Os ddr na XIX Descida ao Sarrabulho 2019

Quando aterramos em Ponte de Lima, o parque natural da frente ribeirinha da cidade, estava pejado de carros, apesar de ainda faltar duas horas para o arranque da peculiar Descida ao Sarrabulho, ninguem queria atrasar-se para a festa.

Lá estavam as filas para levantar os dorsais, para a sande de carne de porco de espeto, para a cerveja, para o sumo, tudo igual com há um ano, como há dois, como há três, sempre foi assim, tudo previsível para os ddr`s que já andam nestas sarrabulhices há muitos anos, no meio d`um ambiente animado a fervilhar de betetistas de toda a espécie, às voltas, a aprontar as bikes para o picanço da descida.

Lá estavam os camiões, do lado oposto, para transportar as burras para a Boalhosa o monte sui generis dos radicais do btt de Ponte de Lima e os autocarros à espera dos senhores das montanhas, sim, porque os senhores é assim que devem ser transportados, os peões sobem a dar aos crenques ou a penantes se quiserem.

Lá estava a taberna do 27, a tasca onde só entram professores, doutores, caçadores, ddr`s e outros bebedores, de porta aberta, com as bifanas em stand by e as garrafinhas de verde fresquinho, à espera dos costumados roazes e sequiosos duros de roer, comandados pelos porta estandarte da festa, os patifes Miguel e Tozé, com o Martinho à espreita para entrar em cena, até acabar as febras uma hora depois. Depois…

Lá estavam os peões no paddock da partida, atrás do pórtico da Alameda, prontos para dar ao pedal pela estrada 307, até ao monte da Boalhosa, enquanto os senhores se dirigiam calmamente para os autocarros e camiões para as suas montadas. Gente fina é outra coisa.

Lá estava, uma hora depois, no alto do monte, a maior tribo de sempre para participar na prova mais democrática do mundo, onde cabem ciclistas de toda espécie: betetistas-puros-sangue, betetistas-pilecas, betetistas-domingueiros, betetistas-vou-tomar-café-e-já-venho, betetistas-do-pixe, betetistas-empata-fodas, betetistas-downhilleiros, betetistas-enduros, cicloturistas, de estrada, freeraidistas. ebikers e outras espécies raras, no pórtico da partida virtual, onde cada um parte quando quer, com letras grandes a desejar as boas vindas a todos os sarrabulheiros e a tabuleta a avisar que o inferno ia começar mas, o inferno já não é o que era, não amedrontou os 800 sarrabulheiros e foram todos para o inferno, pelos carreiros apertadas do monte, depois…

Lá estavam os velhos trilhos nossos conhecidos, os regos, as pedras, os cartazes coloridos com o gajedo espalhados pela descida, tudo ingredientes de qualidade para dar umas cambalhotas à maneira e descarregar a adrenalina até ao pote dos rojões, depois…

Lá estava o circo montado, com muitos espetadores filados na traiçoeira ponte sobre o charco de água e lama – o ritual da passagem para ter acesso aos rojões do pote -, para ver os artistas do resvalanço/malhanço na tabua.

Lá estavam também na margem do charco, certos ddr depois de todos terem passado sem hesitação a ponte cambalhoteira – com distinção para o Solinho que só usou a roda de trás para a travessia -, com os chefes da mafia a comandarem a banda, os endiabrados Tozé e Miguel, bem coadjuvados pelo Cunha, a incentivar os seus parceiros mais atrasados… atirando-lhes pedras.  

Lá estava a balança e depois o estradão de boa memória onde há 2 anos o Chico e Tozé andaram aos abraços e… ops…roubaram o single track do Seara?

Lá estava a inovação que a organização prometeu, umas descidas vertiginosas, my god, que descarga, aquilo é que foi assapar com as rotações no vermelho, na frente os destravados malucos, Cunha, Miguel e o Tozé transfigurado em diabo a picar os dois, pressionando-os com a mesma formula do ano passado “sai da frente” a ver se resultava, mas agora não teve efeitos práticos, embora houvesse uns ameaços.

Lá estava depois da única subida de pavé as prometidas castanhas e vinho e a Rita Batoteira, que não conhecia o Martinho ddr e o Martinho ddr que não conhecia a Rita Batoteira, embora sejam ambos de Vila Cova e o Miguel com a pica toda a fazer das suas e o Tozé também até entrarmos todos inchados (das castanhas), no ultimo single track cheio de curvas a descer, a descer, ao som da gritaria daqueles dois, até surgir uma tabuleta a informar “Aproximação a 500m” “visita e prova de bagaço”.

Lá estava a surpresa, um banho de espuma, nem de propósito era mesmo disto que os ddr precisavam, depois de terem provado a queimada e os licores de café e outros sabores. Com a pica toda ninguem segurava os dois diabos, estavam como peixes na água a espordinharem-se na espuma como duas focas, estava-se bem, não apetecia sair dali mas teve de ser.

Lá estava a capela das Pereiras com o escadório, para a apoteose final da descida. Os ddr como sempre, desceram-na todos juntos (ou quase), em alto estilo, o Miguel até repetiu a dose.

E assim terminou a XIX Descida ao Sarrabulho, lá estava tudo como   previsto, ao longo destes anos houve algumas modificações, poucas, para melhor, mas o cariz da descida continua o mesmo, tudo como nos primeiros anos, a formula já a conhecemos de cor e salteado: 17km ininterruptos de diversão pura e apesar de ser a prova onde há mais trambolhões por metro quadrado, não raras vezes com uma visita ao hospital para consertar umas esfarrapadelas mais elaboradas, ninguém se chateia e volta sempre.

Os ddr sempre marcaram presença, continua a ser a prova fetiche de estimação, a emoção da descida é sempre a mesma como a da primeira vez, pela alegria que espalham ao longo dos 17km. Pelas suas histórias trágico cómicas, nunca passam despercebidos.

Parabens Batotas! Até p`ro ano

Os 12 ddr Sarrabulheiros de 2019:

Chico, Manel, Paulo, Narciso, Tozé, Solinho, Martinho, Cunha, Miguel, Soares, Berto  e Luis

Algumas fotos e fotogramas: