Os ddr pela Grande Rota 22

1.Já passaram 13 dias desde que terminou mais uma aventura dos ddr, desta feita  pelas regiões da Beira-Alta e Beira -Baixa, onde se situam as maiores altitudes de Portugal Continental. Desde então, uns quantos ddr têem andado por aí à solta, por estrada por monte os ddr tem-se desunhado a manter a forma como ainda hoje no banho de água e lama, pelos singles tracks de Rates, que saudades de um treino assim, ou 150km de estrada até ao Gerês, bom…aqui só para o Cunha e o Miguel, das centenas de kms feitos pelo Bruno ou da primeira vez do Nelson até à Vacaria, os ddr continuam a cuidar da coiro, à espera da próxima aventura.

E é para falar da ultima aventura, principalmente para quem não participou por motivos óbvios, fizemos uma resenha do que aconteceu nos dias 8/9/10 de junho.

Na madrugada do dia 8 junho, 16 elementos – 15 ddr e um na logística -, arrancaram de Apulia, dispostos a concretizar uma aventura de três dias, planificada em dezembro, pela região centro, tendo como objetivo claro e ambicioso: fazer 4 etapas da grande rota 22 (GR22), das Aldeias Históricas de Portugal em 2 dias e meio, com começo em Linhares da Beira, uma aldeia pertencente ao parque natural da serra da Estrela, com 300 habitantes, do distrito da Guarda, conhecida também por ser a capital do parapente.

Dos 565km da GR22, compostos pelas 12 aldeias históricas, escolhemos o percurso das aldeias mais emblemáticas (ou mais badaladas): Linhares da Beira, Piodão, Castelo Novo, Idanha-A Velha e Monsanto mas, em contrapartida o que exigia esforço físico mais elevado.

Chegamos cedo e a primeira coisa que fizemos quando saímos das carrinhas de apoio, foi tomar de assalto uma cerejeira carregada de fruto – estes assaltos a cerejeiras foram uma constante ao longo dos dois dias, ao terceiro fartos de barrigadas de cerejas nem olhavamos para elas.

O lote de ddr era diversificado: com o comando geográfico e assertivo do Bruno, a irreverencia do possante Miguel, a eficiencia do speed Cunha, do discreto Paulo, da voz de comando do Milo Santos, da assertividade das piadas corrosivas do Seara, do Tozé o homem das fotos artísticas, do pragmatismo do Futre, do destemido Berto, do expectante Soares, da abstração do Milo, do incontronavel Martinho…à Martinho, do vamos lá do Tino e dos atentos pastores Chico e Narciso a tomar conta do rebanho, com o imponente castelo da aldeia a servir de testemunha, ao ronco “bóóóra…” do Milo Santos e em modo de subida, demos inicio ao que viria a ser uma extraordinária aventura da melhor forma, ou seja, a trepar a serra da Estrela.

Às curvas e contracurvas pelo estradão, depressa atingimos – palavra usada muitas vezes pelo Seara -, a estrada do planalto de Videmonte/Malhão. Aqui, mal tivemos tempo para respirar, porque logo a seguir o trilho 12 da Santinha, do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE), com uma inclinação fodida, esperava por nós. Foi a parte mais difícil em termos de inclinação neste 1º dia até ao Pico da Santinha, o ponto mais alto de toda a GR22, com 1600m, o 2º maior do continente.

