Para além das bikes!

Um daqueles dias acinzentados, típico de Outono, um ddr, quem seria? Montado na sua bike sozinho na praia a sul do esporão, equipado, debruçado sobre o guiador contemplava o mar, não temos duvidas que estava à espera da hora para se juntar ao resto do seita e iniciar mais uma jornada aventurosa, a cavalgar a sua burra por montes e vales quiçá descer desenfreadamente o S.Gonçalo, ou até ao campo de tiro em Antas, ou os trilhos da Sra da Guia, talvez por Gemeses, Feitos, lagoa do Meril, tantos lugares. Como o nosso destino estava a 250kms e já eram 08h30, não nos quedamos para lançar um propério de circunstância a esse ddr contemplativo e, por muitos kms prosseguimos apoderados duma nostalgia profunda, porque era uma daquelas manhãs de domingo em que se pedala saudavelmente amalucado em grupo, com o ar da manhã a bater nas ventas, com alguma fisgada para arreliar o parceiro. Estes pequenos grandes prazeres que temperam o espírito do inconformismo de ficar em casa apáticos, indiferentes se terminamos cobertos de lama e molhados como pintainhos. Os ddr estavam prestes a repetir mais uma aventuras e nós ficavamos de fora com a amargura do saudosismo.
Ao passar em Chaves, as recordações saudosistas voltaram, ao ver o forte de Monforte lá no topo do monte, ao relembrar a nossa participação nos dois dias doidos, na Rota do Presunto e o quanto tinhamos de penar para chegar até lá, ao ponto mais alto do percurso.
244kms depois chegamos ao nosso destino, para cumprir uma promessa sempre adiada de ano para ano de visitar a festa da castanha em Vinhais uma pequena vila transmontana com 3000 habitantes.
Começamos por dar uma voltinha pelo pavilhão multiusos onde estava sedeada a X Rural Castanea mas, como a larica começa a apertar e fazendo jus ao ditado, em Roma sê romano, fomos empanturrar-nos com uma suculenta feijoada à transmontana, num restaurante povoado por pesos pesados de transmontanos de tempra, a debitar decibéis muito acima do que seria desejavel. E, se calhar por termos cara de enfezados o dono, Sr Doutel, um respeitável senhor corado, rijo com 80 anos, meteu-se à conversa connosco e só dali saímos depois de nos contar a sua vidinha toda desde pequenino. Na hora da despedida recomendou-nos que forte, forte é a feira do fumeiro em fevereiro e que não a deveríamos perder por nada. Fica o reparo.
Novamente a caminho do pavilhão, iam passando pelo da rua, carros com bicicletas em suportes traseiros e em cima do capot, com dorsais. Curiosos, abordamos um dos participante que nos informou que se tinha realizado uma prova de btt, o XII Raid btt Tour da Castanha, organizada pelo grupo de btt Vinhais Extreeme, era o 4º ano que participava e era uma das melhores provas das muitas em que participou durante o ano, simplesmente espectacular um bocado dura com mil e tal metros de acumulado, mas pelas paisagens brutais valia a pena, dizia-nos ele de bem com a vida. Hum… p`ro ano talvez…quem sabe se os ddr`s quererão perder dois dias!
Outra vez no pavilhão multiusos, onde toda a gente se concentrava, com muitas arrobas de castanhas espalhadas por diversos stands em sacos de serapilheira e tabuleiros, ou não fosse Vinhais o maior produtor nacional de castanhas que movimenta a soma considerável de 30 milhões de euros anualmente só à custa dos castanheiros, dispostos a ver em pormenor todos os stands com produtos locais mas, sobretudo relacionados com castanhas.
Fora do pavilhão a tenda dos espectáculos ia animando o povo com um competente locutor da radio local a convidar quem tivesse algum dom para a cantoria ou tocar instrumentos musicais ou as duas coisas, para subir ao palco e mostrar os seus dotes, relembrando a cada instante que às 16h00 seria apresentado pela 1ª vez, o concurso dos maiores comilões de castanhas num minuto. Uma senhora subiu ao palco e escolheu para cantar acompanhada por um acordeonista uma moda antiga, seguiu-se um tocador de realejo e depois um de acordeão e outro de trompete e a atuação do único grupo folclórico da freguesia de Grijó do concelho de Bragança com 700 habitantes, este grupo a necessitar um bocadinho mais de treino e de um palco maior, para os seus elementos não se esbarrarem entre todos, como aconteceu a certa altura das suas danças tradicionais mas que a bater com os pés no tablado pede meças até aos sargaceiros d`Apulia.
Ao ar livre o maior assador de castanhas do mundo inscrito no guiness em 2007, orgulho das gentes de Vinhais, tornando-se talvez, dizemos nós, no 2º ex-libris da vila depois do porco bísaro, fazendo questão de sublinhar isso mesmo em letras garrafais por cima do assador, ia de quando em quando fazendo as delicias de centenas de comedores de castanhas que, com cartuxos nas mãos esperavam impacientes pelas castanhas assadas que dois diligentes bombeiros controlavam remexendo-as sem parar, no meio de fumarada intensa, que a fogueira alimentada a carqueja expelia em várias direcções. Quando os bombeiros davam a tarefa destes magustões sucessivos por terminada, o povo tomava de assalto o assador e enchia os cartuxos até ficarem abarrotados, aos encontrões lá conseguimos a muito custo encher pela metade o nosso cartuxo mas a desilusão foi imediata as castanhas ultrapassaram o limiar de assadas e estavam noutro patamar todas queimadas.
Entretanto na outra tenda, o concurso do maior comilão de castanhas num minuto, estava no pico, já ia na segunda vaga de concorrentes, controlados por um distinto juri que incluia o sôr presidente da câmara. Ao fim do tal minuto segui-se a contagem das castanhas sobrantes e foi declarado o maior comilão e vencedor absoluto, um atleta vestido de branco, que meteu na boca 14, porque para comê-las foi preciso mais um quarto de hora, ora se lá estivessem os ddr`s, não teriamos duvidas que seriam sérios candidatos a arrecadar os primeiros lugares, o Chico de certeza que ganhava destacado o primeiro prémio.
A noite aproximava-se, e para matar a releira que sentiamos, umas bifanas de javali em pão regadas a cerveja resolveram a questão antes de visitarmos o ultimo pavilhão, o do castanheiro e ficarmos a conhecer as diversas variedades de castanhas e a origem do local, assim como as melhores e mais saborosas para comer, as de calibre médio Longal e Martainha para assar e as grandes como a Judia para cozer. Depois desta importante visita, saimos do pavilhão com a noite cerrada, prontos para fazer as inevitáveis compras de castanhas e nozes e começar a pensar no regresso.
Não diriamos que foi um dia perfeito, porque não os há, mas foi um bom dia, diferente, descontraído, no meio de gente genuína de transmontanos rijos, moldados pelas intempéries das agrestes serranias, afáveis, mas ai de quem lhes faça o ninho atrás da orelha.

