…sem o Manel!!

O nosso amigo, o intrépido Manel, teve duas atuações de truz na semana passada, entrou em dois rodeos, num aguentou-se uns valentes segundos em cima da garupa até a malvada burra o atirar de cangalhas, passado três dias, voltou a atuar à noite e, embora com contornos diferentes, repetiu a façanha do ultimo espetaculo e lá vai Manel pelas escadas abaixo.

Esperamos que o Manel continue a dar show, porque é um artista com muito potencial, daqueles que dá gosto ver em ação e até já tem vários seguidores a plagia-lo, como se viu no ultimo domingo.

De facto p`ro reino dêdêrriano a ultima semana foi bastante produtiva, agitada e…perigosa, desde um meteorito em forma de Cunha com a roda no ar a cair em cima de um pacato cidadão ddr, entretido a ver a paisagem e as letras gigantes E.S.P.O.S.E.N.D.E  na foz do Cavado e, o raio do meteorito não contente com o abalroamento três dias depois o mesmo meteorito refinou-se e não deixou que um ddr estatelado no chão se levantasse e passou-o a ferro;  outro ddr em manobras donwhilleiras, desequilibrou-se na descida kamikaze dos moinhos da Abelheira e com os encaixes dos sapatos presos à burra, lá teve de bater com o costado nas pedras.

Outros malhanços, com protagonistas diferentes também se sucederam e não sendo tão bonitos como os do Manel e arrojados como os do meteorito em forma de Cunha, tiveram no entanto o merito de contribuírem para aumentar o score do campeonato da cambalhota, ao contrario de outros que andaram na duvida aos pinotes a prometeram pontuar no cai não cai pela Abelheira mas não passou disso, de promessas adiadas; ainda outro para não cair em tentações acrobáticas, perdeu-se propositadamente…ou não?

Depois destas atuações artísticas, fica o aviso a quem não está familiarizado com os tiques e manias do reino: não tentem fazer isto em casa e sempre que andarem na rua façam-no com o nariz no ar e com cuidado, porque nunca se sabe quando podem levar com um ddr em cima.

Parabens ao Bruno Monte que concluiu mais um Extreme Vila do Conde-Peneda Gerês-Vila do Conde

Aqui fica um pequeno registo de 45 segundos de um video possivel, da amostra de um dos muitos malhanços da jornada e da descida maluca do trilho de S.Lourenço

O Manel

1.Incentivado pelo Milo da loje, foi com alguma curiosidade que vimos aparecer no Rafas, um individuo forte, entroncado, equipado com o primeiro equipamento dos ddr usado em 2007, com rosto moreno a fazer transparecer que a vida não foi fácil.

O Manel Souto um velho conhecido dos ddr`s mais antigos do grupo, vive há largos anos na Corsega, só regressa à terra onde nasceu, uma vez por ano e em férias como agora.

O Manel em tempos quando lhe faltava coragem para acompanhar as deambulações amalucadas dos ddr, ia no seu encalço seguia-lhes o rasto deixado na terra pela marca dos pneus e foi assim, como nos revelou no fim da jornada de hoje, enquanto saboreavamos umas imperiais xxl fresquinhas, que deu a primeira e unica pedalada com os ddr até hoje, só uma vez é que arriscou e juntou-se ao grupo em S.Lourenço mas, a junção não correu muito bem e daí, jurou nunca mais querer misturas com este tipo de gente meio tresloucada.

Para os mais novos no grupo o Manel Souto é um tipo desconhecido, ou era, porque depois da extraordinária exibição d`hoje, passou a ser um tipo às direitas e bem conhecido.

Muito por causa da condição física do Manel e também porque sim, os 40km de hoje foram feitos em toada pachorrenta e, quando o nosso amigo propôs desistir a meio duma subidita de 120m, para não atrasar, opusemo-nos tenazmente a tal ameaça, estávamos ali para o ajudar, a rebocar, a empurrar, enfim para o que fosse preciso, menos a carrega-lo às costas porque alem de não dar jeito, aquele corpinho aparentava pesar uns quilos valentes.

Era evidente que o nosso Manel sem treino, sem rotina nas pernas não podia dar mais nas subiditas.

Mas, se nas subidas não podia dar mais, na descida deu de mais e foi um regalo para quem assistiu, como nos contou os dois felizardos que tiveram a sorte de ir atrás do nosso herói, ver a postura acrobática kamikase em cima da burra a descer pelo estradão irregular, parecia aqueles cow boys dos rodeos americanos, aos pinotes, em desequilibro a ver quanto tempo aguentaria até ser cuspido da garupa, era uma questão de tempo, pois segundo o testemunho do Cunha e do Chico, pela trajetória tomada aos esses, o heroico Manel, não tinha qualquer hipótese de a corrigir e, tão fatal como o destino, foi cuspido da burra com um belo mortal de 360º.

Costuma-se dizer que “ao menino e ao borracho pôs Deus a mão debaixo”, o nosso amigo Manel não sendo borracho e muito menos menino, Deus condoeu-se com a cena e abriu uma exceção pondo-lhe a mão debaixo e saiu do rodeo praticamente ileso, com uns simples arranhõezitos de pouca monta e com um final feliz.

2.Perelhalvixlandia, ali tão perto, era inevitável e visitamos pela enésima vez um dos nossos locais de culto sempre apetecível em qualquer altura do ano. O chefe foi o primeiro a mergulhar seguido pelo Manel completamente refeito do capotanço, nas águas límpidas do lago que logo se tornaram turvas pela força da agitação do fundo lodoso mas, isso não impediu que o Milo, o Soares, o João e o Tozé se amandassem também para a água, enquanto o resto se estendia descontraidos por cima das pedras como lagartos ao sol.

Como também era a 1ª vez do Manel em Perelhalvixlandia, não foi preciso praxa-lo como é de tradição, irrequieto, entrava e saía com mestria pelo buraco da pedra parideira, berço do renascimento por onde todos os ddr emergiram um dia.

Neste paraiso escondido de olhares curiosos, só nos apercebemos do perigo que corremos, quando o Milo topou um lagostim na corrente da água pelo cimo das pedras.

É verdade, Perelhalvixlandia tem lagostins e granditos, doravante temos de ter muito cuidado, não vá o diabo tece-las e sermos agarrados pelas mandibulas afiadas dos crustáceos e ficarmos com os tomates inchados comós do Chico.