A partir daqui foi pedalar a toda a força pela cumeada, passando pelo posto de vigia da Santinha e pela casa abandonada dos serviços florestais até pararmos para o merecido reforço num bar improvisado no largo da estrada de alcatrão perto do Vale de Rossim, da nascente do Mondego e a uns escassos 10kms da Torre.                                                    Estavamos no centro onde se encontram as maiores altitudes de Portugal continental – Torre na serra da Estrela com 1993m e Portugal Insular, a montanha vulcânica da ilha do Pico com 2351m.                                                                                                                        Quem nos visse, sentados descontraidamente a tragar fatias de presunto e sandes xxl do mesmo produto, com queijo da serra que davam para duas refeições, acompanhadas pelos ataques contagiantes do riso istrionico do Martinho e das corrosivas piadas do Seara e companhia, ninguem diria que já tínhamos esgatanhado uns quilometresitos pela serra mais alta do Continente.                            Estavamos tão descontraídos, que quando a voz de trovão do Milo Santos ecoou “…bóóóra”, é que tivemos consciência que o recreio terminou e que o melhor era continuar.                                                                                                                                  E, continuamos pelo duro mas excitante percurso delineado ao pormenor pelo Bruno, agora pelo Vale de Rossim  em pleno coração da Serra da Estrela nas Penhas Douradas, situado junto ao maior vale glaciar da Europa, onde o seu manto de água atrai tudo o que são veraneantes das redondezas, sendo a sua praia uma das mais famosas do PNSE, assim reza o painel informativo fixado junto à albufeira, concluindo que Rossim é um local único de grande valor científico – Convem recordar que não seguimos o percurso tradicional à risca, de resto era quase impossível porque os incêndios destruíram toda a sinalética do Vale. Devido à morfologia íngreme e irregular do terreno aos altos e baixos, cheio de tôcos aguçados das giestas queimadas, grande parte cobertos por vegetação, o trilho, ou o que restava dele, estava assinalado com montinhos de pedras que, o Cunha na frente com o seu faro apurado ia descobrindo. Tornou-se muito perigoso atravessar o vale cheio destas ratoeiras a cada metro e a prova disso, houve pontuações (e calções e pele rasgadas) de 10 pontos para o campeonato da cambalhota e um elemento teve de ser resgatado depois de andar perdido durante meia hora, adivinhem quem? pois…. foi esse mesmo.

A 6 kms de Rossim, com altitude mais baixa 1053m, fica a aldeia de Sabugueiro. O acesso de bike, faz-se por trilhos técnicos, dificultados por pedras grandes.

Sabugueiro é conhecida por ser a “Aldeia mais alta de Portugal”, contudo parece que não é verdade, a aldeia mais alta é as Penhas da Saude, que fica na vertente sul da serra da Estrela, a 1500m. Quase deserta, esta aldeia foi a mais descaraterizada que vimos, pelas construções “mamarracho” que não se enquadram minimamente na região do PNSE a que pertence.              Paramos o tempo suficiente para tomar café e atestar os níveis de glicogénio e ala porque ainda faltava muitos kms até ao Piodão.

Com pequenos enganos e desatenções de navegação, rapidamente corrigidos, do qual o mais caricato foi quando acabou o trilho na descida para Vide e não nos restou outra solução – porque voltar para trás e subir o monte com inclinação estuporada não nos agradava -, do que carregar as burras às costas e descer pelo pinhal íngreme, todo queimado em direção a Vide, uma aldeia com 600 habitantes, que fica no extremo do PNSE, a 25km da Torre, atravessada pelo rio Alvoco onde se pescam as melhores trutas de Portugal, como propagava um placard no centro da aldeia.                                                                                                                                      Uma pequena paragem para comprar comida, abandonamos definitivamente o Parque Natural da Serra da Estrela, a Grande Rota continuava agora pela Paisagem Protegida da Serra do Açor, com zonas de grande beleza e pontos turísticos a merecer uma visita mais demorada.

A parte final entre Vide e Chãs D`Egua (Piodão), uma aldeia de xisto onde pernoitamos, fez-se por estrada de alcatrão sempre a subir, principalmente os últimos kms, a partir de Foz D`Egua.

Enquanto aguardavamos calmamente na Foz por instruções do Bruno – que, entretanto, tinha ido tratar da burocracia do alojamento junto do nosso cicerone João -, qual o rumo a tomar, aproveitamos os 3/4 d`hora de espera, entretidos a despojar de fruta mais uma cerejeira, entretanto o GPS do Martinho, resolveu fazer-lhe um manguito e deixou-o à deriva. Quando preparavamos uma operação de  resgate, deu à costa zangado a barafustar em altos decibéis, com o Chico e Narciso, por o terem deixado tresmalhado do rebanho sem que ninguem desse cavaco. A coisa esteve tão complicada que o Martinho até ameaçou rescindir o contrato e mudar de emblema.                                                                                                                    O que seria do grupo sem o nosso Martinho? Claro que não seria a mesma coisa, e, não temos dúvidas que apesar do mau feitio quando come muitas cerejas e fica com as pernas pesadas e dor de barriga, um dia quando for canonizado e vai ser, pela pachorra que tem em aturar a cambada, na sua lápide escrever-se-á: “S. Martinho, padroeiro dos bettistas extraviados”.

