Os escolhos dos ddr até Fatima

1.O Max mordeu o chefe, o ingrato em vez de corresponder às festas com uma lambidela, arreganhou os dentes e não foi de modas, escolheu os dedos da mão para cravar a dentuça, teve bom gosto e ainda bem que foi ao chefe, só se safou de levar uma valente biqueirada porque tinha o lombo protegido pelo ti Manel “Reco”.

Como a CMTV, passado uma semana ainda não se debruçou sobre este caso do Max, nós vamos antecipar-nos e contar aqui todos os pormenores aos nossos amigos e a quem não participou nesta peculiar aventura por motivos de força maior, como tudo aconteceu e também, já agora, para servir de aviso aos mais incautos para se defenderem das garras do malvado Max, se pensarem ir para as bandas de Mira, então foi assim:

Vamos começar pelo principio, no sábado dia 11, um grupo de 16 duros de roer saiu de Apulia por volta das 06h30, felizes de vida e bem-dispostos com rumo à Figueira da Foz. Com um dia tão lindo, nada fazia prever que alguém fosse roído, muito menos o chefe.

Ao som da musica espanta-ddr do Smart do Tino,  e sem bufarias do vento, rolavamos bem, Vila do Conde, Porto – nada de cair nos trilhos do elétrico e ficar perdido, isso foi noutros tempos -, VNGaia – só para tirar fotos – Afurada, é sempre muito agradável esta parte do percurso desde a foz do Douro até Espinho, tão agradável que o Campos extasiado com a paisagem, foi de encontro a um ciclista para lhe dar um abraço mas, este alem de ter rejeitado o abraço, ficou zangado e a barafustar e, em protesto  deixou grafitado na ciclovia a cor preta do pneu. Ingrato.

Ao km 70, cumpriu-se a tradição e aterramos nas bancas do peixe do campo da feira de Espinho, para atascar o bandulho com as sandoxas da marmita. Um facto curioso chamou a atenção do grupo quando no auge da mastigação, um ddr durão, chegado nas vésperas do estrangeiro, sedento, tentava abrir uma cerveja com…uma escova dos dentes. O jet-lag tem destas coisas.

Seguiu-se Ovar, Estarreja, a caminho de Aveiro um ddr armou-se em parvo e distanciou-se uns metros na frente do pelotão e o chefe lá teve de pôr ordem no aforo e foi lá à frente com o intuito de traze-lo para trás puxado por uma orelha. Mais tarde o carapau de corrida, desculpou-se que queria ganhar algum tempo para tirar fotos aos ninhos das gaivotas em cima dos porticos da estrada. Ficou tão nervoso com a reprimenda que confundiu as cegonhas com gaivotas.

Cento e cinquenta kms depois, chegamos a uma das parte mais complicada do percurso, Mira, a terra do Max, o feroz roedor de duros.

 

2.Entramos na quinta do Snr, Carlos Miranda, como se fossemos donos daquilo tudo, é preciso ter lata mas, este grupo tem lata de sobra, de imediato abancamos para atacar o leitãozinho(zão), ora foi nesta altura que se se deu o acontecimento do dia. O Max peludo, que andava por ali de nariz no ar com o seu guarda costas ti Reco a farejar o ambiente barulhento-garrafento-leitaozeiro-chouricento-amendoeiro, dava mostras de enfado por termos invadido o seu território, com cara de poucos amigos fazia-se de caro, de estrela de circo e foi só a pedido do ti Reco que a muito custo se sentou à mesa com um amigo da sua igualha mas menos peludo e, desconfiado começou a mancar os manfios quase todos de amarelo, trituradores de porquinhos e despejadores de garrafas, apesar de tudo, nada fazia prever o ataque de fúria arreganhada de que foi acometido.

Foi então que aconteceu, o chefe numa de charme, fez-lhe festas na cabeça e, o feroz do Max abocanhou-lhe os dedos da mão “Hã seu grande patife que levas já uma biqueirada e vais parar ao meio da lago” (as palavras não foram bem estas foram bem mais contundentes), balbuciou o chefe irritado, com o ti Reco ao lado do Max a sorrir da façanha do seu protegido.

O Milo, que não se apercebeu do sucedido, dali a um bocado, tambem com boa fé, tentou fazer o mesmo e o estupor do Max voltou a repetir a gracinha, deixando o Milo a remoer a desfeita mas, como o Milo não é o chefe, o mordanço não teve tanto impacto mediático e o raio do Max todo inchado, por ter amedrontado dois ddr de peso, continuou de focinho em riste a desafiar quem quisesse fazer-lhe mais festas, sempre com o ti Reco por guarda- costas, neste caso guarda-traseiros.

 

3.Este incidente com o bad Max e depois com o ti Reco, que interrompeu abruptamente a visita guiada aos moinhos d`a areia, do qual é o fiel guardião e o seu santuário de estimação, sem sabermos exatamente porquê – mas desconfiamos – ia gerando um incidente diplomático de proporções imprevisiveis se a atenção não fosse desviada para as burras de estrada que, para fugirem ao tradicional enforcanço nas arvores, meteram-se no Inô, o barco do lago, com os GPS e deixaram-se ir à deriva até ao meio do lago para ficarem longe dos carrascos enquanto estes continuavam entretidos em volta da mesa, o pior é que se esqueceram que não sabiam remar e como utilizar o GPS para regressar a chão firme, foi então que quatro abnegados ddr encabeçados pelo chefe, Martinho, Cunha e Nelson, formaram uma equipa de resgate e foram em seu auxilio para as resgatar. Uma operação difícil e demorada com contornos rocambolescos que, por pouco não foram fazer companhia aos óculos do Martinho do ano passado, foi por um triz.