3. O mês de julho está quase no fim, foi um mês calmo p`ros ddr, mesmo assim ainda houve alguns picanços de relevo:

– A meio do mês, dois ddr foram para Bragança granfondoerem-se no III Bragança Granfondo, a mais espetacular e animada prova de ciclismo de fundo de todas as realizadas no país, quiçá do mundo. O Miguel, com o pico da forma no máximo, arrancou de Bragança virado a norte a toda a força e só parou 140km depois pelo sul  Bragança. Pelo meio, contou no fim “tive de refrear o andamento porque não fazia ideia do que estava pela frente e de desmamar um grupo de espanhois que me mamaram(?) durante muitos kms”. No fim teve direito ao diploma de ouro. Grande performance. Excelente Miguel.

O outro ddr Narciso, teve de contentar-se com o diploma de prata e já foi muito bom, mas lá que se divertiu, divertiu.

– Afinal quem mudou de emblema não foi o Martinho, foi o Seara que a partir do passado dia 20, passou para o clube dos casados. Felicidades campeão.

Outras boas noticias:

O João da Silva está cá e, como é um duro de roer a sério, não perdeu tempo a apresentou-se de imediato ao serviço e o Manel Souto, prometeu que também não faltaria mas depois do batismo de domingo, temos mais duvidas que certezas.

– O chefe depois de alguns meses conturbados, regressou em pleno e o Chico agora com as bolas no sitio, mais pequenas e desinchadas também.

– O Cunha vestiu-se de motard e à semelhança dos outros anos, foi participar e acelerar para a concentração de motos em Faro e o Nelson foi a S.Bento da Porta Aberta a pé.

– No fim do pachorrento e animado treino de domingo, tivemos o grato prazer de ter à nossa espera a nossa amiga Tãnia Serra e assim terminamos o domingo em beleza.

E agora vamos todos p`ro picanço

O Padroeiro dos Betetistas Desorientados

Há muito, muito tempo, existia algures numa freguesia de Barcelos, um gajo com barba à passa piolho, que coabitava com dois cães. Viviam os três em harmonia perfeita, com os mesmos gostos, a relação era tão forte ao ponto de comer os três na mesma pia.

Faziam frequentemente corridas e, o gajo com barba à passa piolho, corria desalmadamente de uma ponta à outra do quintal na tentativa de não descolar dos seus amigos de quatro patas, proeza a maior parte das vezes inglória, pois ficava desorientado e em dificuldades para atinar com a parte final da correria, contudo, uma vez por outra tinha êxito e terminava a corrida, conseguindo para seu deleite um esforçado terceiro lugar ao lado dos seus companheiros focinhudos.

Esta história até pode ser ficcional, no entanto, tem algumas verosimilhanças com um ddr recentemente eleito “Padroeiro dos Betetistas Desorientados”, senão vejamos:

Mora numa freguesia no limiar dos concelhos de Esposende e Barcelos.

Tambem tem barba à passa piolho, com tiques de hipster (um tipo com barba crescida, cabelo carrapitado e roupas justas),

Tem dois cães, mas aqui a história é um pouco diferente, pois ao que parece não há grande harmonia entre os três e consta até, que cada um come na sua pia o que a ser verdade, é indicio de facto de alguma perturbação entre os três e a prova disso é que há poucos dias os cachorros fartos de o aturar, deram de frosques e não quiseram saber dos apelos angustiados do hipster barbudo para que voltassem, voltaram sim quando muito bem entenderam ao fim de uns quantos dias.

O grupo dos ddr treinantes deste domingo, puseram mesmo em causa a idoneidade dos canitos: será que na fuga levaram aquele GPS do Transcavado e Piodão.…? Se levaram, foram burros, depois de tanto conviverem, deviam saber que esse GPS desnorteia-se com qualquer coisa e fica facilmente irritável e perde as setas. Se foi assim está explicada a causa de andarem tantos dias perdidos.

Quanto a corridas a três, não nos parece que haja alguma analogia com os três da  história, no entanto é verdade que o padroeiro dos betetistas desorientados, sofre muitos desaires que o deixam desatinado, mas é persistente e, uma vez até ganhou uma corrida…sem meta, em Gemeses e com mais de três participantes.

O Martinho está de volta, a musa inspiradora destas cronicas regressou e se os cães demoraram uma semana a regressar, o Martinho demorou 27 dias. Foi uma questão de interpretar o GPS conforme as capacidades de cada um.

O Martinho regressou em força e não perdeu tempo, começou logo a chatear a pinha aos gajos do emblema que ele ameaçou trocar, logo nos primeiros kms estropiou um pneu da burra, valeu-lhe a competência dos injinheirus ddr, sobretudo o injinheiru- chef  Eurico Cunha, que o desenrascaram mas não foi fácil, a primeira tentativa a enxofrar a camara-de-ar foi em vão, verificou-se depois que um injinheiru tentou sabotar o arranjo do burra emprestando-lhe uma camara-de-ar com mais furos que um passador chinês, por fim  outro injinheiru condoeu-se da pobre roda e lá lhe arranjou uma camara a sério e foi assim que PDBD, evitou ter de regressar a casa com o rabo entre as pernas.

Quem estava a ver a vida a andar para trás era o nosso amigo Nuno Gonçalves que depois do aquecimento matinal de… 15kms a correr, tinha planeado fazer no mínimo 40kms e pelo que se viu, a coisa não esteve fácil mas tudo se resolveu mais uma vez graças à competência dos injinheirus ddr.

Quanto ao treino mesmo com o Martinho em cena, foi porreiro, embora um bocado para o puxadote e o Nuno conseguiu o objetivo do dia, ou seria da manhã?

A três kms do final, um elemento desconetou-se do grupo e até hoje nunca mais foi visto, quem haveria de ser? O nosso artista, o Martinho ao mais alto nível.

As fotos do nosso artista em plena labuta sobre a supervisão dos injinheirus ddr

Os ddr pela Grande Rota 22

1.Já passaram 13 dias desde que terminou mais uma aventura dos ddr, desta feita  pelas regiões da Beira-Alta e Beira -Baixa, onde se situam as maiores altitudes de Portugal Continental. Desde então, uns quantos ddr têem andado por aí à solta, por estrada por monte os ddr tem-se desunhado a manter a forma como ainda hoje no banho de água e lama, pelos singles tracks de Rates, que saudades de um treino assim, ou 150km de estrada até ao Gerês, bom…aqui só para o Cunha e o Miguel, das centenas de kms feitos pelo Bruno ou da primeira vez do Nelson até à Vacaria, os ddr continuam a cuidar da coiro, à espera da próxima aventura.

