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Fátima 2016

Sexta-feira, Maio 20, 2016

Em dezembro pp, ficou agendado que a ida a Fátima seria no fim-de-semana de 14 e 15 de maio 2016, e assim foi. Como decorreu a viagem e quais as peripécias, que mais ou menos sempre as há, ou este grupo não se chamasse durosderoer, vamos tentar descreve-la para os nossos amigos e aos ddr que não puderam estar presentes especialmente aos ddr emigrantes.

Com a parafernália do costume, os 17 elementos (16 mais 1 na logística), que constituíram o grupo deste ano, apresentaram-se na Azória, com os sacos e as inevitáveis malas térmicas com sandoxas e outros produtos afins e hidratantes desde água a cerveja e vinho, muito úteis nestas andanças, principalmente para o 1º dia com a distância rondar os 200kms.

Com dois rookies no grupo, o Agostinho e Miguel e a aposta ganha por um ddr que tinha apostado que iriamos esperar mais de trinta minutos por um retardatário, com um atraso de 40minutos, às 06h40, fizemo-nos ao pixe, com o tempo incerto carregado de nuvens a cair umas pinguitas, mas a prever que a todo o instante as pingas iriam engrossar, o que realmente aconteceu em Modivas e manteve-se até ao Porto.

Já lá vai o tempo, em que estas tiradas eram feitas com bikes do monte, com pneus de 0,50, os duros mais renitentes faziam questão de honra em levarem as burras equipadas tal e qual como andavam no monte. Claro que havia custos para estas ousadias, além de médias baixas, o físico recentia-se. O esforço suplementar em comparação com as bikes on road de agora, é notório, muito mais soft.

Bem preparados, com a moral em alta, o grupo pedalava certinho num ritmo médio de 32/35kms, depressa atravessamos o Porto para a outra banda e entramos na ciclovia, junto às praias de  Afurada, depois Carnide, Madalena, Valadares, Miramar, íamos comprazendo com a vista agradável da costa, de quando em quando cruzávamos com aficionados de jogging que de phones nos ouvidos tratavam da manutenção do caparro. Continuavamos nestes devaneios descontraidos, quamdo soa o alarme de que faltava o Miguel, o que teria acontecido? Interrogavamo-nos. Imediatamente constituiu-se um grupo de busca, como convém nestas circunstãncias, composto por quatro possantes ddr: Emilio Santos, Arsénio Almeida, Francisco Ferreira e André Tarrio, voltaram para trás para farejar o estranho desaparecimento. Seria por causa da unha encravada de que o Miguel se vinha queixando? Palpitava alguém dos doze que ficaram à espera. Como a demora da operação rescue começava a prolongar-se, aproveitamos para lanchar no Silva, um café à beira da estrada, a ideia foi boa, porque além do lanche, tivemos diversão com o Nelson a partir a loiça enquanto no exterior o Tino fazia strip em redor do semáforo e assim tornaram a espera menos chata e animaram a cambada.

Finalmente chegou a noticia: o nosso rookie foi encontrado próximo da ponte de D.Luis. Afinal o que se passou? O Miguel esqueceu-se que os cascos da zirinha não estão habituadas ao piso de “pavé”, erneva-se com facilidade e escouceia e vai daí a alimaria deu um coice mais arrebatado e mandou-o ao chão sem qualquer contemplação, deixando-o momentaneamente desnorteado à espera de ajuda para se orientar, mas como a ajuda demorava, começou a ponderar seriamente dar por terminada a aventura a Fátima e regressar a casa e, com razão, pois “com amigos destes…”. O que é espantoso, é a seita só ao fim de 13kms dar pelo sua falta…bom, conhecendo esta cambada se calhar não assim tão espantoso. Quando voltamos a prosseguir tinham passado 55 minutos.

Como habitualmente paramos em Espinho, o tempo suficiente para o reforço, e ala que até Mira, o nosso próximo destino, ainda tínhamos muitos kms para fazer.

Com furos constantes e pneu traçado, a partir de Estarreja, o grupo dispersou-se em vários grupos até Mira. Já passava das 14h00 quando finalmente aterramos na bela propriedade do Snr Carlos Miranda amigo do chefe, com um lago e uns quantos núcleos de alvenaria com moinhos de rodizio a funcionar regularmente sob a supervisão do moleiro Snr Manuel “Reco”, situada a 4kms da lagoa de Mira, em Casal de S.Tomé – Calvelas.

