez me orgulho mais de pertencer a este grupo!
    Admito que sofri um bocadinho…tenho tido muito trabalho (felizmente) e nem sempre dá para treinar…mas seguindo o nosso lema ” temos que ser duros” consegui superar as dificuldades deste caminho e chegar ao fim…muito obrigado a todos pela excelente camaradagem…viva os DDR!!!!

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