E é para falar da ultima aventura, principalmente para quem não participou por motivos óbvios, fizemos uma resenha do que aconteceu nos dias 8/9/10 de junho.

Na madrugada do dia 8 junho, 16 elementos – 15 ddr e um na logística -, arrancaram de Apulia, dispostos a concretizar uma aventura de três dias, planificada em dezembro, pela região centro, tendo como objetivo claro e ambicioso: fazer 4 etapas da grande rota 22 (GR22), das Aldeias Históricas de Portugal em 2 dias e meio, com começo em Linhares da Beira, uma aldeia pertencente ao parque natural da serra da Estrela, com 300 habitantes, do distrito da Guarda, conhecida também por ser a capital do parapente.

Dos 565km da GR22, compostos pelas 12 aldeias históricas, escolhemos o percurso das aldeias mais emblemáticas (ou mais badaladas): Linhares da Beira, Piodão, Castelo Novo, Idanha-A Velha e Monsanto mas, em contrapartida o que exigia esforço físico mais elevado.

Chegamos cedo e a primeira coisa que fizemos quando saímos das carrinhas de apoio, foi tomar de assalto uma cerejeira carregada de fruto – estes assaltos a cerejeiras foram uma constante ao longo dos dois dias, ao terceiro fartos de barrigadas de cerejas nem olhavamos para elas.

O lote de ddr era diversificado: com o comando geográfico e assertivo do Bruno, a irreverencia do possante Miguel, a eficiencia do speed Cunha, do discreto Paulo, da voz de comando do Milo Santos, da assertividade das piadas corrosivas do Seara, do Tozé o homem das fotos artísticas, do pragmatismo do Futre, do destemido Berto, do expectante Soares, da abstração do Milo, do incontronavel Martinho…à Martinho, do vamos lá do Tino e dos atentos pastores Chico e Narciso a tomar conta do rebanho, com o imponente castelo da aldeia a servir de testemunha, ao ronco “bóóóra…” do Milo Santos e em modo de subida, demos inicio ao que viria a ser uma extraordinária aventura da melhor forma, ou seja, a trepar a serra da Estrela.

Às curvas e contracurvas pelo estradão, depressa atingimos – palavra usada muitas vezes pelo Seara -, a estrada do planalto de Videmonte/Malhão. Aqui, mal tivemos tempo para respirar, porque logo a seguir o trilho 12 da Santinha, do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE), com uma inclinação fodida, esperava por nós. Foi a parte mais difícil em termos de inclinação neste 1º dia até ao Pico da Santinha, o ponto mais alto de toda a GR22, com 1600m, o 2º maior do continente.

A partir daqui foi pedalar a toda a força pela cumeada, passando pelo posto de vigia da Santinha e pela casa abandonada dos serviços florestais até pararmos para o merecido reforço num bar improvisado no largo da estrada de alcatrão perto do Vale de Rossim, da nascente do Mondego e a uns escassos 10kms da Torre.                                                    Estavamos no centro onde se encontram as maiores altitudes de Portugal continental – Torre na serra da Estrela com 1993m e Portugal Insular, a montanha vulcânica da ilha do Pico com 2351m.                                                                                                                        Quem nos visse, sentados descontraidamente a tragar fatias de presunto e sandes xxl do mesmo produto, com queijo da serra que davam para duas refeições, acompanhadas pelos ataques contagiantes do riso istrionico do Martinho e das corrosivas piadas do Seara e companhia, ninguem diria que já tínhamos esgatanhado uns quilometresitos pela serra mais alta do Continente.                            Estavamos tão descontraídos, que quando a voz de trovão do Milo Santos ecoou “…bóóóra”, é que tivemos consciência que o recreio terminou e que o melhor era continuar.                                                                                                                                  E, continuamos pelo duro mas excitante percurso delineado ao pormenor pelo Bruno, agora pelo Vale de Rossim  em pleno coração da Serra da Estrela nas Penhas Douradas, situado junto ao maior vale glaciar da Europa, onde o seu manto de água atrai tudo o que são veraneantes das redondezas, sendo a sua praia uma das mais famosas do PNSE, assim reza o painel informativo fixado junto à albufeira, concluindo que Rossim é um local único de grande valor científico – Convem recordar que não seguimos o percurso tradicional à risca, de resto era quase impossível porque os incêndios destruíram toda a sinalética do Vale. Devido à morfologia íngreme e irregular do terreno aos altos e baixos, cheio de tôcos aguçados das giestas queimadas, grande parte cobertos por vegetação, o trilho, ou o que restava dele, estava assinalado com montinhos de pedras que, o Cunha na frente com o seu faro apurado ia descobrindo. Tornou-se muito perigoso atravessar o vale cheio destas ratoeiras a cada metro e a prova disso, houve pontuações (e calções e pele rasgadas) de 10 pontos para o campeonato da cambalhota e um elemento teve de ser resgatado depois de andar perdido durante meia hora, adivinhem quem? pois…. foi esse mesmo.

A 6 kms de Rossim, com altitude mais baixa 1053m, fica a aldeia de Sabugueiro. O acesso de bike, faz-se por trilhos técnicos, dificultados por pedras grandes.

Sabugueiro é conhecida por ser a “Aldeia mais alta de Portugal”, contudo parece que não é verdade, a aldeia mais alta é as Penhas da Saude, que fica na vertente sul da serra da Estrela, a 1500m. Quase deserta, esta aldeia foi a mais descaraterizada que vimos, pelas construções “mamarracho” que não se enquadram minimamente na região do PNSE a que pertence.              Paramos o tempo suficiente para tomar café e atestar os níveis de glicogénio e ala porque ainda faltava muitos kms até ao Piodão.

Com pequenos enganos e desatenções de navegação, rapidamente corrigidos, do qual o mais caricato foi quando acabou o trilho na descida para Vide e não nos restou outra solução – porque voltar para trás e subir o monte com inclinação estuporada não nos agradava -, do que carregar as burras às costas e descer pelo pinhal íngreme, todo queimado em direção a Vide, uma aldeia com 600 habitantes, que fica no extremo do PNSE, a 25km da Torre, atravessada pelo rio Alvoco onde se pescam as melhores trutas de Portugal, como propagava um placard no centro da aldeia.                                                                                                                                      Uma pequena paragem para comprar comida, abandonamos definitivamente o Parque Natural da Serra da Estrela, a Grande Rota continuava agora pela Paisagem Protegida da Serra do Açor, com zonas de grande beleza e pontos turísticos a merecer uma visita mais demorada.