Incrivel como ano após ano, o Snr Carlos Miranda, tem pachorra para nos aturar. Como de costume fomos bem recebidos com um almoço à maneira, saboreado sem pressas, tendo por musica de fundo o som do irreverente e estridente jardel Agostinho que ocupou o tempo todo à procura das rodas que lhe foram fanadas da sua bicicleta. O nosso amigo Miguel obsequiou-nos com um bolo trazido propositadamente de casa, com a recomendação de que para a próxima desse-mos pela falta dele mais cedo. Prometemos aqui solenemente que para a próxima vamos estar de olho nele o tempo todo, isto é: se trouxer bolo e cerveja.

Findo o almoço/lanche, por ali andamos a “avacalhar”, a maltratar as zirinhas, enforcando-as nas arvores, a zira do jardel , já tinha sido depenada das rodas durante o almoço. Inõ, o barco, com grandes histórias marítimas de outros tempos ao comando dos ddr, que antes tinha sido testado pelo Seara e Solinho num passeio pelo lago, serviu tambem para embarcar uma zirinha que, desbocada sem a roda da frente, deixou-se ir ao sabor da corrente enleada com o Inõ e, juntos à deriva passearam romanticamente pelo lago, só regressando a terra à custa de algumas fisgadas da cana de pesca empunhado pelo seu dono o Arsénio.

Por volta das 17h00, terminamos a recreio e despedimo-nos do Snr Carlos e familiar, agradecendo mais uma vez a gentileza por ter recebido este bando de pardais esfomeados e sequiosos e começamos a montar as zirinhas que sofreram comó raio e ainda foram canibalizadas, para nos fazermos de novo à estrada e concluir os derradeiros kms até à Figueira. À saída houve alguns problemas com o GPS (já é costume), para percorrer os 2kms até embicar na E-109, com o Futre a fazer finca pé que as coordenadas dele é que estavam certas e, de facto tinha razão, mas só o Emilio Santos por força das circunstâncias é que o acompanhou, o resto da cambada escolheu outro caminho mais longo.

A frase poética do jardel Agostinho: Vivo incansavelmente de forma “infantil” e conformo-me com a felicidade que vou tendo, assenta perfeitamente no recreio dêdêrriano de Mira.

Com todas as incidências e a praga dos furos, chegamos à Figueira da Foz a tempo e horas decentes 18h30. Se continuássemos na mesma toada, sem percalços e a escala técnica de Mira, tínhamos tempo suficiente para à mesma hora estarmos em Fátima mas, se tal estivesse programado, não seria a mesma coisa, o desfrute da viagem teria sido muito menos interessante.

O Éolo, esse Deus malandro das bufarias, que tantas vezes nos quilhou a soprar-nos nas ventas, desta vez teve pena de nós, ou distraiu-se e não nos chateou muito. Obrigadinho pá, aparece para beber um copo…

O terminus da etapa do dia, fica situado bem no centro da cidade no hotel Aliança cujo dono (?), Snr Jorge, nosso velho conhecido de todas as edições nos esperava e a 1ª prioridade dele foi cuidar das montadas e só mais tarde tratar dos cavaleiros dando-lhe comida e guarida.

Com pouca diferença, o nosso amigo Eurico Cunha que há 15 dias comeu os 162 kms do Douro Granfondo, arribava também à Figueira que, com a sua namorada fizeram a sós o mesmo percurso.

2. 2º dia, depois de uma noite recuperadora (?), sem atrasos (coisa rara), mais ou menos em forma, aparentemente ninguém parecia acusar os 192kms do dia anterior, todos se precaveram para os restantes 70kms, foi só tirar a foto da praxe com o dono do hotel e aí fomos nós, alguns ddr com dificuldades para abrir os olhos na totalidade, tal como no dia anterior, começamos a pedalar a bom ritmo que, a continuar, com a média a fixar-se nos 35km, dali a duas horas estariamos em Fátima, só que, a saga dos furos do dia anterior continuou e não mais nos largou até próximo da chegada, dando aso a que o grupo se partisse em três, obrigando o grupo dos furos a dar aos bofes e a espumar, com médias da ordem dos 35/40km, para apanhar os fugitivos. Toda a gente só voltou a reunir-se a 4kms do fim.

