Os ddr pela Grande Rota 22

1.Já passaram 13 dias desde que terminou mais uma aventura dos ddr, desta feita  pelas regiões da Beira-Alta e Beira -Baixa, onde se situam as maiores altitudes de Portugal Continental. Desde então, uns quantos ddr têem andado por aí à solta, por estrada por monte os ddr tem-se desunhado a manter a forma como ainda hoje no banho de água e lama, pelos singles tracks de Rates, que saudades de um treino assim, ou 150km de estrada até ao Gerês, bom…aqui só para o Cunha e o Miguel, das centenas de kms feitos pelo Bruno ou da primeira vez do Nelson até à Vacaria, os ddr continuam a cuidar da coiro, à espera da próxima aventura.

E é para falar da ultima aventura, principalmente para quem não participou por motivos óbvios, fizemos uma resenha do que aconteceu nos dias 8/9/10 de junho.

Na madrugada do dia 8 junho, 16 elementos – 15 ddr e um na logística -, arrancaram de Apulia, dispostos a concretizar uma aventura de três dias, planificada em dezembro, pela região centro, tendo como objetivo claro e ambicioso: fazer 4 etapas da grande rota 22 (GR22), das Aldeias Históricas de Portugal em 2 dias e meio, com começo em Linhares da Beira, uma aldeia pertencente ao parque natural da serra da Estrela, com 300 habitantes, do distrito da Guarda, conhecida também por ser a capital do parapente.

Dos 565km da GR22, compostos pelas 12 aldeias históricas, escolhemos o percurso das aldeias mais emblemáticas (ou mais badaladas): Linhares da Beira, Piodão, Castelo Novo, Idanha-A Velha e Monsanto mas, em contrapartida o que exigia esforço físico mais elevado.

Chegamos cedo e a primeira coisa que fizemos quando saímos das carrinhas de apoio, foi tomar de assalto uma cerejeira carregada de fruto – estes assaltos a cerejeiras foram uma constante ao longo dos dois dias, ao terceiro fartos de barrigadas de cerejas nem olhavamos para elas.

O lote de ddr era diversificado: com o comando geográfico e assertivo do Bruno, a irreverencia do possante Miguel, a eficiencia do speed Cunha, do discreto Paulo, da voz de comando do Milo Santos, da assertividade das piadas corrosivas do Seara, do Tozé o homem das fotos artísticas, do pragmatismo do Futre, do destemido Berto, do expectante Soares, da abstração do Milo, do incontronavel Martinho…à Martinho, do vamos lá do Tino e dos atentos pastores Chico e Narciso a tomar conta do rebanho, com o imponente castelo da aldeia a servir de testemunha, ao ronco “bóóóra…” do Milo Santos e em modo de subida, demos inicio ao que viria a ser uma extraordinária aventura da melhor forma, ou seja, a trepar a serra da Estrela.

Às curvas e contracurvas pelo estradão, depressa atingimos – palavra usada muitas vezes pelo Seara -, a estrada do planalto de Videmonte/Malhão. Aqui, mal tivemos tempo para respirar, porque logo a seguir o trilho 12 da Santinha, do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE), com uma inclinação fodida, esperava por nós. Foi a parte mais difícil em termos de inclinação neste 1º dia até ao Pico da Santinha, o ponto mais alto de toda a GR22, com 1600m, o 2º maior do continente.

A partir daqui foi pedalar a toda a força pela cumeada, passando pelo posto de vigia da Santinha e pela casa abandonada dos serviços florestais até pararmos para o merecido reforço num bar improvisado no largo da estrada de alcatrão perto do Vale de Rossim, da nascente do Mondego e a uns escassos 10kms da Torre.                                                    Estavamos no centro onde se encontram as maiores altitudes de Portugal continental – Torre na serra da Estrela com 1993m e Portugal Insular, a montanha vulcânica da ilha do Pico com 2351m.                                                                                                                        Quem nos visse, sentados descontraidamente a tragar fatias de presunto e sandes xxl do mesmo produto, com queijo da serra que davam para duas refeições, acompanhadas pelos ataques contagiantes do riso istrionico do Martinho e das corrosivas piadas do Seara e companhia, ninguem diria que já tínhamos esgatanhado uns quilometresitos pela serra mais alta do Continente.                            Estavamos tão descontraídos, que quando a voz de trovão do Milo Santos ecoou “…bóóóra”, é que tivemos consciência que o recreio terminou e que o melhor era continuar.                                                                                                                                  E, continuamos pelo duro mas excitante percurso delineado ao pormenor pelo Bruno, agora pelo Vale de Rossim  em pleno coração da Serra da Estrela nas Penhas Douradas, situado junto ao maior vale glaciar da Europa, onde o seu manto de água atrai tudo o que são veraneantes das redondezas, sendo a sua praia uma das mais famosas do PNSE, assim reza o painel informativo fixado junto à albufeira, concluindo que Rossim é um local único de grande valor científico – Convem recordar que não seguimos o percurso tradicional à risca, de resto era quase impossível porque os incêndios destruíram toda a sinalética do Vale. Devido à morfologia íngreme e irregular do terreno aos altos e baixos, cheio de tôcos aguçados das giestas queimadas, grande parte cobertos por vegetação, o trilho, ou o que restava dele, estava assinalado com montinhos de pedras que, o Cunha na frente com o seu faro apurado ia descobrindo. Tornou-se muito perigoso atravessar o vale cheio destas ratoeiras a cada metro e a prova disso, houve pontuações (e calções e pele rasgadas) de 10 pontos para o campeonato da cambalhota e um elemento teve de ser resgatado depois de andar perdido durante meia hora, adivinhem quem? pois…. foi esse mesmo.

A 6 kms de Rossim, com altitude mais baixa 1053m, fica a aldeia de Sabugueiro. O acesso de bike, faz-se por trilhos técnicos, dificultados por pedras grandes.

Sabugueiro é conhecida por ser a “Aldeia mais alta de Portugal”, contudo parece que não é verdade, a aldeia mais alta é as Penhas da Saude, que fica na vertente sul da serra da Estrela, a 1500m. Quase deserta, esta aldeia foi a mais descaraterizada que vimos, pelas construções “mamarracho” que não se enquadram minimamente na região do PNSE a que pertence.              Paramos o tempo suficiente para tomar café e atestar os níveis de glicogénio e ala porque ainda faltava muitos kms até ao Piodão.

Com pequenos enganos e desatenções de navegação, rapidamente corrigidos, do qual o mais caricato foi quando acabou o trilho na descida para Vide e não nos restou outra solução – porque voltar para trás e subir o monte com inclinação estuporada não nos agradava -, do que carregar as burras às costas e descer pelo pinhal íngreme, todo queimado em direção a Vide, uma aldeia com 600 habitantes, que fica no extremo do PNSE, a 25km da Torre, atravessada pelo rio Alvoco onde se pescam as melhores trutas de Portugal, como propagava um placard no centro da aldeia.                                                                                                                                      Uma pequena paragem para comprar comida, abandonamos definitivamente o Parque Natural da Serra da Estrela, a Grande Rota continuava agora pela Paisagem Protegida da Serra do Açor, com zonas de grande beleza e pontos turísticos a merecer uma visita mais demorada.

