O Manel

1.Incentivado pelo Milo da loje, foi com alguma curiosidade que vimos aparecer no Rafas, um individuo forte, entroncado, equipado com o primeiro equipamento dos ddr usado em 2007, com rosto moreno a fazer transparecer que a vida não foi fácil.

O Manel Souto um velho conhecido dos ddr`s mais antigos do grupo, vive há largos anos na Corsega, só regressa à terra onde nasceu, uma vez por ano e em férias como agora.

O Manel em tempos quando lhe faltava coragem para acompanhar as deambulações amalucadas dos ddr, ia no seu encalço seguia-lhes o rasto deixado na terra pela marca dos pneus e foi assim, como nos revelou no fim da jornada de hoje, enquanto saboreavamos umas imperiais xxl fresquinhas, que deu a primeira e unica pedalada com os ddr até hoje, só uma vez é que arriscou e juntou-se ao grupo em S.Lourenço mas, a junção não correu muito bem e daí, jurou nunca mais querer misturas com este tipo de gente meio tresloucada.

Para os mais novos no grupo o Manel Souto é um tipo desconhecido, ou era, porque depois da extraordinária exibição d`hoje, passou a ser um tipo às direitas e bem conhecido.

Muito por causa da condição física do Manel e também porque sim, os 40km de hoje foram feitos em toada pachorrenta e, quando o nosso amigo propôs desistir a meio duma subidita de 120m, para não atrasar, opusemo-nos tenazmente a tal ameaça, estávamos ali para o ajudar, a rebocar, a empurrar, enfim para o que fosse preciso, menos a carrega-lo às costas porque alem de não dar jeito, aquele corpinho aparentava pesar uns quilos valentes.

Era evidente que o nosso Manel sem treino, sem rotina nas pernas não podia dar mais nas subiditas.

Mas, se nas subidas não podia dar mais, na descida deu de mais e foi um regalo para quem assistiu, como nos contou os dois felizardos que tiveram a sorte de ir atrás do nosso herói, ver a postura acrobática kamikase em cima da burra a descer pelo estradão irregular, parecia aqueles cow boys dos rodeos americanos, aos pinotes, em desequilibro a ver quanto tempo aguentaria até ser cuspido da garupa, era uma questão de tempo, pois segundo o testemunho do Cunha e do Chico, pela trajetória tomada aos esses, o heroico Manel, não tinha qualquer hipótese de a corrigir e, tão fatal como o destino, foi cuspido da burra com um belo mortal de 360º.

Costuma-se dizer que “ao menino e ao borracho pôs Deus a mão debaixo”, o nosso amigo Manel não sendo borracho e muito menos menino, Deus condoeu-se com a cena e abriu uma exceção pondo-lhe a mão debaixo e saiu do rodeo praticamente ileso, com uns simples arranhõezitos de pouca monta e com um final feliz.

2.Perelhalvixlandia, ali tão perto, era inevitável e visitamos pela enésima vez um dos nossos locais de culto sempre apetecível em qualquer altura do ano. O chefe foi o primeiro a mergulhar seguido pelo Manel completamente refeito do capotanço, nas águas límpidas do lago que logo se tornaram turvas pela força da agitação do fundo lodoso mas, isso não impediu que o Milo, o Soares, o João e o Tozé se amandassem também para a água, enquanto o resto se estendia descontraidos por cima das pedras como lagartos ao sol.

Como também era a 1ª vez do Manel em Perelhalvixlandia, não foi preciso praxa-lo como é de tradição, irrequieto, entrava e saía com mestria pelo buraco da pedra parideira, berço do renascimento por onde todos os ddr emergiram um dia.

Neste paraiso escondido de olhares curiosos, só nos apercebemos do perigo que corremos, quando o Milo topou um lagostim na corrente da água pelo cimo das pedras.

É verdade, Perelhalvixlandia tem lagostins e granditos, doravante temos de ter muito cuidado, não vá o diabo tece-las e sermos agarrados pelas mandibulas afiadas dos crustáceos e ficarmos com os tomates inchados comós do Chico.

3. O mês de julho está quase no fim, foi um mês calmo p`ros ddr, mesmo assim ainda houve alguns picanços de relevo:

– A meio do mês, dois ddr foram para Bragança granfondoerem-se no III Bragança Granfondo, a mais espetacular e animada prova de ciclismo de fundo de todas as realizadas no país, quiçá do mundo. O Miguel, com o pico da forma no máximo, arrancou de Bragança virado a norte a toda a força e só parou 140km depois pelo sul  Bragança. Pelo meio, contou no fim “tive de refrear o andamento porque não fazia ideia do que estava pela frente e de desmamar um grupo de espanhois que me mamaram(?) durante muitos kms”. No fim teve direito ao diploma de ouro. Grande performance. Excelente Miguel.

O outro ddr Narciso, teve de contentar-se com o diploma de prata e já foi muito bom, mas lá que se divertiu, divertiu.