Tal como previsto e apesar de todas as vicissitudes, chegamos ao fim da 1ª etapa dentro do controle, ao local onde conseguimos alojamento: Chãs D`Egua, Piodão.                     Terminamos com um jantar em Piodão numa esplanada ao frio, foi o que se arranjou, mas ainda houve tempo para cantar os parabéns ao nosso cartográfico Bruno pelo seu aniversário.

O lote dos 15 ddr, parecia não acusar o desgaste de ter começado a labutar às 4h00 da madrugada, ter feito 230kms e andado todo o dia a coçarem-se pela serra da Estrela e a provar isso o Miguel até aproveitou o tempo das paragens para fazer alongamentos com um tronco de arvore e o Cunha fez uns extras por outros montes porque… ainda não tinha subido nada de jeito.

2.Segundo dia, 9 junho.

Depois de uma noite bem dormida no meio de um silencio sepulcral, interrompida às 5h pelas badaladas do sino da torre, às 7h30, toda a gente estava abancada em volta da mesa do pequeno-almoço com vista privilegiada para o vale circundante da serra.                                                                                                                                            O inicio desta exigente etapa, Chãs D´Egua (Piodão)-Fundão (Castelo Novo), é coincidente com o fim da anterior, foi mais do mesmo, subir, subir e subir.

O espírito do grupo continuava em alta e motivado, o mais importante e, se no 1º dia começamos a fazer o aquecimento a subir a serra da Estrela, no 2º começamos o aquecimento a subir em ziguezague a serra do Açor até ao planalto do cume de S.Pedro do Açor e, como diz a lei da física, pelo menos no planeta terra, tudo o que sobe, depois desce.

A descida técnica que se seguiu até ao parque das eólicas compensou-nos um pouco do esforço anterior, o que não imaginávamos é que ainda tínhamos de calcorrear os estradões das eólicas até ao ponto mais alto da serra: o cume do Picoto da Cebola (1418m), o 5º ponto mais alto de Portugal, 9º se incluirmos os arquipelagos. Com o vento a soprar forte e frio de Noroeste, foi, talvez a parte mais exigente do dia mas tambem a mais excitante e espetacular.

Deste ponto, em plena serra do Açor, sozinhos – desde que saímos de Piodão nunca encontramos vivalma -, eramos os senhores das montanhas, foi um privilégio contemplar a cordilheira de serras, com a Torre a sobrepor-se. Ao ver daqui as minúsculas aldeias no fundo dos vales, a soberba omnipotência da natureza, sentimos que a coisa mais passageira desta vida somos nós, a paisagem é que deveria ter pena de nós.

Demoramos pouco tempo, com o vento e o frio custava estar parado, abandonamos o “Cebola” e começamos a descida vertiginosa que nos levaria até à aldeia, por estradão irregular, com muitas pedras soltas, foi rápida, algo louca e arriscada, ultrapassando muito vezes a red-line que o bom senso aconselhava a não ultrapassar.

A Nossa Senhora do BTT, deve ter-se condoído connosco e desta vez protegeu-nos a todos, pelo menos nesta descida, noutras virou-nos as costas e o resultado foi bom para a pontuação do Campeonato da Cambalhota.                                                            É verdade, existe Nossas Senhoras e Senhores para todos os gostos e conveniências mas, nunca imaginamos que havia uma Senhora Bettista.                                           Foi pois, com surpresa, que de repente se nos deparou à entrada da aldeia de S.Jorge da Beira, um nicho bem cuidado com a imagem de uma senhora: a Nossa Sra do BTT.                                                                                                                            Bem vista a coisa, as maluqueiras são tantas que até faz sentido a existência desta Sra. Um ddr, discretamente tentou assaltar a caixa das esmolas mas, sem sucesso, alguém deve ter-se antecipado porque a caixa aparentava estar vazia.

Como em S.Jorge da Beira, uma aldeia mineira, desenvolvida em grande parte pela população mineira que trabalhou na extração do volfrâmio nas minas da Panasqueira, não havia nada para comer, continuamos a GR22, passando pelas aldeias também mineiras de Unhais-o-Velho, Portela de Unhais, para finalmente em Dornelas do Zêzere encontrar um restaurante que às 14h30, teve paciencia para esperar por nós para nos matar a fome.

Ao fim de uma hora, com a barriguinha atestada e boa disposição, levantamos ferro  do comedouro “Os Amigos”, atravessamos o rio Zêzere e, o que deve ser feito, tem de ser feito de qualquer modo, por isso não tivemos outra aternativa com a pança cheia, que trepar  por um bom estradão ladeado de pinheiro bravo, para depois ao sobe e desce, durante uma hora e meia, desaguar na serra da Gardunha.  Com os seus 1227m de altitude, a serra da Gardunha tem 20km de comprimento e 10 de largura, situa-se na Beira-Baixa, nos concelhos do Fundão e Castelo Branco.