A parte final entre Vide e Chãs D`Egua (Piodão), uma aldeia de xisto onde pernoitamos, fez-se por estrada de alcatrão sempre a subir, principalmente os últimos kms, a partir de Foz D`Egua.

Enquanto aguardavamos calmamente na Foz por instruções do Bruno – que, entretanto, tinha ido tratar da burocracia do alojamento junto do nosso cicerone João -, qual o rumo a tomar, aproveitamos os 3/4 d`hora de espera, entretidos a despojar de fruta mais uma cerejeira, entretanto o GPS do Martinho, resolveu fazer-lhe um manguito e deixou-o à deriva. Quando preparavamos uma operação de  resgate, deu à costa zangado a barafustar em altos decibéis, com o Chico e Narciso, por o terem deixado tresmalhado do rebanho sem que ninguem desse cavaco. A coisa esteve tão complicada que o Martinho até ameaçou rescindir o contrato e mudar de emblema.                                                                                                                    O que seria do grupo sem o nosso Martinho? Claro que não seria a mesma coisa, e, não temos dúvidas que apesar do mau feitio quando come muitas cerejas e fica com as pernas pesadas e dor de barriga, um dia quando for canonizado e vai ser, pela pachorra que tem em aturar a cambada, na sua lápide escrever-se-á: “S. Martinho, padroeiro dos bettistas extraviados”.

Tal como previsto e apesar de todas as vicissitudes, chegamos ao fim da 1ª etapa dentro do controle, ao local onde conseguimos alojamento: Chãs D`Egua, Piodão.                     Terminamos com um jantar em Piodão numa esplanada ao frio, foi o que se arranjou, mas ainda houve tempo para cantar os parabéns ao nosso cartográfico Bruno pelo seu aniversário.

O lote dos 15 ddr, parecia não acusar o desgaste de ter começado a labutar às 4h00 da madrugada, ter feito 230kms e andado todo o dia a coçarem-se pela serra da Estrela e a provar isso o Miguel até aproveitou o tempo das paragens para fazer alongamentos com um tronco de arvore e o Cunha fez uns extras por outros montes porque… ainda não tinha subido nada de jeito.

2.Segundo dia, 9 junho.

Depois de uma noite bem dormida no meio de um silencio sepulcral, interrompida às 5h pelas badaladas do sino da torre, às 7h30, toda a gente estava abancada em volta da mesa do pequeno-almoço com vista privilegiada para o vale circundante da serra.                                                                                                                                            O inicio desta exigente etapa, Chãs D´Egua (Piodão)-Fundão (Castelo Novo), é coincidente com o fim da anterior, foi mais do mesmo, subir, subir e subir.

O espírito do grupo continuava em alta e motivado, o mais importante e, se no 1º dia começamos a fazer o aquecimento a subir a serra da Estrela, no 2º começamos o aquecimento a subir em ziguezague a serra do Açor até ao planalto do cume de S.Pedro do Açor e, como diz a lei da física, pelo menos no planeta terra, tudo o que sobe, depois desce.

A descida técnica que se seguiu até ao parque das eólicas compensou-nos um pouco do esforço anterior, o que não imaginávamos é que ainda tínhamos de calcorrear os estradões das eólicas até ao ponto mais alto da serra: o cume do Picoto da Cebola (1418m), o 5º ponto mais alto de Portugal, 9º se incluirmos os arquipelagos. Com o vento a soprar forte e frio de Noroeste, foi, talvez a parte mais exigente do dia mas tambem a mais excitante e espetacular.

Deste ponto, em plena serra do Açor, sozinhos – desde que saímos de Piodão nunca encontramos vivalma -, eramos os senhores das montanhas, foi um privilégio contemplar a cordilheira de serras, com a Torre a sobrepor-se. Ao ver daqui as minúsculas aldeias no fundo dos vales, a soberba omnipotência da natureza, sentimos que a coisa mais passageira desta vida somos nós, a paisagem é que deveria ter pena de nós.

Demoramos pouco tempo, com o vento e o frio custava estar parado, abandonamos o “Cebola” e começamos a descida vertiginosa que nos levaria até à aldeia, por estradão irregular, com muitas pedras soltas, foi rápida, algo louca e arriscada, ultrapassando muito vezes a red-line que o bom senso aconselhava a não ultrapassar.

A Nossa Senhora do BTT, deve ter-se condoído connosco e desta vez protegeu-nos a todos, pelo menos nesta descida, noutras virou-nos as costas e o resultado foi bom para a pontuação do Campeonato da Cambalhota.                                                            É verdade, existe Nossas Senhoras e Senhores para todos os gostos e conveniências mas, nunca imaginamos que havia uma Senhora Bettista.                                           Foi pois, com surpresa, que de repente se nos deparou à entrada da aldeia de S.Jorge da Beira, um nicho bem cuidado com a imagem de uma senhora: a Nossa Sra do BTT.                                                                                                                            Bem vista a coisa, as maluqueiras são tantas que até faz sentido a existência desta Sra. Um ddr, discretamente tentou assaltar a caixa das esmolas mas, sem sucesso, alguém deve ter-se antecipado porque a caixa aparentava estar vazia.

Como em S.Jorge da Beira, uma aldeia mineira, desenvolvida em grande parte pela população mineira que trabalhou na extração do volfrâmio nas minas da Panasqueira, não havia nada para comer, continuamos a GR22, passando pelas aldeias também mineiras de Unhais-o-Velho, Portela de Unhais, para finalmente em Dornelas do Zêzere encontrar um restaurante que às 14h30, teve paciencia para esperar por nós para nos matar a fome.

Ao fim de uma hora, com a barriguinha atestada e boa disposição, levantamos ferro  do comedouro “Os Amigos”, atravessamos o rio Zêzere e, o que deve ser feito, tem de ser feito de qualquer modo, por isso não tivemos outra aternativa com a pança cheia, que trepar  por um bom estradão ladeado de pinheiro bravo, para depois ao sobe e desce, durante uma hora e meia, desaguar na serra da Gardunha.  Com os seus 1227m de altitude, a serra da Gardunha tem 20km de comprimento e 10 de largura, situa-se na Beira-Baixa, nos concelhos do Fundão e Castelo Branco.

Depois do efeito surpresa das paisagens impressionantes do primeiro dia e da serra do Açor, as paisagens da serra da Gardunha, sobre a Cova da Beira, serra da Estrela e Covilhã, eram igualmente impressionantes, próprias para quem gosta de fotos bonitas.

Como a hora já ia adiantada e ainda faltava uns quantos kms, o nosso navegador  Bruno, aconselhou a deixar Castelo Novo para o dia seguinte, com o consenso de todos, reprogramou-se o GPS p`ro Fundão.

A louca descida (mais uma), da Gardunha que se seguiu, fez-se por estrada de alcatrão – o Berto jurou que foi aos 80km -, finda a descida, os últimos kms até ao Fundão, estavam rodeados de imensas cerejeiras o que não é de estranhar afinal estávamos na zona da capital da produção da cereja por excelencia, a nossa estadia até coincidiu com o festival da cereja do Fundão na freguesia de Alcongosta. Com tanta oferta à beira da estrada, não nos fizemos rogados e atacamos em força às apetitosas cerejas, e foi um fartar vilanagem até ao Fundão.

Terminamos o dia com uma churrascada, num restaurante/tasca que, por azar, a proprietária era alérgica ao futebol e não houve Portugal-Holanda p`ra ninguem durante a 1ª parte. Na 2ª parte cedeu aos furiosos pedidos dos ddr e lá mudou de canal a tempo de ver Portugal vencer a taça de meia dúzia de nações.                      Para descomprimir da churrascada, fomos de autocarro ao festival   da cereja em Alcongosta, mas a coisa estava fraquita e o ambiente frio não ajudava, provavelmente por causa do futebol mas, ainda deu para ouvir cantar o Tatanka, uma street band de jazz animar a rua e o fim de um concerto de musica Celta. Cerejas aquela hora só em shots.                                                                                               Tirando umas dores de barriga ao… sim…foi esse, originadas pelo enfardamento      cavalar de cerejas, terminamos a espetacular aventura do dia, com o mesmo espirito do dia anterior e em bom estado de conservação. Só não houve levantamento de tronco desta vez porque o Miguel não estava para aí virado.               A 2ª etapa estava concluída.

3.Terceiro dia, 10 junho.

Dia de Portugal e dia de terminar a nossa aventura pelas Beiras.                             Caso raro nesta aventura: não constou que alguém dormisse mal ou pouco, o que é sempre motivo para assinalar.                                                                                                Estavamos prontos e continuavamos motivados, para as duas etapas programadas, mais o extra de Castelo Novo que tinha ficado adiada para hoje.

A tirada contemplava: Fundão-Castelo Novo-Idanha a Velha-Proença a Velha-Monsanto, por estradão sobe e desce às ondinhas, viria a ser a mais longa etapa dos 3 dias e a mais fácil em termos físicos, com subidas no inicio em Castelo Novo e no final em Monsanto, mesmo assim ainda rendeu 1475 de d+.

A paisagem rodeada pela serra da Gardunha, era muito diferente da montanhosa dos dias anteriores, os terrenos estavam carregados com plantios sobretudo laranjeiras, cerejeiras, pessegueiros e castanheiros, que beneficiam do clima protetor da serra.                                                                                                                           Os 17km até Castelo Novo, fizeram-se rapidamente.

Castelo Novo uma freguesia culminante da serra da Gardunha, com 400 habitantes, é um local aprazivel com o seu Castelo a servir de mote para uma visita aprofundada, que não a nossa de 30 minutos. Com uma história confusa e atribulada ao longo dos séculos, não posso deixar de transcrever uma passagem caricata aquando da reconstrução do castelo (…no reinado de D. Manuel I deu-se início à recuperação do velho castelo, o rei encarregou do assunto um escudeiro da Casa Real, este fez-se acompanhar de um pedreiro mestre de obras natural de Castela. Entre os dois estalou uma acessa polémica porque não se entendiam sobre os planos de recuperação. De várias acaloradas discussões, os dois partiram para a pancada, tendo o castelhano de fugir, trancado-se na igreja para não levar mais porrada…). Este caso, por ter ficado registado na história, naquele tempo sec XVI, deve ter sido uma sessão de pancadaria famosa.

A partir daqui retomamos novamente a GR22, interrompida ontem e aí vamos nós em andamento ladino com temperatura amena, virados a Atalaia do Campo, Orca, Aldeia de Santa Margarida, Proença-a-Velha, parando em duas destas aldeias para o reforço, pois toda a gente sabe que a base para termos um bom desempenho físico, é essencial dormir bem e comer bem e nós assim faziamos. Estas paragens técnicas, também serviam para animar um pouco os escassos habitantes perdidos do resto do mundo que gostavam de meter conversa connosco. Foi pena não termos mais tempo, pois seria interessante ouvi-los.

À medida que avançávamos pelo estradão da GR22, por entre medronheiros selvagens e vegetação rasteira o clima ia mudando, o terreno improdutivo tornava-se cada vez mais seco e árido, o pouco gado que encontramos tinha quase nada para pastar.

A Nossa Sra do Btt, que ontem nos protegeu das artimanhas da serra, hoje deve ter metido folga, porque num local, onde nada fazia prever, dois ilustres ddr contribuíram com nota maxima para o campeonato da cambalhota, ou então esta Sra é vingativa e foi a forma que arranjou para retaliar o frustrado assalto à caixa das esmolas no seu poiso em S.Jorge da Beira.

Antes de Proença-a-Velha, começamos a avistar ao longe numa grande derrapagem da encosta escarpada, Monsanto, o terminus da nossa aventura mas, antes de lá chegar fizemos um ligeiro desvio – que causou algumas resingadelas de contestação a um ddr, cheio de larica, para uma curta visita a Idanha-a Velha, uma aldeia com 60 habitantes, com uma historia interessante de povoamento por vários povos durante os seculos.

Dezanove kms depois, trepamos a última subida (762m), até à aldeia mais portuguesa de Portugal: Monsanto. Eram 14h00 do dia 10 junho, quando o lote dos 16 escolhidos terminaram esta fantástica  aventura. Restava lavar a cara e o mais que se pôde para tirar o pó e amenizar um pouco o cheiro a cavalo antes de alaparmos no “Petiscos & Granitos”, o único restaurante de Monsanto.

Em jeito de conclusão e arriscando falar por todos:

Foi um bom desafio, foi espetacular ter pedalado pelos pontos mais altos de Portugal, esgravatado por locais como as serras da Estrela, Açor e Gardunha de um lado para o outro em toda a sua plenitude.

Não esqueceremos a dificuldade que foi atravessar o vale inóspito e rude de Rossim nas Penhas Douradas.

Não esqueceremos a sensação de senhores da montanha aquando da escalada ao Picoto da Cebola.

Não esqueceremos a excitação das descidas técnicas a raiar o alucinante.

Cativou-nos sobremodo as paisagens montanhosas, as encostas íngremes e as formas graníticas bizarras suspensas nos píncaros das serras.

Foi uma viagem ao Portugal profundo, por aldeias históricas mediáticas, que nos despertou para a existência de locais extraordinários, infelizmente mal explorados pelos portugueses.

No fim sentimos alivio por ter acabado o massacre, mas passado estes dias todos, a nostalgia dos 3 dias de aventura por sitios incríveis, apoderou-se de nós.

Parabens Bruno pela elaboração meticulosa deste desafio que, nem as habituais resmunguices e a predileção por cerveja – apanágio do ADN dêdêrriano – beliscaram.

O espirito aventureiro dos ddr, mais uma vez prevaleceu…pronto, okay, mas a culpa foi do GPS, que desorientou o Martinho.

Fizemos jus à maxima do grupo “os desafios não são difíceis porque tentamos, é por não tentarmos que se tornam difíceis”

Parabens Duros de Roer

Dedicamos esta aventura aos ddr emigrantes e aos que não puderam participar especialmente ao chefe a recuperar de uma mazela física.

Obs: um grande obrigado ao António Barbosa que foi incansável no apoio  logístico

Os 15 ddr:

Francisco Ferreira, Emílio Santos, Celestino Palmeira, Paulo Santos, Emílio Hipólito, Filipe Correia, Narciso Ribeiro, Bruno Monte, António Maia, Tiago Costa, Martinho Anthony, Eurico Cunha, Miguel Dias, António Soares e Carlos Ribeiro

Miscelânea de fotos tiradas por: Narciso, Milo, Tozé, Bruno, Chico e Barbosa

Don João “O Xanatas”

Se perguntarmos aos ddr quem é o João Zão, poucos saberão quem é  mas, se dissermos “O Xanatas”, todos sabem quem é esta peculiar personagem, que nos acompanhou várias vezes nas nossas aventuras principalmente pelos Caminhos de Santiago e Fátima. O João é um grande destrambelhado, com fibra atlética mas, com muita dificuldade em arrumar direitinho as gavetas do armário. Quem é o atleta capaz de ir de Fão até Viana do Castelo (30km), num skate? O João foi esse atleta “…só me custou um bocado na ultima subida, porque a perna começava a ficar cansada…” , respondeu o nosso amigo, quando lhe perguntamos se custou muito. Se quisesse e tivesse vocação para arrumar as tais gavetinhas no sitio certo, não há duvidas que seria um atleta de topo.

Mas esta do skate, é só uma das muitas façanhas do João Zão, para descrever as aventuras mirabolantes deste duro despenteado, seriam precisas muitas páginas e no fim daria um livro volumoso.

Os ddr tem bem presente o episódio daquela vez  quando próximo de Fátima, a bike do João empenou, sem se perturbar pôs a burra na carrinha de apoio e fez os restantes 8 kms a correr e…descalço, e, não nos custa nada acreditar que é o único peregrino em bicicleta de toda a história dos Caminhos de Santiago, que fez o Caminho Frances, com umas chanatas calçadas, um par de bermudas a servir de calções e a bagagem  dividida por dois sacos a tiracolo, um à frente e outro atrás a servir de contrapeso.

O João sempre demonstrou alguma dificuldade em pedalar em grupo, por isso opta sempre por andar na dianteira do pelotão chegando a desaparecer da nossa vista e, em consequência dessa apetencia solitária, perde-se com frequencia mas, quando isso acontece, não nos preocupamos, porque sabemos que ao fim de umas horas ele irá aparecer como se nada tivesse acontecido.

Além de ser nadador salvador, no verão também toma conta da concessão das barracas e do bar da praia do Ofir e, em parte, é por força destas novas obrigações que deixou de nos acompanhar nas nossas aventuras.

Com o passar do tempo, pensávamos que se tivesse auto regenerado e agora estivesse mais comedido nas suas peculiares odisseias mas, depois de há duas semanas, o ver-mos na partida do Transcávado, sem capacete, com os calções bermudianos e sapatilhas brancas, as duvidas da auto regeneração dissiparam-se num instante. O nosso amigo “Xanatas”, continua fiel ao que sempre foi, um grande atleta destrambelhado, um caso de estudo.

Aqui ficam algumas fotos do nosso herói e o vídeo de ontem no intervalo do treino dêdêrriano:

 

OS ddr pelo Caminho Português da Costa

1.10 de junho, dia de Portugal e da Comunidades Portuguesas, dia em que quatro atletas duros de roer comó…escalaram por Aldreu o ponto mais alto do concelho de Barcelos, o S.Gonçalo, bom, mas nós não estamos aqui para alardear as façanhas corriqueiras de cicloturismo de domingo, mas para tentar descrever as peculiares incidências dos ddr pelo Caminho Português da Costa que o grupo trilhou há uma semana.

 

2.No passado domingo, dia 3, concluímos uma rota dos Caminhos de Santiago iniciada no dia anterior. Escolhemos fazer pela segunda vez em oito anos o Caminho Português da Costa, porque, dos dezoito ddr deste ano, só cinco é que o tinham feito de mtb e dois a pé.

Em 2010, fomos um dos dois grupos em bicicleta, com a particularidade de sermos o único grupo em autonomia que participou na estreia oficial deste caminho que, na altura era um caminho quase desconhecido, as referencias sobre esta rota medieval eram escassas, a sinalética era praticamente inexistente, daí para cá muita coisa melhorou, desde a criação de albergues a uma boa sinalização, muito por graça e empenho do Sr Manuel Rocha da Propedal e da Associação Jacobeia Via Veteris de Esposende que tem sido incansáveis no dinamismo e melhoramento da via até Castelo Neiva. Atualmente das cerca de trinta rotas oficializadas a Santiago de todos os pontos da europa, o Caminho Portugues da Costa, que também atravessa o centro da vila de Apulia, já é, depois do Caminho Frances, o 2º Caminho mais peregrinado e o que mais tem crescido nos últimos anos.

 

A partida do grupo dos 18

3.Comecemos então por descrever como correu a nossa maratona a Santiago, principalmente para os nossos amigos e ddr no estrangeiro e outros ddr que não puderam estar connosco.

Tivemos a sorte de começar o caminho a partir de casa. Com um novato nestas coisas dos caminhos de Santiago, o António Soares, o Tone, que durante dois dias foi o Tone dos credenciais, mais adiante explicamos porquê.

Sendo um dos maiores grupos de sempre, os 18 ddr, apresentaram-se programados e bem atestados de calorias para roer os 160km, da etapa do dia que haveria de terminar em Pontevedra.

Só com 41 minutos de atraso da hora prevista, o que para os padrões dederrianos até foi bom, às 06h11, começamos a dar ao pedal. Deu logo para perceber que não haveria moleza, toda a gente estava desejosa de ativar o pedaleiro rapidamente e lá fomos virados a norte com o tempo porreiro a ajudar-nos.

O caminho até Anha, onde fizemos a primeira paragem, fez-se num ápice, paramos para registar em foto a lápide do Saraiva, um individuo natural de Apulia que os ladrões mataram com um tiro há…182 anos, hum, quem seria este personagem? Até hoje ninguém soube responder, mas pelo aparato da campa bem cuidada, deve ter sido um tipo importante ou cheio de pastel.

Quem seria este personagem?

O grupo continuou a zimbrar (gostamos desta palavra inventada pelo Chico e por isso vamos utiliza-la muitas vezes neste texto porque encaixa bem no perfil do grupo nestes dois dias), sem olhar para o lado, tentando aldrabar a máxima do caminho “Amigo peregrino ou aventureiro, não faças o caminho, deixa que o caminho o faça a si”, pois, pois.

Paravamos de vez em quando, para o moço de primeira viagem, o Tone, a quem foi atribuída a nobre missão pelo traquejado Chico, de carregar e carimbar as credenciais dos todos poderosos duros de roer e, não adiantou nada que o recruta Soares aspirante a ddr fizesse má cara, porque o Chico que o adoptou como seu amparado e lhe ensinou os truques da missão, rapidamente o punha na linha quando tentava a esquivar-se às carimbadelas.

Depressa chegamos a Viana do Castelo, onde nos despedimos do ddr Cesar que fez questão de nos acompanhar até aqui e só não continuou mais um pouco porque no dia seguinte tinha o Geres Granfondo para roer e tinha de se precaver para o exigente ismifranço das estradas de pixe pelos montes do Geres.