A parte final entre Vide e Chãs D`Egua (Piodão), uma aldeia de xisto onde pernoitamos, fez-se por estrada de alcatrão sempre a subir, principalmente os últimos kms, a partir de Foz D`Egua.

Enquanto aguardavamos calmamente na Foz por instruções do Bruno – que, entretanto, tinha ido tratar da burocracia do alojamento junto do nosso cicerone João -, qual o rumo a tomar, aproveitamos os 3/4 d`hora de espera, entretidos a despojar de fruta mais uma cerejeira, entretanto o GPS do Martinho, resolveu fazer-lhe um manguito e deixou-o à deriva. Quando preparavamos uma operação de  resgate, deu à costa zangado a barafustar em altos decibéis, com o Chico e Narciso, por o terem deixado tresmalhado do rebanho sem que ninguem desse cavaco. A coisa esteve tão complicada que o Martinho até ameaçou rescindir o contrato e mudar de emblema.                                                                                                                    O que seria do grupo sem o nosso Martinho? Claro que não seria a mesma coisa, e, não temos dúvidas que apesar do mau feitio quando come muitas cerejas e fica com as pernas pesadas e dor de barriga, um dia quando for canonizado e vai ser, pela pachorra que tem em aturar a cambada, na sua lápide escrever-se-á: “S. Martinho, padroeiro dos bettistas extraviados”.

Tal como previsto e apesar de todas as vicissitudes, chegamos ao fim da 1ª etapa dentro do controle, ao local onde conseguimos alojamento: Chãs D`Egua, Piodão.                     Terminamos com um jantar em Piodão numa esplanada ao frio, foi o que se arranjou, mas ainda houve tempo para cantar os parabéns ao nosso cartográfico Bruno pelo seu aniversário.

O lote dos 15 ddr, parecia não acusar o desgaste de ter começado a labutar às 4h00 da madrugada, ter feito 230kms e andado todo o dia a coçarem-se pela serra da Estrela e a provar isso o Miguel até aproveitou o tempo das paragens para fazer alongamentos com um tronco de arvore e o Cunha fez uns extras por outros montes porque… ainda não tinha subido nada de jeito.

2.Segundo dia, 9 junho.

Depois de uma noite bem dormida no meio de um silencio sepulcral, interrompida às 5h pelas badaladas do sino da torre, às 7h30, toda a gente estava abancada em volta da mesa do pequeno-almoço com vista privilegiada para o vale circundante da serra.                                                                                                                                            O inicio desta exigente etapa, Chãs D´Egua (Piodão)-Fundão (Castelo Novo), é coincidente com o fim da anterior, foi mais do mesmo, subir, subir e subir.

O espírito do grupo continuava em alta e motivado, o mais importante e, se no 1º dia começamos a fazer o aquecimento a subir a serra da Estrela, no 2º começamos o aquecimento a subir em ziguezague a serra do Açor até ao planalto do cume de S.Pedro do Açor e, como diz a lei da física, pelo menos no planeta terra, tudo o que sobe, depois desce.

A descida técnica que se seguiu até ao parque das eólicas compensou-nos um pouco do esforço anterior, o que não imaginávamos é que ainda tínhamos de calcorrear os estradões das eólicas até ao ponto mais alto da serra: o cume do Picoto da Cebola (1418m), o 5º ponto mais alto de Portugal, 9º se incluirmos os arquipelagos. Com o vento a soprar forte e frio de Noroeste, foi, talvez a parte mais exigente do dia mas tambem a mais excitante e espetacular.

Deste ponto, em plena serra do Açor, sozinhos – desde que saímos de Piodão nunca encontramos vivalma -, eramos os senhores das montanhas, foi um privilégio contemplar a cordilheira de serras, com a Torre a sobrepor-se. Ao ver daqui as minúsculas aldeias no fundo dos vales, a soberba omnipotência da natureza, sentimos que a coisa mais passageira desta vida somos nós, a paisagem é que deveria ter pena de nós.

Demoramos pouco tempo, com o vento e o frio custava estar parado, abandonamos o “Cebola” e começamos a descida vertiginosa que nos levaria até à aldeia, por estradão irregular, com muitas pedras soltas, foi rápida, algo louca e arriscada, ultrapassando muito vezes a red-line que o bom senso aconselhava a não ultrapassar.

A Nossa Senhora do BTT, deve ter-se condoído connosco e desta vez protegeu-nos a todos, pelo menos nesta descida, noutras virou-nos as costas e o resultado foi bom para a pontuação do Campeonato da Cambalhota.                                                            É verdade, existe Nossas Senhoras e Senhores para todos os gostos e conveniências mas, nunca imaginamos que havia uma Senhora Bettista.                                           Foi pois, com surpresa, que de repente se nos deparou à entrada da aldeia de S.Jorge da Beira, um nicho bem cuidado com a imagem de uma senhora: a Nossa Sra do BTT.                                                                                                                            Bem vista a coisa, as maluqueiras são tantas que até faz sentido a existência desta Sra. Um ddr, discretamente tentou assaltar a caixa das esmolas mas, sem sucesso, alguém deve ter-se antecipado porque a caixa aparentava estar vazia.

Como em S.Jorge da Beira, uma aldeia mineira, desenvolvida em grande parte pela população mineira que trabalhou na extração do volfrâmio nas minas da Panasqueira, não havia nada para comer, continuamos a GR22, passando pelas aldeias também mineiras de Unhais-o-Velho, Portela de Unhais, para finalmente em Dornelas do Zêzere encontrar um restaurante que às 14h30, teve paciencia para esperar por nós para nos matar a fome.

Ao fim de uma hora, com a barriguinha atestada e boa disposição, levantamos ferro  do comedouro “Os Amigos”, atravessamos o rio Zêzere e, o que deve ser feito, tem de ser feito de qualquer modo, por isso não tivemos outra aternativa com a pança cheia, que trepar  por um bom estradão ladeado de pinheiro bravo, para depois ao sobe e desce, durante uma hora e meia, desaguar na serra da Gardunha.  Com os seus 1227m de altitude, a serra da Gardunha tem 20km de comprimento e 10 de largura, situa-se na Beira-Baixa, nos concelhos do Fundão e Castelo Branco.

Depois do efeito surpresa das paisagens impressionantes do primeiro dia e da serra do Açor, as paisagens da serra da Gardunha, sobre a Cova da Beira, serra da Estrela e Covilhã, eram igualmente impressionantes, próprias para quem gosta de fotos bonitas.

Como a hora já ia adiantada e ainda faltava uns quantos kms, o nosso navegador  Bruno, aconselhou a deixar Castelo Novo para o dia seguinte, com o consenso de todos, reprogramou-se o GPS p`ro Fundão.