Depois do efeito surpresa das paisagens impressionantes do primeiro dia e da serra do Açor, as paisagens da serra da Gardunha, sobre a Cova da Beira, serra da Estrela e Covilhã, eram igualmente impressionantes, próprias para quem gosta de fotos bonitas.

Como a hora já ia adiantada e ainda faltava uns quantos kms, o nosso navegador  Bruno, aconselhou a deixar Castelo Novo para o dia seguinte, com o consenso de todos, reprogramou-se o GPS p`ro Fundão.

A louca descida (mais uma), da Gardunha que se seguiu, fez-se por estrada de alcatrão – o Berto jurou que foi aos 80km -, finda a descida, os últimos kms até ao Fundão, estavam rodeados de imensas cerejeiras o que não é de estranhar afinal estávamos na zona da capital da produção da cereja por excelencia, a nossa estadia até coincidiu com o festival da cereja do Fundão na freguesia de Alcongosta. Com tanta oferta à beira da estrada, não nos fizemos rogados e atacamos em força às apetitosas cerejas, e foi um fartar vilanagem até ao Fundão.

Terminamos o dia com uma churrascada, num restaurante/tasca que, por azar, a proprietária era alérgica ao futebol e não houve Portugal-Holanda p`ra ninguem durante a 1ª parte. Na 2ª parte cedeu aos furiosos pedidos dos ddr e lá mudou de canal a tempo de ver Portugal vencer a taça de meia dúzia de nações.                      Para descomprimir da churrascada, fomos de autocarro ao festival   da cereja em Alcongosta, mas a coisa estava fraquita e o ambiente frio não ajudava, provavelmente por causa do futebol mas, ainda deu para ouvir cantar o Tatanka, uma street band de jazz animar a rua e o fim de um concerto de musica Celta. Cerejas aquela hora só em shots.                                                                                               Tirando umas dores de barriga ao… sim…foi esse, originadas pelo enfardamento      cavalar de cerejas, terminamos a espetacular aventura do dia, com o mesmo espirito do dia anterior e em bom estado de conservação. Só não houve levantamento de tronco desta vez porque o Miguel não estava para aí virado.               A 2ª etapa estava concluída.

3.Terceiro dia, 10 junho.

Dia de Portugal e dia de terminar a nossa aventura pelas Beiras.                             Caso raro nesta aventura: não constou que alguém dormisse mal ou pouco, o que é sempre motivo para assinalar.                                                                                                Estavamos prontos e continuavamos motivados, para as duas etapas programadas, mais o extra de Castelo Novo que tinha ficado adiada para hoje.

A tirada contemplava: Fundão-Castelo Novo-Idanha a Velha-Proença a Velha-Monsanto, por estradão sobe e desce às ondinhas, viria a ser a mais longa etapa dos 3 dias e a mais fácil em termos físicos, com subidas no inicio em Castelo Novo e no final em Monsanto, mesmo assim ainda rendeu 1475 de d+.

A paisagem rodeada pela serra da Gardunha, era muito diferente da montanhosa dos dias anteriores, os terrenos estavam carregados com plantios sobretudo laranjeiras, cerejeiras, pessegueiros e castanheiros, que beneficiam do clima protetor da serra.                                                                                                                           Os 17km até Castelo Novo, fizeram-se rapidamente.

Castelo Novo uma freguesia culminante da serra da Gardunha, com 400 habitantes, é um local aprazivel com o seu Castelo a servir de mote para uma visita aprofundada, que não a nossa de 30 minutos. Com uma história confusa e atribulada ao longo dos séculos, não posso deixar de transcrever uma passagem caricata aquando da reconstrução do castelo (…no reinado de D. Manuel I deu-se início à recuperação do velho castelo, o rei encarregou do assunto um escudeiro da Casa Real, este fez-se acompanhar de um pedreiro mestre de obras natural de Castela. Entre os dois estalou uma acessa polémica porque não se entendiam sobre os planos de recuperação. De várias acaloradas discussões, os dois partiram para a pancada, tendo o castelhano de fugir, trancado-se na igreja para não levar mais porrada…). Este caso, por ter ficado registado na história, naquele tempo sec XVI, deve ter sido uma sessão de pancadaria famosa.