Ao contrário do dia anterior, viam-se peregrinos, poucos, alguns próximo do Santuário cansados, demonstravam dificuldades em caminhar. Estima-se que anualmente acorram a Fátima, mais de cinco milhões de visitantes, de Portugal e dos quatro cantos do mundo. Atualmente é o segundo destino turístico religioso mais procurado. A um ano de completar 100 anos e com a visita do Papa Bergoglio, para as comemorações do 13 de Maio. espera-se que 2017, bata todos os records de peregrinos.

As 15 vezes que nós ddr peregrinamos até Fátima e as 9 a Santiago, deu-nos perspetivas  sobre a tipificação dos peregrinos a um e outro local e as diferenças são nítidas, sobretudo para quem caminha a pé.

O típico peregrino a Fátima sai de casa com tudo programado, comida, dormida, transportes de regresso etc. Regra geral é espalhafatoso, não gosta de caminhar só, prefere fazê-lo em grandes grupos, acompanhado por carrinhas de apoio, não raro transformadas em despensas e cozinhas. No Santuário, com fé, assiste às cerimónias religiosas mas antes, assegura um lugar para no fim se banquetear com um lauto farnel preparado minuciosamente em casa e regressa em paz, confortado espiritualmente com a graça obtida em Fátima.

O peregrino tipo a Santiago, sai de casa com uma mochila às costas, raramente caminha  em grupos com mais de dez pessoas, o mais comum é ver peregrinos aos pares ou sós, faz jus ao ditado: o caminho faz caminhando, dorme em albergues, come onde calha, absorve toda a informação que o caminho oferece. Chegado a Compostela, visita a catedral e o tumulo do apostolo e assiste à missa dos peregrinos, sereno continua por ali em contemplação frente à catedral.

À sua maneira, ambos os comportamentos estão certos, o essencial é o objectivo que nos leva a esses locais de culto e isso como é óbvio está na fé de cada um.

Com todas as perturbações arreliadoras, desde que saímos da Figueira, ao meio-dia estávamos em Fátima. À nossa espera estavam duas distintas senhoras Isabel Martins e Rosa Cunha, os nossos anjos que conduziram o autocarro que nos haveria de trazer de regresso.

No Santuário, decorriam cerimónias religiosas com metade do recinto repleto de visitantes. Embrehamo-nos no meio da multidão e por lá ficamos algum tempo envolvidos na mística do local.

De volta ao autocarro, encontramos o Eurico Cunha e a namorados acabados de chegar, com esta feliz por ter concluído pela primeira vez este percurso em bicicleta. Quando a gente quer e…temos um campeão ao lado não custa nada.

O regresso, fez-se em meditação sonolenta, às cabeçadas ao vidro, ao banco da frente e ao parceiro do lado até à escala enfardante na Mealhada e depois com os ouvidos atentos aos relatos de futebol. Terminou o Fátima 2016, resta-nos agradecer ao Carias que nos acompanhou diariamente e a Isabel Martins e Rosa Cunha pela disponibilidade em perder o dia para nos virem buscar. Em nome dos ddr, OBRIGADO.

Daqui a três semanas temos as Astúrias para iniciar o Caminho Primitivo, até lá tratem do coiro.

O grupo de 2016:

Filipe Torres; Francisco Ferreira; Manuel Torre; Emílio Santos; Celestino Palmeira; Paulo Santos; Emílio Hipólito; Filipe Correia; Narciso Ribeiro; Nelson Miranda; António Maia; Tiago Costa; António Solinho; André Tarrio; Agostinho Filipe e Miguel

Na logística:

Zacarias Palmeira; Isabel Martins e Rosa Cunha

algumas fotos:

One Comment leave one →
  1. Emílio Dias Hipolito permalink
    Segunda-feira, Maio 23, 2016 9:07

    Faz um ano que dedicamos a viagem a Fátima a um grande amigo, para que ele recupera-se do seu problema de saúde. Este ano ele não só fez o percurso completo até Fátima como o fez confortavelmente entre os durosderoer. Uma lição para todos, baixar os braços nunca!

    Gostar

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