A louca descida (mais uma), da Gardunha que se seguiu, fez-se por estrada de alcatrão – o Berto jurou que foi aos 80km -, finda a descida, os últimos kms até ao Fundão, estavam rodeados de imensas cerejeiras o que não é de estranhar afinal estávamos na zona da capital da produção da cereja por excelencia, a nossa estadia até coincidiu com o festival da cereja do Fundão na freguesia de Alcongosta. Com tanta oferta à beira da estrada, não nos fizemos rogados e atacamos em força às apetitosas cerejas, e foi um fartar vilanagem até ao Fundão.

Terminamos o dia com uma churrascada, num restaurante/tasca que, por azar, a proprietária era alérgica ao futebol e não houve Portugal-Holanda p`ra ninguem durante a 1ª parte. Na 2ª parte cedeu aos furiosos pedidos dos ddr e lá mudou de canal a tempo de ver Portugal vencer a taça de meia dúzia de nações.                      Para descomprimir da churrascada, fomos de autocarro ao festival   da cereja em Alcongosta, mas a coisa estava fraquita e o ambiente frio não ajudava, provavelmente por causa do futebol mas, ainda deu para ouvir cantar o Tatanka, uma street band de jazz animar a rua e o fim de um concerto de musica Celta. Cerejas aquela hora só em shots.                                                                                               Tirando umas dores de barriga ao… sim…foi esse, originadas pelo enfardamento      cavalar de cerejas, terminamos a espetacular aventura do dia, com o mesmo espirito do dia anterior e em bom estado de conservação. Só não houve levantamento de tronco desta vez porque o Miguel não estava para aí virado.               A 2ª etapa estava concluída.

3.Terceiro dia, 10 junho.

Dia de Portugal e dia de terminar a nossa aventura pelas Beiras.                             Caso raro nesta aventura: não constou que alguém dormisse mal ou pouco, o que é sempre motivo para assinalar.                                                                                                Estavamos prontos e continuavamos motivados, para as duas etapas programadas, mais o extra de Castelo Novo que tinha ficado adiada para hoje.

A tirada contemplava: Fundão-Castelo Novo-Idanha a Velha-Proença a Velha-Monsanto, por estradão sobe e desce às ondinhas, viria a ser a mais longa etapa dos 3 dias e a mais fácil em termos físicos, com subidas no inicio em Castelo Novo e no final em Monsanto, mesmo assim ainda rendeu 1475 de d+.

A paisagem rodeada pela serra da Gardunha, era muito diferente da montanhosa dos dias anteriores, os terrenos estavam carregados com plantios sobretudo laranjeiras, cerejeiras, pessegueiros e castanheiros, que beneficiam do clima protetor da serra.                                                                                                                           Os 17km até Castelo Novo, fizeram-se rapidamente.

Castelo Novo uma freguesia culminante da serra da Gardunha, com 400 habitantes, é um local aprazivel com o seu Castelo a servir de mote para uma visita aprofundada, que não a nossa de 30 minutos. Com uma história confusa e atribulada ao longo dos séculos, não posso deixar de transcrever uma passagem caricata aquando da reconstrução do castelo (…no reinado de D. Manuel I deu-se início à recuperação do velho castelo, o rei encarregou do assunto um escudeiro da Casa Real, este fez-se acompanhar de um pedreiro mestre de obras natural de Castela. Entre os dois estalou uma acessa polémica porque não se entendiam sobre os planos de recuperação. De várias acaloradas discussões, os dois partiram para a pancada, tendo o castelhano de fugir, trancado-se na igreja para não levar mais porrada…). Este caso, por ter ficado registado na história, naquele tempo sec XVI, deve ter sido uma sessão de pancadaria famosa.

A partir daqui retomamos novamente a GR22, interrompida ontem e aí vamos nós em andamento ladino com temperatura amena, virados a Atalaia do Campo, Orca, Aldeia de Santa Margarida, Proença-a-Velha, parando em duas destas aldeias para o reforço, pois toda a gente sabe que a base para termos um bom desempenho físico, é essencial dormir bem e comer bem e nós assim faziamos. Estas paragens técnicas, também serviam para animar um pouco os escassos habitantes perdidos do resto do mundo que gostavam de meter conversa connosco. Foi pena não termos mais tempo, pois seria interessante ouvi-los.

À medida que avançávamos pelo estradão da GR22, por entre medronheiros selvagens e vegetação rasteira o clima ia mudando, o terreno improdutivo tornava-se cada vez mais seco e árido, o pouco gado que encontramos tinha quase nada para pastar.

A Nossa Sra do Btt, que ontem nos protegeu das artimanhas da serra, hoje deve ter metido folga, porque num local, onde nada fazia prever, dois ilustres ddr contribuíram com nota maxima para o campeonato da cambalhota, ou então esta Sra é vingativa e foi a forma que arranjou para retaliar o frustrado assalto à caixa das esmolas no seu poiso em S.Jorge da Beira.

Antes de Proença-a-Velha, começamos a avistar ao longe numa grande derrapagem da encosta escarpada, Monsanto, o terminus da nossa aventura mas, antes de lá chegar fizemos um ligeiro desvio – que causou algumas resingadelas de contestação a um ddr, cheio de larica, para uma curta visita a Idanha-a Velha, uma aldeia com 60 habitantes, com uma historia interessante de povoamento por vários povos durante os seculos.

Dezanove kms depois, trepamos a última subida (762m), até à aldeia mais portuguesa de Portugal: Monsanto. Eram 14h00 do dia 10 junho, quando o lote dos 16 escolhidos terminaram esta fantástica  aventura. Restava lavar a cara e o mais que se pôde para tirar o pó e amenizar um pouco o cheiro a cavalo antes de alaparmos no “Petiscos & Granitos”, o único restaurante de Monsanto.

Em jeito de conclusão e arriscando falar por todos:

Foi um bom desafio, foi espetacular ter pedalado pelos pontos mais altos de Portugal, esgravatado por locais como as serras da Estrela, Açor e Gardunha de um lado para o outro em toda a sua plenitude.

Não esqueceremos a dificuldade que foi atravessar o vale inóspito e rude de Rossim nas Penhas Douradas.

Não esqueceremos a sensação de senhores da montanha aquando da escalada ao Picoto da Cebola.

Não esqueceremos a excitação das descidas técnicas a raiar o alucinante.

Cativou-nos sobremodo as paisagens montanhosas, as encostas íngremes e as formas graníticas bizarras suspensas nos píncaros das serras.