A partir daqui retomamos novamente a GR22, interrompida ontem e aí vamos nós em andamento ladino com temperatura amena, virados a Atalaia do Campo, Orca, Aldeia de Santa Margarida, Proença-a-Velha, parando em duas destas aldeias para o reforço, pois toda a gente sabe que a base para termos um bom desempenho físico, é essencial dormir bem e comer bem e nós assim faziamos. Estas paragens técnicas, também serviam para animar um pouco os escassos habitantes perdidos do resto do mundo que gostavam de meter conversa connosco. Foi pena não termos mais tempo, pois seria interessante ouvi-los.

À medida que avançávamos pelo estradão da GR22, por entre medronheiros selvagens e vegetação rasteira o clima ia mudando, o terreno improdutivo tornava-se cada vez mais seco e árido, o pouco gado que encontramos tinha quase nada para pastar.

A Nossa Sra do Btt, que ontem nos protegeu das artimanhas da serra, hoje deve ter metido folga, porque num local, onde nada fazia prever, dois ilustres ddr contribuíram com nota maxima para o campeonato da cambalhota, ou então esta Sra é vingativa e foi a forma que arranjou para retaliar o frustrado assalto à caixa das esmolas no seu poiso em S.Jorge da Beira.

Antes de Proença-a-Velha, começamos a avistar ao longe numa grande derrapagem da encosta escarpada, Monsanto, o terminus da nossa aventura mas, antes de lá chegar fizemos um ligeiro desvio – que causou algumas resingadelas de contestação a um ddr, cheio de larica, para uma curta visita a Idanha-a Velha, uma aldeia com 60 habitantes, com uma historia interessante de povoamento por vários povos durante os seculos.

Dezanove kms depois, trepamos a última subida (762m), até à aldeia mais portuguesa de Portugal: Monsanto. Eram 14h00 do dia 10 junho, quando o lote dos 16 escolhidos terminaram esta fantástica  aventura. Restava lavar a cara e o mais que se pôde para tirar o pó e amenizar um pouco o cheiro a cavalo antes de alaparmos no “Petiscos & Granitos”, o único restaurante de Monsanto.

Em jeito de conclusão e arriscando falar por todos:

Foi um bom desafio, foi espetacular ter pedalado pelos pontos mais altos de Portugal, esgravatado por locais como as serras da Estrela, Açor e Gardunha de um lado para o outro em toda a sua plenitude.

Não esqueceremos a dificuldade que foi atravessar o vale inóspito e rude de Rossim nas Penhas Douradas.

Não esqueceremos a sensação de senhores da montanha aquando da escalada ao Picoto da Cebola.

Não esqueceremos a excitação das descidas técnicas a raiar o alucinante.

Cativou-nos sobremodo as paisagens montanhosas, as encostas íngremes e as formas graníticas bizarras suspensas nos píncaros das serras.

Foi uma viagem ao Portugal profundo, por aldeias históricas mediáticas, que nos despertou para a existência de locais extraordinários, infelizmente mal explorados pelos portugueses.

No fim sentimos alivio por ter acabado o massacre, mas passado estes dias todos, a nostalgia dos 3 dias de aventura por sitios incríveis, apoderou-se de nós.

Parabens Bruno pela elaboração meticulosa deste desafio que, nem as habituais resmunguices e a predileção por cerveja – apanágio do ADN dêdêrriano – beliscaram.

O espirito aventureiro dos ddr, mais uma vez prevaleceu…pronto, okay, mas a culpa foi do GPS, que desorientou o Martinho.

Fizemos jus à maxima do grupo “os desafios não são difíceis porque tentamos, é por não tentarmos que se tornam difíceis”

Parabens Duros de Roer

Dedicamos esta aventura aos ddr emigrantes e aos que não puderam participar especialmente ao chefe a recuperar de uma mazela física.

Obs: um grande obrigado ao António Barbosa que foi incansável no apoio  logístico

Os 15 ddr:

Francisco Ferreira, Emílio Santos, Celestino Palmeira, Paulo Santos, Emílio Hipólito, Filipe Correia, Narciso Ribeiro, Bruno Monte, António Maia, Tiago Costa, Martinho Anthony, Eurico Cunha, Miguel Dias, António Soares e Carlos Ribeiro

Miscelânea de fotos tiradas por: Narciso, Milo, Tozé, Bruno, Chico e Barbosa