SS & festibike

1.E, se há duas semanas o Chefe foi o único que teve tomates para treinar orgulhosamente só debaixo de chuva, hoje foi a vez dos Elites SS (Seara e Solinho), levantarem os rabinhos da cama e sem se assustarem com a chuva, pudera, depois do banho de água e lama na maratona da Povoa, a chuva de hoje foi uma morrinha para refrescar e, sem receio montaram as alimárias e levaram-nas a pastar até um local, no dizer deles, muito interessante pelas margens do rio Neiva, no fim deixaram o recado para o resto da rafeirada, que é uma voltinha a ser repetida numa próxima oportunidade. É assim mesmo SS`s, hoje mostrastes porque fostes os melhores ddr`s no domingo passado e arranhastes os três do cimo do pódio que ficaram à vossa frente. Grandes durosderoer.

2.Mas não foi só o Seara e Solinho, os únicos que mostraram serviço este fim-de-semana, os ddr`s estiveram presentes no festival bike em Santarem, a maior feira de exposição de bicicletas e acessórios de Portugal, com as ultimas novidades e onde todos os importadores querem estar presentes.

3.Logo à entrada o stand da Bikeservice, chefiado pelo antigo vencedor da volta a Portugal Manuel Zeferino, uma tela gigante chamava a atenção dos visitantes com imagens dos granfondos do Douro e Gerês e com toda a mostra de artigos relacionados com a atividade da Bikeservice, sobressaindo os kits dos granfondos. Foi um prazer trocar dois dedos de conversa com o amigo Zeferino e, entre conversa relacionada com a feitura de maquetes de provas, ficamos a saber que brevemente vamos ter outro grande acontecimento velocipédico de nível internacional, o rascunho já está alinhavado. Não temos duvidas que vai ser mais um êxito com o selo de qualidade da Bikeservice.

4. Fizemos parte dos 90% de curiosos que visitaram o festival, que gostam de ciclismo, que tem afinidades com o desporto em bicicletas ou, simplesmente pela envolvência no bulício da festa.

5. No fim, ficamos com impressão que as novas bikes de estrada apresentadas para os profissionais foram desenhadas para proporcionar um coeficiente aerodinâmico cada vez mais baixo. Neste sentido, entre outras marcas, as bikes de plasma das Scott, S-Works, Trek e KTM, chamavam a atenção e deixava qualquer um a sonhar, o pior eram os preços a rondar os 12.000€. Bom, estamos a falar só das de top, porque na gama média pouco mudou.

6.Como é de tradição todas as marcas esperaram por este festival para apresentaram as suas novidades e no que respeita às bikes de montanha, a tendência de onze mudanças e um só prato do pedaleiro, começa a generalizar-se até em gamas mais baixas e a tendência é para o conforto com suspensões totais e cada vez mais sofisticadas. Os olhos foram inteirinhos para a S-Works Epic FSR29, com o notável peso de 8kg e tal, mas com o preço muito pesado de 11.600€.