 

Frontaria da casa onde morou o poeta Pedro Homem de Melo

4.Agora a caminho de Ancora, o Bruno ia avisando que a qualquer momento passariamos por um lugar paradisíaco em Cabanas, uma freguesia de Afife, onde o poeta, professor e folclorista Pedro Homem de Melo, escolheu para escrever e viver grande parte da sua vida no Convento de Cabanas junto ao rio com o mesmo nome. Foi autor de variadíssimos poemas, quem não conhece os poemas “Povo que Lavas no Rio” ou “Havemos de ir a Viana”, cantados por Amália Rodrigues? E outros poemas igualmente cantados por vários artistas dentre deles Sérgio Godinho, até os sargaceiros d`Apulia tem poemas de Pedro Homem de Melo no seu reportório.

Certamente um local que merece ser revisitado com mais calma.

Quando chegamos a Ancora o local do reforço, a “larica” estava em alta, as pedras do caminho que não nos deram tréguas desde Viana, provocando tremeliques sem fim nas burras, ajudaram ainda mais a acelarar a baixar os níveis de glicogeneo nos 18 atletas zimbradores.

O grupo conseguiu aguentar mais ou menos todo junto até Ancora mas, de repente ficou esfrangalhado em três, um classico dederriano, um grupo virou a norte, outro a sul, todos com a certeza que o caminho “é por  aqui”. Quando enfim voltaram a juntar-se, já os dois primeiros grupos estavam a preparar-se para roer as sandoxas da carrinha de apoio estacionada na marginal, junto ao forte de Ancora.

Mais uma carrada de ddr, prestes a atracar em a Guarda

Com o papinho atestado, só tivemos de pedalar mais 8km até Caminha e dar por terminada a pedalação por terras lusas. Faltava agora a operação de atravessar o rio para a margem galega, A Pasaxe em  Guarda.

O ferry que tinha obrigação de nos transportar, permanecia assapado no lodo do rio à espera da preia-mar para pegar ao trabalho às 15h00. Como a essa hora já queríamos estar a caminho para lá de Baiona e como não estávamos interessados em fazer mais 30km pela ponte em V.N.Cerveira ativamos o plano B e contratamos uma barcoita, táxi mar, com lotação para cinco pessoas e 5 burras e lá  andou a fanicar para um lado e para o outro pelo estuário do rio Minho, fazendo quatro carretos para passar toda maralha para o  estrangeiro, demorando a operação Caminha-Pasaxe 1h15.

Esta travessia aguada acabou por beneficiar toda a gente, o primeiro e segundo grupos a chegar à Guarda, ocuparam-se a esvaziar umas cervejitas, os outros enquanto esperavam pela sua vez, dedicaram-se a pescar e a recuperar alguma coisita do sono que perderam desde as 04h30.

Depois do ultimo grupo que tinha ficado em Caminha a dormitar, ter atracado na Pasaxe, com a cambada de novo junta, a zimbradeira recomeçou.

 

5. O Caminho prosseguia pela costa galega de espanha, atravessamos a Guarda, rodeamos o imponente monte de Sta Trega. O grupo continuava a pedalar à vista da costa das rias baixas, sem dar mostras de fadiga. Seguiu-se Rosal, em Oia só paragem para forçar o Tone das 18 a ter consciência da missão de que foi incumbido e ala para Baiona onde estava previsto aterrar para almoçar mas, antes disso acontecer os tupperwares andaram a fazer series entre Oia e Baiona na carrinha de apoio devido a um desencontro gêpêssiano, que baralhou as coordenadas do Tone Barbosa, nosso anjo protetor.

O relvado com vista para o mar, onde um grupo de rafeiros poisou para almoçar

O enfardanço do almoço aconteceu a 10km de Baiona, nas traseiras de um restaurante abandonado. Aqui, o chefe teve de se impor para sanar um conflito territorial, porque um grupo pequeno de rafeiros, queria que toda a gente se alapasse com as marmitas à sombra de uns pinheiros onde existiam meia dúzia de cadeiras e uma mesa, enquanto a maioria queria o parque relvado nas traseiras do restaurante abandonado, com vista p`ras rochas das rias baixas. No meio do conflito que poderia redundar numa guerra sem quartel com consequências imprevisíveis, o chefe puxou dos galões e já com os azeites, sentenciou “a carrinha é minha, vai p`ra onde eu mandar” e mandou muito bem, pois ordenou que a carrinha com a moina comestível fosse p`ro parque relvado com vista p`ras rochas das rias baixas. Enquando o grupo dos rafeiros que julgavam ter pedigree abancaram à mesa, o outro grupo de rafeiros rebolou-se com as marmitas na relva e pelas escadas do restaurante abandonado.

Quarenta minutos depois o conflito estava esquecido e o grupo abandonou o local do enfardanço hidratante/carbónico/lípido e retomou a zimbradeira do costume à procura de um cafe solo em Baiona, que tirasse o efeito de adormecermos em cima das burras.

Sem problemas, atravessamos Baiona e depois Ramalhosa, que fez aos cinco repetentes, recordar boas memórias da primeira vez que lá estivemosmos, seguiu-se Nigrán, Vigo, Redondela, sem dúvida a zona mais paisagistica desde a Guarda, do Caminho Galego, com uma vista soberba na saída de Vigo para Redondela sobre o estuário protegido pelas ilhas Cies.

 

6.Em Redondela, o caminho da Costa funde-se no caminho central e o transito de peregrinos obviamente torna-se maior.

Nós que sempre saudamos generosamente com “bom caminho”, todos os peregrinos que íamos encontrando, a partir de Redondela até Santiago, tivemos ainda mais “bons caminhos”, para distribuir por tantos peregrinos, por vezes saía um bueno camino e era caricato quando os peregrinos respondiam em português, porque…eram portugueses.

 

7. Os 20km de Redondela a Pontevedra fizeram-se sem problemas, com o habitual sobe e desce do caminho, o desejado fim da etapa do dia aproximava-se.

Na frente continuavam os mesmos zimbradores desde o inicio, com o mesmo ritmo, os invejosos não deixavam que ninguém os ultrapassasse, já os zimbradores a fechar o pelotão também os mesmos desde o inicio, não tiveram esse problema.

Por fim avistamos o casario da cidade e dali a pouco estavamos a travessar a cidade, passamos sem parar em frente da emblemática praça peregrina com a sua majestosa igreja da virgem peregrina e do papagaio Ravachol em busca do hotel don Pepe mas para lá chegar ainda tivemos de atravessar a ponte sobre o rio para a outra banda, com o engano da ordem, ou este grupo não se chamasse ddr – só à segunda é que atinamos com a entrada na ponte – e eis que finalmente avistamos o nosso poiso final e

para parar de dar ao pedal, mas a etapa do dia só verdadeiramente terminaria daí a três horas depois de devorar um belo rodizio no Porteliñea em a Barca, porque o desgaste muscular dos 161km, não se repõe com sandes e fruta, aquilo é que foi atestar vilanagem, foi ou não foi Miguel e Almeida?