Foi uma viagem ao Portugal profundo, por aldeias históricas mediáticas, que nos despertou para a existência de locais extraordinários, infelizmente mal explorados pelos portugueses.

No fim sentimos alivio por ter acabado o massacre, mas passado estes dias todos, a nostalgia dos 3 dias de aventura por sitios incríveis, apoderou-se de nós.

Parabens Bruno pela elaboração meticulosa deste desafio que, nem as habituais resmunguices e a predileção por cerveja – apanágio do ADN dêdêrriano – beliscaram.

O espirito aventureiro dos ddr, mais uma vez prevaleceu…pronto, okay, mas a culpa foi do GPS, que desorientou o Martinho.

Fizemos jus à maxima do grupo “os desafios não são difíceis porque tentamos, é por não tentarmos que se tornam difíceis”

Parabens Duros de Roer

Dedicamos esta aventura aos ddr emigrantes e aos que não puderam participar especialmente ao chefe a recuperar de uma mazela física.

Obs: um grande obrigado ao António Barbosa que foi incansável no apoio  logístico

Os 15 ddr:

Francisco Ferreira, Emílio Santos, Celestino Palmeira, Paulo Santos, Emílio Hipólito, Filipe Correia, Narciso Ribeiro, Bruno Monte, António Maia, Tiago Costa, Martinho Anthony, Eurico Cunha, Miguel Dias, António Soares e Carlos Ribeiro

Miscelânea de fotos tiradas por: Narciso, Milo, Tozé, Bruno, Chico e Barbosa

Preparação para o GR22

Como só faltam 15 dias para a aventura pela Grande Rota 22 (GR22), das aldeias históricas de Portugal, os ddr ultimamente tem acelerado a preparação, sobretudo do caparro, para fazer boa figura nas horas da trepadura pela serra do Açor e Estrela, assim como no proximo domingo no Granfondo do Gerês.

Senão vejamos: hoje ao km 20, um ddr partiu a bike, ou seria a bike que partiu o ddr? Não, foi a bike que partiu para alivio deste e, não teve outro remédio senão chamar o pronto-socorro para voltar ingloriamente para casa com o rabo entre as pernas.

Como tal, para (des)equilibrar o grupo veio expressamente de Palmeira, outro ddr, o Seara, para o render, causando-lhe grande transtorno porque teve muita dificuldade em atinar com o caminho até ao ponto da bike partida e, mesmo assim não se livrou de um valente raspanete do vice chefe dos ddr Francisco Pinto Ferreira.

Outro, presume-se, não apareceu porque causa do trauma do quarto 304 da Figueira da Foz.

Quanto ao Nelson, houve quem pusesse a hipotese de alguem que lhe é muito proximo, ter encurtado a rédea por entender que já era tempo de entrar nos eixos. Deixa lá Nelson, toca (ou tocou) a todos.

E o Miguel? Esse estupor, continua indomável, com o gás todo desde há muitas semanas, não há quem o agarre e continua tambem a não deixar ninguem dormir enquanto pedala

Por o ultimo, o Martinho foi treinar em altitude, para não ficar mal visto (ainda mais), foi contar anedotas com o Fernando Rocha para a Corsega.

Algumas fotos deste domingo e do passado, atestam que foi mesmo duro e não foi a trabalhar p`ro bronze como disseram as más linguas…

 

 

Os escolhos dos ddr até Fatima

1.O Max mordeu o chefe, o ingrato em vez de corresponder às festas com uma lambidela, arreganhou os dentes e não foi de modas, escolheu os dedos da mão para cravar a dentuça, teve bom gosto e ainda bem que foi ao chefe, só se safou de levar uma valente biqueirada porque tinha o lombo protegido pelo ti Manel “Reco”.

Como a CMTV, passado uma semana ainda não se debruçou sobre este caso do Max, nós vamos antecipar-nos e contar aqui todos os pormenores aos nossos amigos e a quem não participou nesta peculiar aventura por motivos de força maior, como tudo aconteceu e também, já agora, para servir de aviso aos mais incautos para se defenderem das garras do malvado Max, se pensarem ir para as bandas de Mira, então foi assim:

Vamos começar pelo principio, no sábado dia 11, um grupo de 16 duros de roer saiu de Apulia por volta das 06h30, felizes de vida e bem-dispostos com rumo à Figueira da Foz. Com um dia tão lindo, nada fazia prever que alguém fosse roído, muito menos o chefe.

Ao som da musica espanta-ddr do Smart do Tino,  e sem bufarias do vento, rolavamos bem, Vila do Conde, Porto – nada de cair nos trilhos do elétrico e ficar perdido, isso foi noutros tempos -, VNGaia – só para tirar fotos – Afurada, é sempre muito agradável esta parte do percurso desde a foz do Douro até Espinho, tão agradável que o Campos extasiado com a paisagem, foi de encontro a um ciclista para lhe dar um abraço mas, este alem de ter rejeitado o abraço, ficou zangado e a barafustar e, em protesto  deixou grafitado na ciclovia a cor preta do pneu. Ingrato.

Ao km 70, cumpriu-se a tradição e aterramos nas bancas do peixe do campo da feira de Espinho, para atascar o bandulho com as sandoxas da marmita. Um facto curioso chamou a atenção do grupo quando no auge da mastigação, um ddr durão, chegado nas vésperas do estrangeiro, sedento, tentava abrir uma cerveja com…uma escova dos dentes. O jet-lag tem destas coisas.

Seguiu-se Ovar, Estarreja, a caminho de Aveiro um ddr armou-se em parvo e distanciou-se uns metros na frente do pelotão e o chefe lá teve de pôr ordem no aforo e foi lá à frente com o intuito de traze-lo para trás puxado por uma orelha. Mais tarde o carapau de corrida, desculpou-se que queria ganhar algum tempo para tirar fotos aos ninhos das gaivotas em cima dos porticos da estrada. Ficou tão nervoso com a reprimenda que confundiu as cegonhas com gaivotas.

Cento e cinquenta kms depois, chegamos a uma das parte mais complicada do percurso, Mira, a terra do Max, o feroz roedor de duros.