7. Quase todas as marcas tinham a sua bike eletrica para comercializar, mas foi a marca Cube a que mais apostou nestas ebikes, com muita gente interessada a saber pormenores e até já se falou em realizar provas só com burras deste calibre.

8.As marcas como a KTM estão também a apostar em força nas fat bikes e ao ver tantos stands com estas bikes de pneus largos, parece que vieram para ficar e é o setor, segundo as estatísticas, que apresenta maior crescimento, como diziam no stand da KTM, isso deve-se ao fato de ser a forma mais simples de locomoção individual em ambientes hostis, indo até só antes se chegava com veículos especiais, como jipes, motos e moto da neve por ex.

9. As bicicletas de roda 26”, passaram definitivamente à história e as 27,5” seguem-lhes o mesmo rasto.

10. Outro setor que tambem nos chamou a atenção, foi o dos suplementos energéticos e ao ver tantos stands ocupados e recheados com milhentas soluções para todos os momento de esforço, dando a entender que ninguém funciona sem estes turbos, para competição ou passeios em família, há para tudo.

11.No vestuário, as empresas do norte dominavam com varias sugestões de ofertas para personalizar equipamentos

No fim gostamos do que vimos, menos dos preços que continuam altos, quem quiser ter um bike razoavel ainda tem de despender umas boas centenas de euros.

Gostamos da festa, do espetaculo que os putos estrangeiros do dirt jumping deram com loopings de 360º e outras cabrioladas. Valeu a pena fazer os 629kms.

 

Os ddr na maratona da P.Varzim

1.Com muita chuva, realizou-se hoje a 9ª maratona da Povoa de Varzim em btt. Os ddr`s participaram com um contingente razoável que se portou à altura dos seus pergaminhos com excelentes resultados nos vários escalões onde os 4ºs lugares foram os que mais prevaleceram: António Solinho e Tiago Seara 4º e 5º em Elites; César Nogueira 38º master A; Paulo Fernandes e Emilio Santos 4º e 30º masters B; Alberto Filipe e Celestino Palmeira (Marco Gonçalves) 4º e 6º master C e, o nosso amigo Eurico Cunha X-par master A, juntou-se à maioria e também ficou em 4º

2.O premio da determinação, se o houvesse, teria de ser entregue ao César Nogueira, que teve de fazer umas quantas horas de avião para estar presente nesta maratona com a qualidade e eficiência a que a bikeservice já nos habituou. Grande César

3.E, se no ano passado o filme da chegada do vencedor deste ano foi este:
«…Pusemo-nos a postos com a máquina fotográfica para registar o momento do triunfo mas, qual o espanto quando chegou outro em primeiro que não o Celestino, este, acabaria por terminar em terceiro na geral, desolado por a dois kms do fim um fio de nylon se ter enrolado no desviador traseiro que lhe fez perder tempo e a vitória mais que certa e merecida na meia maratona…»
Desta vez foi diferente e o Celestino vingou-se do azar de 2014 e do segundinho que o Ruben Nunes lhe roubou nos 5 Cumes e venceu com toda a autoridade e categoria que o define, invertendo-se assim os classificações com o grande Ruben em 2º. Parabens a todos os ddr que mais uma vez dignificaram a camisola e encheram de orgulho os “durosderoer” e em particular ao vencedor Celestino Faria e aos nossos amigos, Eurico Cunha, Luís Neves, Paulo Carreira e ao João Pedro Faria, X-par, com um excelente 6º lugar master B na maratona 72kms. Parabens campeões e Parabens à organização bikeservice

Aqui ficam algumas fotos por ordem de chegada dos ddr (algumas curiosas) dos bastidores depois da meta:

O Chefe

Chefe, um individuo que, entre outros, é o principal, o cabecilha ou que dirige um serviço.
Para dar o exemplo, há hora o chefe estava lá, no local do costume, com o intuito de dirigir um serviço, encabeçar um grupo que supostamente iria reconhecer os mesmos caminhos do ultimo domingo. Sugeriu até esse grupo, começar mais cedo meia hora. E tudo apontava que iria ser mais uma jornada gloriosa igual a tantas outros mas, as intenções ficaram-se pelo sábado à noite e hoje o chefe treinou sozinho, sem medo da chuva e da bufaria do vento, sem temores de não ter recuperado do desgaste da véspera a que ele e todos os faltosos foram sujeitos pelo agora respeitável chefe de família Tozé, este indomável ddr, a quem aproveitamos aqui, para lhe desejar toda a felicidade do mundo mas, que obrigou os ddr`s, aliás muito bem acompanhados com as suas consortes a treino intenso e de qualidade, que só terminou altas horas da madrugada.
E se foi este o motivo e não as ameaças de chuva que hoje deixaram os ddr out off, então estão todos desculpados e foi bem visto deixar o chefe a bolinar sozinho. Afinal estamos a falar do chefe dos duros de roer que mesmo sem ninguém a morder-lhe os calcanhares, tem de dar o exemplo. Grande Filipe.