Não deixamos os créditos por bocas alheias e o repasto só terminou quando entoamos loas ao grupo ddr:

Eeeeeeee o que é que nós somos?  Duros de Roer

 

2º dia

 

03 junho

8.Envergando o equipamento mais bonito do mundo e depois de uma noite calminha, às 7h30, todos os ddr estavam sentadinhos com os pés debaixo da mesa afim de atacar o pequeno almoço, ninguem diria, ao ver a forma empenhada como a cambada tragava os croissants e companhia, que poucas horas antes tínhamos devorado um vitelo no rodizio do Porteliñea, até que alguém alertou: O chefe? Falta o chefe, deve ter adormecido, é melhor ir chama-lo, mas não foi necessário, o chefe com um sorriso rasgado de orelha a orelha e bigode afiado, deu entrada no breakfast room, cumprimentou toda a gente mas houve uns engraçadinhos que lhe responderam ironicamente em italianoo: Buongiorno l`italiano da milano.

 

9.Todos afinadinhos, às 07h31 (hora portuguesa), iniciamos a segunda etapa e, para não perdermos tempo mais tarde, enganamo-nos logo na partida e assim o assunto dos enganos ficou arrumado e, se no dia anterior tivemos alguma dificuldade em atinar com a entrada na ponte, desta vez enfiamo-nos logo à primeira e a meio lá tivemos de dar meia volta porque não precisávamos da ponte para Santiago.

 

10. Os 70km da tirada até Compostela, desde A Barca, pela nossa estimativa, que falha quase sempre, e a zimbrar (continuamos a adorar esta palavra) como ontem, demorariam a ser roídos até às 11h30, mas, há sempre um mas a estragar tudo e lá se foi a estimativa da chegada p`ro galheiro.

 

A fonte das quatro bicas. Sem comentários

Em Caldas de Reis, cumprimos a tradição, pelo menos alguns cumpriram e foram ao banho na fonte das quatro bicas, isto é amarrecaram como as patas dos patos, afinal tínhamos tempo e o que restava dos 70km seriam pice-a-cake até Santiago mas, como já dissemos não foi bem assim, entre Caldas de Reis e Padron a coisa complicou-se um pouco e se uma roda há muito vinha sofrendo com falta de ar e a precisar constantemente que lhe bufassem para dentro, um dropout resolveu também entrar na brincadeira e partiu. Valeu que os injinheirus Almeida e Bruno, imediatamente entraram em ação tentando remediar a situação até à carrinha de apoio, situada a 8km em Padron.

Ao fim de 40 minutos a burra levantou-se, com um novo dropout mas, canibalizada com menos quatro elos de corrente e foi assim ao pé coxinho que conseguiu chegar a Padron, onde depois foi substituída por outra de reserva. Grupos altamente profissionalizados como nós ddr são assim.

Em padron aproveitamos e fizemos a ultima  pausa para enfardar os restos de comida  aziomada do dia anterior, mas em compensação tivemos a alegria de assistir empolgados, enquanto tomávamos café, à espetacular final de moto 2 de Miguel Oliveira. Foi bonito pá, no meio de tantos espanhois ver a classe com que o portuga limpou aquilo. Ainda bem que a burra nos fez atrasar para festejar-mos o feito do Oliveira, em terra alheia.

 

11.Os 24 kms de Padron até Santiago, foram a consagração final do Caminho e dos ddr.

Chegamos de mansinho a uma das ruas pedonais da cidade de Santiago, que rodeiam a Catedral, pejada de peregrinos. Com as burras pela mão demos entrada na praça do Obradoiro em frente à Catedral de Compostela. Um frio de rachar esperava por nós, e, ao contrário das outras vezes, se calhar foi a causa do frio que vimos pela 1ª vez a praça com tão poucos peregrinos.

O Caminho tinha terminado.

Em resumo, foram dois dias de boas vivências, de aventura, de fortalecimento do grupo que é sempre o nosso objetivo.

O fantástico grupo de 2018:

Filipe Torres; Francisco Ferreira; Emílio Santos; Celestino Palmeira; Paulo Santos; Emílio Hipólito; Filipe Correia; Narciso Ribeiro; Bruno Monte; António Maia; Tiago Costa; António Solinho; Arsénio Almeida; Marco Gonçalves; André Tarrio; Miguel Dias; António Soares e Alberto Ribeiro  

Na logística:

António Barbosa

PS: parabéns ao big ddr Cesar Nogueira, pelo 19º lugar no GeresGranfondo, mais uma vez dignificou os ddr. Parabens campeão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fátima 2018

1.No passado fim de semana 12 e 13 maio, 17 ddr pedalaram até Fátima pela 17º vez, curiosamente, repetimos a mesma data de há seis anos 12 e 13 maio 2012 e também com 17 elementos – embora desta vez, só 8 é que fossem repetentes. Costuma-se dizer que a ultima vez é sempre melhor que as outras mas, o certo é que foram dois bons dias e desta vez até tivemos vento bonançoso a nosso favor.

2.Com toda a gente em forma – as coças de quinta-feiras à noite surtiram efeito -, todos calejados nestas andanças, menos o estreante Martinho que, para o efeito até comprou uma burra de estrada, sem azares mecânicos (tirando uns furitos), depressa palmilhamos os 150kms da etapa parcial até Mira, pouco passava das 13h00, quando arribamos ao local programado para o reabastecimento e ao ponto nevrálgico do percurso. Ultrapassar a barreira situada no Casal de S.Tomé em Calvelas ao sul de Mira, chega a demorar mais de 3 horas, por aqui se vê a dificuldade de ultrapassar este obstáculo.

3.O reabastecimento foi na bela propriedade do Snr Carlos Miranda, amigo do chefe dos ddr, que serviu de poiso para o reforço e…outras cenas!
Incrivel como o Snr Carlos tem paciencia para nos aturar. Como sempre, fomos bem recebidos com um almoço, saboreado sem pressas – só faltou o bolo do Miguel -, é por estas e por outras, que damos mais valor à qualidade que à rapidez e demoramos dia e meio para chegar a Fátima.

4.Findo o almoço, por ali andamos à solta com rédea livre comó costume e, nem o frio impediu que o Martinho e o Miguel, tomassem de assalto o barco do lago, o “Inô”, com grandes histórias de navegação de outras ocasiões, sob o comando dos ddr, agora foi utilizado para o show  Os Piratas de Calvelas, protagonizado pelos dois irreverentes patifes Martinho e Miguel
Os artistas executaram vários números, desde luta livre, remar sem…remos, etc., mas o numero mais artistico, foi o fantástico mergulho do Martinho p`ra água turba do lago com os óculos de sol que, no frenesim da luta se esqueceu de os tirar e ainda bem, para gaudio da plateia que na margem assistia a todas as movimentações dos artistas. Os numeros que ainda faltavam executar foram cancelados e o resto do show foi passado com os artistas a rocegar o fundo do lago de rabo fora da água à procura dos óculos mas, em vão, os óculos continuam no fundo do lago agora a fazer de coral para os peixinhos.