Passado duas horas terminou a avacalhação e abandonamos a quinta e, se o incidente com o Max estava sanado, o do ti Reco nem por isso, o Futre era o mais inconformado com a visita aos moinhos interrompida e, para afogar as magoas fomos os 16, tomar café ao Cebola um pequeno bar/tasca, próximo da quinta.

Aquilo é que foi; tomamos de assalto a tasca, com toda a gente a gritar ao mesmo tempo por café e outras coisas, a cantar, aos saltos, felizes da vida por termos ultrapassado o obstáculo Mira com distinção, pese embora como já dissemos, a pedra Reco que continuava no sapato do Futre.

O Snr Cebola viu-se em palpos de aranha para servir tanta gente. Bebemos café até cair p`ro lado. Um ddr estava tão feliz que num gesto magnanimo, na despedida, deixou quarenta cêntimos para pagar a despesa (três cervejas), aos três clientes ainda não refeitos da tumultuosa invasão.

E foi assim que deixamos em paz o café do Cebola e fomos à vida, pedalar para a E109, continuando felizes, a gritar e a cantar e, apostados em terminar a operação Figueira da Foz ainda de dia mas não foi fácil.

 

4.Desta vez para variar, a chegada à Figueira fez- se por Quiaios e depois pela subida estuporada da serra da Boa Viagem – que não tem nada a ver com a subida pela E109 -,  fizemos mais 5kms do que previsto mas valeu a pena, a paisagem costeira com o cabo Mondego ao fundo é deslumbrante, descemos para Buarcos com o vento a soprar forte, e terminamos os 200 kms da etapa, pela marginal da Figueira até ao nosso velhinho hotel Aliança onde o dono distribuiu os ddr pelos quartos desde o 104 até ao….304 !!!

O dia não estava terminado, depois do banho e antes de fazer ó,ó, fomos à procura de comida.  Dos varios restaurantes a levar com o nega, finalmente o núcleo sportinguista da Figueira da Foz, foi o único restaurante das imediações do hotel, que aceitou dar-nos repasto. Para mal dos seus pecados ainda hoje devem estar arrependidos por se terem condoído com os 17 esfomedos que lhe bateram à porta que, depois do enfardanço tiveram de ser persuadidos a desistirem da ideia de fazerem sala até de manhã.

 

5.Manhã do segunda dia, 12 maio, caso raro, toda a gente estava a postos para o treino de domingo.

O dono do hotel, com sorriso à Gioconda, depois do pequeno-almoço, prenunciava alguma tempestade, mas o quê? O tempo estava tão lindo!

Antes de abandonarmos as instalações das burras, explicou que houve um desaguisado no quarto 304, qualquer coisa com as luzes de um candeeiro e da TV.

A explicação como é bom de ver, deu brado entre o trio que dormiu no 304 e o dono, pois não chegaram a entenderem-se. Nós é que não fomos em cantigas, percebemos logo que  queria publicidade ao hotel à nossa conta e, a provar a nossa teoria quando nos despedimos já tinha recolhido algumas assinaturas de hospedes felizes, afinal não é todos os dias que partilham um hotel com os famosos ddr, e, certamente não terão outra oportunidade de nos verem por lá, a unica oportunidade doravante é dormir no EC304, tornado a partir de agora o quarto mais icónico, com mais historia do hotel.

 

6.Os setenta e tal kms ate Fátima, fizeram-se num ápice, em toada calma e sossegada, o que para alguns ddr tornou-se perigoso porque iam adormecendo em cima das burras. Proximo do santuário deparamos com muitos peregrinos em pequenos grupos mas também com ranchos enormes, o habitual nas vésperas dos dias 13.

Quando chegamos ao recinto do santuário já se encontrava muita gente e continuavam a afluir grupos imensos de peregrinos depois de dias massacrantes e dolorosos a caminhar, chegavam felizes e diziam para os media, que por andavam por ali a fazer diretos e a quem os queria ouvir, que não havia palavras para descrever a felicidade que sentiam depois de tanto sofrimento.

Confesso que ao ouvi-los emocionados a descrever o que lhes ia na alma, fiquei com inveja, pois gostaria de ter a mesma fé que eles.

Quanto a nós por lá andamos algum tempo no meio da pequena multidão, isolados, cada qual na introspeção que entendia, favorecida pelo ambiente espiritual do santuario.

Foi uma bela aventura, com todos os ingredientes à moda dêdêrriana e até perdoamos ao Max e ao tio Reco.

Dedicamos esta aventura aos nossos ddr emigrantes e aos ddr que não puderam estar presentes, especialmente os: Paulo, Tozé e Emílio

Os 16 duros de roer de 2019 do XVIII Apulia – Fátima

Filipe Torres, Francisco Ferreira, Manuel Torre, Celestino Palmeira, Emílio Hipólito, Filipe Correia, Narciso Ribeiro, Tiago Costa, Anthony Martinho, Eurico Cunha, Miguel Dias, António Soares, Nelson Dias, Manuel Campos e Filipe.

Na logística, nos 2 dias:  Zacarias Palmeira

Condutor do autocarro de regresso: Narciso Lopes e Lino

 

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