 

2.Entramos na quinta do Snr, Carlos Miranda, como se fossemos donos daquilo tudo, é preciso ter lata mas, este grupo tem lata de sobra, de imediato abancamos para atacar o leitãozinho(zão), ora foi nesta altura que se se deu o acontecimento do dia. O Max peludo, que andava por ali de nariz no ar com o seu guarda costas ti Reco a farejar o ambiente barulhento-garrafento-leitaozeiro-chouricento-amendoeiro, dava mostras de enfado por termos invadido o seu território, com cara de poucos amigos fazia-se de caro, de estrela de circo e foi só a pedido do ti Reco que a muito custo se sentou à mesa com um amigo da sua igualha mas menos peludo e, desconfiado começou a mancar os manfios quase todos de amarelo, trituradores de porquinhos e despejadores de garrafas, apesar de tudo, nada fazia prever o ataque de fúria arreganhada de que foi acometido.

Foi então que aconteceu, o chefe numa de charme, fez-lhe festas na cabeça e, o feroz do Max abocanhou-lhe os dedos da mão “Hã seu grande patife que levas já uma biqueirada e vais parar ao meio da lago” (as palavras não foram bem estas foram bem mais contundentes), balbuciou o chefe irritado, com o ti Reco ao lado do Max a sorrir da façanha do seu protegido.

O Milo, que não se apercebeu do sucedido, dali a um bocado, tambem com boa fé, tentou fazer o mesmo e o estupor do Max voltou a repetir a gracinha, deixando o Milo a remoer a desfeita mas, como o Milo não é o chefe, o mordanço não teve tanto impacto mediático e o raio do Max todo inchado, por ter amedrontado dois ddr de peso, continuou de focinho em riste a desafiar quem quisesse fazer-lhe mais festas, sempre com o ti Reco por guarda- costas, neste caso guarda-traseiros.

 

3.Este incidente com o bad Max e depois com o ti Reco, que interrompeu abruptamente a visita guiada aos moinhos d`a areia, do qual é o fiel guardião e o seu santuário de estimação, sem sabermos exatamente porquê – mas desconfiamos – ia gerando um incidente diplomático de proporções imprevisiveis se a atenção não fosse desviada para as burras de estrada que, para fugirem ao tradicional enforcanço nas arvores, meteram-se no Inô, o barco do lago, com os GPS e deixaram-se ir à deriva até ao meio do lago para ficarem longe dos carrascos enquanto estes continuavam entretidos em volta da mesa, o pior é que se esqueceram que não sabiam remar e como utilizar o GPS para regressar a chão firme, foi então que quatro abnegados ddr encabeçados pelo chefe, Martinho, Cunha e Nelson, formaram uma equipa de resgate e foram em seu auxilio para as resgatar. Uma operação difícil e demorada com contornos rocambolescos que, por pouco não foram fazer companhia aos óculos do Martinho do ano passado, foi por um triz.

Passado duas horas terminou a avacalhação e abandonamos a quinta e, se o incidente com o Max estava sanado, o do ti Reco nem por isso, o Futre era o mais inconformado com a visita aos moinhos interrompida e, para afogar as magoas fomos os 16, tomar café ao Cebola um pequeno bar/tasca, próximo da quinta.

Aquilo é que foi; tomamos de assalto a tasca, com toda a gente a gritar ao mesmo tempo por café e outras coisas, a cantar, aos saltos, felizes da vida por termos ultrapassado o obstáculo Mira com distinção, pese embora como já dissemos, a pedra Reco que continuava no sapato do Futre.

O Snr Cebola viu-se em palpos de aranha para servir tanta gente. Bebemos café até cair p`ro lado. Um ddr estava tão feliz que num gesto magnanimo, na despedida, deixou quarenta cêntimos para pagar a despesa (três cervejas), aos três clientes ainda não refeitos da tumultuosa invasão.

E foi assim que deixamos em paz o café do Cebola e fomos à vida, pedalar para a E109, continuando felizes, a gritar e a cantar e, apostados em terminar a operação Figueira da Foz ainda de dia mas não foi fácil.

 

4.Desta vez para variar, a chegada à Figueira fez- se por Quiaios e depois pela subida estuporada da serra da Boa Viagem – que não tem nada a ver com a subida pela E109 -,  fizemos mais 5kms do que previsto mas valeu a pena, a paisagem costeira com o cabo Mondego ao fundo é deslumbrante, descemos para Buarcos com o vento a soprar forte, e terminamos os 200 kms da etapa, pela marginal da Figueira até ao nosso velhinho hotel Aliança onde o dono distribuiu os ddr pelos quartos desde o 104 até ao….304 !!!

O dia não estava terminado, depois do banho e antes de fazer ó,ó, fomos à procura de comida.  Dos varios restaurantes a levar com o nega, finalmente o núcleo sportinguista da Figueira da Foz, foi o único restaurante das imediações do hotel, que aceitou dar-nos repasto. Para mal dos seus pecados ainda hoje devem estar arrependidos por se terem condoído com os 17 esfomedos que lhe bateram à porta que, depois do enfardanço tiveram de ser persuadidos a desistirem da ideia de fazerem sala até de manhã.

 

5.Manhã do segunda dia, 12 maio, caso raro, toda a gente estava a postos para o treino de domingo.

O dono do hotel, com sorriso à Gioconda, depois do pequeno-almoço, prenunciava alguma tempestade, mas o quê? O tempo estava tão lindo!

Antes de abandonarmos as instalações das burras, explicou que houve um desaguisado no quarto 304, qualquer coisa com as luzes de um candeeiro e da TV.

A explicação como é bom de ver, deu brado entre o trio que dormiu no 304 e o dono, pois não chegaram a entenderem-se. Nós é que não fomos em cantigas, percebemos logo que  queria publicidade ao hotel à nossa conta e, a provar a nossa teoria quando nos despedimos já tinha recolhido algumas assinaturas de hospedes felizes, afinal não é todos os dias que partilham um hotel com os famosos ddr, e, certamente não terão outra oportunidade de nos verem por lá, a unica oportunidade doravante é dormir no EC304, tornado a partir de agora o quarto mais icónico, com mais historia do hotel.

 

6.Os setenta e tal kms ate Fátima, fizeram-se num ápice, em toada calma e sossegada, o que para alguns ddr tornou-se perigoso porque iam adormecendo em cima das burras. Proximo do santuário deparamos com muitos peregrinos em pequenos grupos mas também com ranchos enormes, o habitual nas vésperas dos dias 13.

Quando chegamos ao recinto do santuário já se encontrava muita gente e continuavam a afluir grupos imensos de peregrinos depois de dias massacrantes e dolorosos a caminhar, chegavam felizes e diziam para os media, que por andavam por ali a fazer diretos e a quem os queria ouvir, que não havia palavras para descrever a felicidade que sentiam depois de tanto sofrimento.

Confesso que ao ouvi-los emocionados a descrever o que lhes ia na alma, fiquei com inveja, pois gostaria de ter a mesma fé que eles.

Quanto a nós por lá andamos algum tempo no meio da pequena multidão, isolados, cada qual na introspeção que entendia, favorecida pelo ambiente espiritual do santuario.

Foi uma bela aventura, com todos os ingredientes à moda dêdêrriana e até perdoamos ao Max e ao tio Reco.

Dedicamos esta aventura aos nossos ddr emigrantes e aos ddr que não puderam estar presentes, especialmente os: Paulo, Tozé e Emílio

Os 16 duros de roer de 2019 do XVIII Apulia – Fátima

Filipe Torres, Francisco Ferreira, Manuel Torre, Celestino Palmeira, Emílio Hipólito, Filipe Correia, Narciso Ribeiro, Tiago Costa, Anthony Martinho, Eurico Cunha, Miguel Dias, António Soares, Nelson Dias, Manuel Campos e Filipe.

Na logística, nos 2 dias:  Zacarias Palmeira

Condutor do autocarro de regresso: Narciso Lopes e Lino

 

Quem agarra o Miguel?

Juro que não fomos nós que assaltamos o café S.Bento na freguesia da Varzea, quer dizer, jurar jurar, talvez não, porque um elemento do grupo disse que dormiu pouco por ter feito um trabalhinho de noite até às quatro da madrugada e como não explicou o tipo de trabalhinho, pairam no ar algumas suspeitas e, como o criminoso volta sempre ao local do crime….mas, não, não foi ninguem do grupo que abriu à marretada uma porta na vidraça do café da Varzea onde nos reforçamos para fazer os restantes 40kms, até terminar o treininho pixante de 90kms que serviu essencialmente para lubrificar os músculos para o próximo fim de semana até ao concelho de VN de Ourém.

Enquanto pedalávamos pela Povoa, Famalicão, Barcelos, Feitos, Esposende e etc, na Régua quatro ddr: Bruno, Cunha (fez parte da equipa Maulini Sá da Suiça), Tozé e Miguel, também pedalavam pelas espetaculares estradas dos socalcos das vinhas do Douro pois fizeram parte dos 2384 ciclistas que embarcaram  na Régua para a aventura de participar no 5º Douro Granfondo e a prova correu tão bem que o Miguel, novato nestas coisas de granfondices, ficou tão eufórico com a experiencia que já avisou ao mundo dederriano que a partir de agora vai participar em todos os granfondos e dos mais compridos que lhe apareçam pela frente. Assim é que é, grande Miguel e se o Cunha, dois dias antes do Douro, foi a Santiago de Compostela em 10 horas, só numa tirada, o Miguel a continuar assim, quem o agarra ? A pedalar deste jeito sem estribeiras, daqui a pouco vai a Santiago com a zirinha de estrada e volta no mesmo dia e se for numa quinta ainda sobra tempo para fazer o treino à noite.

Para terminar fica a promessa ao Nelson, de que havemos de ir à Vacaria nem que seja de…mota! eh, eh

 

O Anthony de Vila Cova

O Martinho, o Anthony de Vila Cova, uma freguesia do vizinho concelho de Barcelos, cujo grau de importância na geografia do concelho, quiçá do país, subiu depois da construção de uma ponte. Não temos informação certa, mas a fazer fé na foto publicada no Messenger pelo Anthony, desconfiamos que o mentor e construtor da sólida ponte, que muito irá beneficiará a…passagem das burras? Bom, não interessa, tenha sido o injinheiru Martinho.

O chefe de uma equipa, ou alguém com responsabilidade num grupo de trabalho, desporto ou outra coisa qualquer, quando se esquece de enaltecer as virtudes de alguém que por qualquer motivo sobressai no seio do grupo, não merece um minuto de atenção.

Atentem no pormenor da ponte ao que se supõe construida pelo injinheiru Martinho

Sendo assim, vamos lá falar de dois ddr que se destacaram no ultimo treino. Comecemos pelo Martinho por ser um dos ddr do dia e o mais bonito e também o mais badalado por causa da tal ponte robusta que construiu na sua terra.

O Anthony é na verdade um DURO, domingo mais uma vez demonstrou que desistir é para os fracos. Saiu de casa com a roda da burra em pantanas, confiado no apelo lançado no dia anterior através do Messenger, para que o grupo não o deixasse apeado, o que é sempre um risco com a esta seita e, sem se atemorizar que o maralhal o mandasse p`ro coiso e tivesse de voltar para casa com o rabo entre as pernas, no domingo lá apareceu com a burra sem ar dentro da carrinha e ficou à espera até que, alguém teve pena dele e o desenrascou, não fez como aquele pseudo ddr que uns dias antes desistiu por ter o pneu furado.

E o Anthony continuou a dar uma lição de fair play, durante os 120 kms de treino, nunca esmoreceu nem sucumbiu às bocas quando lhe chamavam lesma e outros epítetos do género, tudo encaixava na boa, chegando mesmo a dar moral ao chefe – com algumas dificuldades de saúde -, para…. apanhar um táxi!. Tambem não era preciso exagerar.

O Martinho é assim com um  fair play do tamanho do mundo e demonstrou mais uma vez que não é por causa de uma avaria e a falta de uma caixa toráxica cavalar, para ser um grande DURO. Grande injinheiru, grande Martinho.

O outro ddr do dia, foi o chefe Filipe que apesar de debilitado fisicamente e com falta de rodagem, aguentou 106km e com AVG a ultrapassar os 29km.

Foi um treininho engraçado, para desempoeirar para os 270km até Fatima daqui a quinze dias e para os Granfondistas que vão participar no próximo domingo na Régua no Douro granfondo.

Domingo há mais, até lá cuidem-se!!!

Chloc, chloc…

No domingo passado tivemos tempo para tudo, até deu para tomar banho de imersão no rio Neiva, hoje como andamos toda a manhã ocupados durante 50km, a limar e a arredondar arestas do traçado da maratona do Luso Galaico – esse grande acontecimento de btt, que terá lugar já no próximo fim de semana nos dias 13 e 14 -, para não perder tempo, diversificamos e tomamos banho de chuveiro em andamento e nem nos importamos que a água estivesse gelada, o único problema que detetamos é que a canalização devia estar avariada, porque não havia modo de fazer parar a torrente de água que continuava a sair pelo chuveiro em abundancia e a infiltrar-se pelos buracos do capacete e depois ia por ali abaixo e como se não bastasse ainda tivemos de levar com o protesto dos sapatos até casa, bebedos da água do banho a fazer chloc, chloc.