5.Em terra, o Martinho continuava com a corda toda, com os seus celebérrimos ataques de riso sem fim, num desses intervalos do riso e antes do espetáculo terminar com o velho numero do enforcanço das burras zirinhas penduradas nas arvores, o chefe aproveitou para mostrar ao Martinho os moinhos de rodizio do ti Manel “Reco” e os burros da quinta.
Ao fim de três horas, alguém se lembrou que tínhamos de continuar o caminho de Fátima e ainda tinhamos de chegar à Figueira da Foz naquele dia.
Compreendem agora, ddr`s e quem nunca fez o caminho de Fátima quão dificil é o obstáculo de Mira?

A frase poética que o Jardel Agostinho disse, na ultima vez que nos acompanhou: “vivemos incansavelmente de forma “infantil” e conformamo-nos com a felicidade que vamos tendo”, continua a fazer sentido, para descrever a passagem por Mira.

2º dia

Domingo, 13 maio

6. A segunda etapa de 70km, da Figueira a Fátima, começou sem atrasos, com todos em forma, aparentemente ninguém parecia acusar os 195km do dia anterior, sem stress, despedimo-nos da Figueira da Foz e fizemo-nos à estrada em bom ritmo, até ao alto do barracão foi um tiro. Apesar de ser o dia 13 de maio, ponto alto das celebrações religiosas, de quando em quando ainda se viam alguns peregrinos na direção ao Santuário.
Estima-se que anualmente acorram a Fátima, mais de 5 milhões de visitantes, de Portugal e do resto do mundo e é considerado o segundo maior destino turístico religioso do mundo logo a seguir ao Vaticano.

7.Sem problemas mecânicos e fisicos às 11h30 estavamos em Fátima, onde decorriam as cerimónios religiosas do dia 13 maio a data religiosa mais importante do ano.
À nossa espera lá estava a Rosinha Cunha e quatro distintas senhoras que quiseram surpreender os maridos, o que é sempre bom para elevar a moral do grupo.
No Santuário, por lá nos demoramos mais tempo que o habitual, ficamos por ali a observar a imensidão de peregrinos que enchiam por completo o Santuário, com ou sem fé, cada um nós à sua maneira, viveu o espirito da cerimónia e, se uns ficaram a contemplar o cenário das movimentações dos peregrinos, outros arriscaram e em introspeção, meditativa embrenharam-se na multidão para sentir mais de perto a mística do ambiente, afinal também foi um dos motivos porque fomos a Fátima.

8.Resta-nos agradecer à Rosa Cunha mais uma vez pela disponibilidade em nos trazer de volta no autocarro e ao Carias que nos acompanhou durante os dois dias.

A próxima aventura será daqui a três semanas pelos Caminhos de Santiago, até lá cuidem-se

O grupo de 2018:

Filipe Torres; Francisco Ferreira; Manuel Torre; Celestino Palmeira; Paulo Santos; Filipe Correia; Narciso Ribeiro; António Maia; Tiago Costa; António Solinho; António Soares; Anthony Martinho; Eurico Cunha; Miguel Dias; Alberto Ribeiro e Campos
Na logística:
Zacarias Palmeira e Rosa Cunha

Algumas fotos dos dois dias:

Trailisses

Pronto, o Trail de Esposende que ontem se realizou sob o mote da idade média, pelas arribas do concelho entre Vila Chã e Esposende, já pertence à historia, é tudo tão efémero. P`ra hoje ficou a vista de olhos pelas redes sociais para admirar a mascara do esforço do atleta nas fotos e confirmar se a classificação está mesmo certa e de desacordo com o ego.  Ora os ddr, também andaram a Trailear, desta vez saimos da zona de conforto, deixamos as burras em casa – só dois deram ao pedal por…necessidade – e, se duvidas houvesse de que somos um grupo versátil, aquilo que na gíria popular se diz, pau para toda a obra, ontem ficou demonstrado a polivalência do grupo no campo de batalha da Sra da Paz, lugar aprazível com uma paisagem fabulosa, cativo dos ddr todos os anos desde a primeiro Trail.

Então foi assim: quatro foram correr o Trail, um foi empossado com uma máquina fotográfica e nomeado um dos fotografo oficiais do Trail, onde é suposto ter tirado o retrato  a todos os atletas aí pelo kms 4 a 5, seis tomaram de assalto o recinto da sra da Paz e, sob o comando de dois ricos mercadores de Curvos, imediatamente começaram as escaramuças, munidos de facas e navalhas regressaram aos instintos de peleja da idade média e começaram por atacar as bolas de berlim e arrufadas, com golpes certeiros, deixaram as coitadas em metades, noutra recinto em barraca a luta continuava igualmente feroz, os tabuleiros de marmelada ficaram reduzidos por golpes desferidos com pouca pontaria em cubos, as laranjas em quatro e as bananas aniquiladas em duas e três, ficando uma ligeira curva para os traialista reconhecerem que eram bananas.

Mais além, a chacina continuava, os ddr não davam tréguas às tostas que não tiveram outro remédio senão agarrarem-se à manteiga de amendoim para escaparem incólumes aos instintos bélicos.

Quando os dois centuriões chegaram ao recinto da Paz, impacientes por a corrida estar lenta, notou-se que não percebiam nada de arte da guerra ou eram recrutas com poucos dias, postaram-se no cimo da arriba, quando o mais correto seria no inicio para espicaçar os pobres atletas que, coitados no fim da íngreme subida, tinham que levar com as lanças apontadas à cara. Valeu que dois possantes ddr, (os ddr tem de tudo), lá estavam para apoiar os traialistas nos seus intentos para subir.

Três horas depois no campo de batalha, toda a gente tinha fugido, só restava os vencedores que continuavam de pé com as facas nas mão à espera de ordens do chefe para depor as armas e embora rústicos medievais,  limpamos os despojos como pessoas civilizadas.

Dia divertido, parabéns aos ddr que desta vez trailearam pelos pinhais tão nossos conhecidos e aos Apulia a Correr pela suas excelentes prestações.

Boa Páscoa!!!

 

Os DDR pelo Caminho Finisterra

Ao fim de uma semana, hoje, dia 18, estava planeado escrever qualquer coisa, sobre o Caminho Finisterra que concluímos há uma semana mas, depois da tragédia de Pedrogão Grande, a vontade de escrever foi pouca. É nestas alturas que percebemos quão frágil somos e todos as coisas significam tão pouco, bem sabemos que a vida continua mas, parece que nada faz sentido.Os ddr, como  em todo o país, estão solidários e associam-se à dor da tragédia que atingiu a população de Pedrogão Grande.

 

Todos os anos durante três dias, os ddr pedalam pelos Caminhos de Santiago, unicamente pelo prazer da aventura, para descomprimir uns dias e sobretudo para fortalecer a união de grupo – se fosse por qualquer outro motivo, por ex: religioso ou cultural, para interiorizar a mística destas rotas milenares, teria de ser em grupos pequenos e a pé.

Muitos peregrinos após visitarem Santiago e a sua catedral, onde é suposto (não há certeza), estar sepultado o apostolo Santiago, continuam a peregrinação até Finisterra – fim de terra -, local considerado por muitos o fim do verdadeiro Caminho de Santiago.