– Afinal quem mudou de emblema não foi o Martinho, foi o Seara que a partir do passado dia 20, passou para o clube dos casados. Felicidades campeão.

Outras boas noticias:

O João da Silva está cá e, como é um duro de roer a sério, não perdeu tempo a apresentou-se de imediato ao serviço e o Manel Souto, prometeu que também não faltaria mas depois do batismo de domingo, temos mais duvidas que certezas.

– O chefe depois de alguns meses conturbados, regressou em pleno e o Chico agora com as bolas no sitio, mais pequenas e desinchadas também.

– O Cunha vestiu-se de motard e à semelhança dos outros anos, foi participar e acelerar para a concentração de motos em Faro e o Nelson foi a S.Bento da Porta Aberta a pé.

– No fim do pachorrento e animado treino de domingo, tivemos o grato prazer de ter à nossa espera a nossa amiga Tãnia Serra e assim terminamos o domingo em beleza.

E agora vamos todos p`ro picanço

O Padroeiro dos Betetistas Desorientados

Há muito, muito tempo, existia algures numa freguesia de Barcelos, um gajo com barba à passa piolho, que coabitava com dois cães. Viviam os três em harmonia perfeita, com os mesmos gostos, a relação era tão forte ao ponto de comer os três na mesma pia.

Faziam frequentemente corridas e, o gajo com barba à passa piolho, corria desalmadamente de uma ponta à outra do quintal na tentativa de não descolar dos seus amigos de quatro patas, proeza a maior parte das vezes inglória, pois ficava desorientado e em dificuldades para atinar com a parte final da correria, contudo, uma vez por outra tinha êxito e terminava a corrida, conseguindo para seu deleite um esforçado terceiro lugar ao lado dos seus companheiros focinhudos.

Esta história até pode ser ficcional, no entanto, tem algumas verosimilhanças com um ddr recentemente eleito “Padroeiro dos Betetistas Desorientados”, senão vejamos:

Mora numa freguesia no limiar dos concelhos de Esposende e Barcelos.

Tambem tem barba à passa piolho, com tiques de hipster (um tipo com barba crescida, cabelo carrapitado e roupas justas),

Tem dois cães, mas aqui a história é um pouco diferente, pois ao que parece não há grande harmonia entre os três e consta até, que cada um come na sua pia o que a ser verdade, é indicio de facto de alguma perturbação entre os três e a prova disso é que há poucos dias os cachorros fartos de o aturar, deram de frosques e não quiseram saber dos apelos angustiados do hipster barbudo para que voltassem, voltaram sim quando muito bem entenderam ao fim de uns quantos dias.

O grupo dos ddr treinantes deste domingo, puseram mesmo em causa a idoneidade dos canitos: será que na fuga levaram aquele GPS do Transcavado e Piodão.…? Se levaram, foram burros, depois de tanto conviverem, deviam saber que esse GPS desnorteia-se com qualquer coisa e fica facilmente irritável e perde as setas. Se foi assim está explicada a causa de andarem tantos dias perdidos.

Quanto a corridas a três, não nos parece que haja alguma analogia com os três da  história, no entanto é verdade que o padroeiro dos betetistas desorientados, sofre muitos desaires que o deixam desatinado, mas é persistente e, uma vez até ganhou uma corrida…sem meta, em Gemeses e com mais de três participantes.

O Martinho está de volta, a musa inspiradora destas cronicas regressou e se os cães demoraram uma semana a regressar, o Martinho demorou 27 dias. Foi uma questão de interpretar o GPS conforme as capacidades de cada um.

O Martinho regressou em força e não perdeu tempo, começou logo a chatear a pinha aos gajos do emblema que ele ameaçou trocar, logo nos primeiros kms estropiou um pneu da burra, valeu-lhe a competência dos injinheirus ddr, sobretudo o injinheiru- chef  Eurico Cunha, que o desenrascaram mas não foi fácil, a primeira tentativa a enxofrar a camara-de-ar foi em vão, verificou-se depois que um injinheiru tentou sabotar o arranjo do burra emprestando-lhe uma camara-de-ar com mais furos que um passador chinês, por fim  outro injinheiru condoeu-se da pobre roda e lá lhe arranjou uma camara a sério e foi assim que PDBD, evitou ter de regressar a casa com o rabo entre as pernas.

Quem estava a ver a vida a andar para trás era o nosso amigo Nuno Gonçalves que depois do aquecimento matinal de… 15kms a correr, tinha planeado fazer no mínimo 40kms e pelo que se viu, a coisa não esteve fácil mas tudo se resolveu mais uma vez graças à competência dos injinheirus ddr.

Quanto ao treino mesmo com o Martinho em cena, foi porreiro, embora um bocado para o puxadote e o Nuno conseguiu o objetivo do dia, ou seria da manhã?

A três kms do final, um elemento desconetou-se do grupo e até hoje nunca mais foi visto, quem haveria de ser? O nosso artista, o Martinho ao mais alto nível.

As fotos do nosso artista em plena labuta sobre a supervisão dos injinheirus ddr