Os ddr, depois de terem pedalado por tantas rotas ao longo dos anos, este ano, no fim de semana de 10 e 11 junho, chegou a vez de “completar” os Caminhos que ao longo de dez anos terminaram na praça do Obradoiro em frente da catedral de Compostela e foram até ao… fim da terra

Pela primeira vez, fizemo-lo em dois dias e formamos um grupo de 17 elementos, o maior de sempre a pedalar por estas rotas que milhares de pessoas, supõe-se que antes da era de Cristo, utilizaram para se dirigirem às terras do fim do mundo, para se encontrarem com o renascer da vida e os elementos da natureza, a água, o sol e as pedras, culto associado a ritos pagões que, mais tarde na cristianização deram origem a monumentos e famosos santuários como o da Virgem da Barca – que visitamos em Muxia – e a igreja de Santa Maria das Areas em Finisterra, relacionados com as rotas de Santiago.

Com este intróito aconselhamos a quem tenha intenção de calcorrear ou pedalar por este caminho, se documente sobre a sua história para melhor o desfrutar mais intensamente do que nós o desfrutamos, muito por falta de tempo, mas também por…um engano monumental no segundo dia, mesmo assim, deu para formarmos uma opinião excelente deste Caminho, único, mítico, diferente de todos os que já percorremos, que começa onde os outros terminam, com histórias de séculos.

 

Sábado, 10 junho 2017

1º dia: Santiago – Muxia – Finisterra

1.Com o habitual engano do costume – um clássico dêdêrriano que se repete a cada ano para onde quer que nos dirijamos para começar uma rota -, Chegamos a Santiago com poucas ou nenhumas horas de sono e cheios de larica, mas com carradas de boa disposição e com a expectativa de descobrir o que nos reservaria este peculiar Caminho Finisterra, um dos trinta e tal referenciados dos Caminhos de Santiago e património mundial da humanidade.

Preparados, com alguns apontamentos dos pontos mais emblemáticos a visitar, convencidos, embora o mapa indicasse algumas dificuldades, que este Caminho seria relativamente fácil, mas, não foi bem assim, o constante sobe e desce/pica miolos, como alguém lhe chamou, tem umas paredes jeitosas que se refletiram nos 2800m de altimetria final até Finisterra. Às 09h00, partimos da Catedral com o objetivo de fazer as etapas: Santiago-Muxia-Finisterra.

Com tempo ameno e como é natural no inicio de cada jornada, deparamos com muitos peregrinos, a exigir cuidados redobrados da nossa parte para não haver chatices, foi sempre assim até Olveiroa, próximo da separação do Caminho.

O Chico, nosso porta bandeira, com uma bandeirinha nacional pregada na bike, identificava a nossa origem, mas com pouco sucesso, porque fomos muitas vezes confundidos como sendo italianos, quando desfazíamos o engano lá vinha a inevitável associação a Portugal com a exclamação “ah Ronaldo”.

Depressa chegamos a Ponte Maceira, um povoado com 50 pessoas, um local aprazivel e bonito com uma ponte medieval a merecer que explorassemos mais demoradamente este local histórico, infelizmente só houve tempo para as fotos da praxe e continuamos a pedalar ligeiros por entre os imensos prados verdejantes a perder de vista e por meio de bosques, sobretudo pinhais.

Paravamos sempre que nos apetecia, ora para atestar a nossa passagem sellando a credencial (muito pouco), ora para repor os níveis de glicogeneo gastos com o esforço das subidas e cada um escolhia o óleo que mais o satisfizesse.

Negreira, outro ponto histórico, foi só de passagem.

O Miguel, um dos três estreantes nestas coisas dos Caminhos de Santiago – os outros dois eram o André e o Martinho – lá ia de quando em quando com a sua voz estridente, soltando o gripo de ipiranga, muito útil para aqueles que estavam quase a adormecer em cima da bike.

2.Vilaserio, encontro com a carrinha de apoio conduzida pelo nosso asa Carias, para tragar umas sandoxas e tomar um cafezinho, ao mesmo tempo que se mandavam umas bocasinocentes e gozonas para quem se pusesse a jeito, e, neste capitulo, o indómito Miguel, teve mais audiência, talvez por ter um stick  p`ras selfies que..não funcionou.

Olveiroa, outro ponto de referência que também nos passou ao lado e onde encontramos um peregrino a fazer de mula, a beber cerveja (e pedrado ?), a descansar de puxar um pesado carrinho – o Tozé constatou que era pesado – com dois varais igual ao das carroças, transportando todos os seus pertences desde há longos meses, pelo menos foi o que deu a entender no seu inglês macarronico, porque não tinha a certeza de quando tinha começado. Flagrantes como este de peregrinos pelos Caminhos de Santiago, encontramos sempre, alguns bem insólitos, como daquela vez no Caminho da Costa, quando encontramos um peregrino com um enorme porco e um cão pela trela.

Ou para Finisterra ou para Muxia

E eis-nos no Hospital um pequeno pueblo, com duas opções para os caminhantes, ou diretos a Finisterra (30km), ou por Muxia (64 km), como foi delineado no inicio, continuamos por Muxia.

Os primeiros 18km foram agradáveis por entre pequenas povoações cuidadas e históricos de Dumbria, porém, os últimos kms antes de Muxia, exigiram bastante do caparro, que começava a dar sinais de alguma fadiga, o que nos obrigou a fazer duas  pausas para reforçar o buxo, uma delas mais demorada à entrada da vila, que serviu também para admirar a “paisagem”, da baía da praia da Espinheira.

Muxia, uma típica vila piscatória do litoral situada na famosa Costa da Morte, designada assim devido a milhares de mortes ao longo de séculos em consequência dos muitos naufrágios, dos quais há poucos anos, como todos ainda estarão recordados, quando o petroleiro Prestige encalhou derramando 77.000 toneladas de crude, provocando uma maré negra com a extensão de 2.000km por toda a costa espanhola e francesa, sendo considerado até hoje, o terceiro pior desastre mais custoso da história depois da explosão da nave Columbia e da central nuclear de Chernobyl.

Terminada a pausa, retemperados, atravessamos a vila e continuamos para norte pelo cabo, em direção à ponta da Barca, um local carregado de lendas relacionadas com as suas enormes pedras, dentre as quais a lenda da pedra de Cadris, cuja história popular conta  que pertenceu à barca de pedra que transportou a sra com o apostolo Santiago e que deu origem à construção do santuário da Virgem da Barca, onde todos os anos em setembro se realiza uma popular romaria das mais concorridas da Galiza. Perto do santuário está erigido um monumento megalítico para assinalar o desastre do Prestige.

3.A ultima etapa de 32kms até Finisterra são feitos praticamente por zonas florestais e largos estradões,  agradáveis de pedalar e dos mais solitários do Caminho, a convidar a uma introspeção espiritual, principalmente a quem o faça em solitário, apenas encontramos um peregrino na direção oposta.

Logo à saída tivemos que trepar durante 3 km, dos 0 aos 270m, até ao cimo do monte Facho do Lourido, um local que antes de haver a ajuda dos faróis à nevegação, acendiam-se fogueiras para avisar quem andava no mar, dos perigos da Costa da Morte.

Ultrapassado este obstáculo de alguma dificuldade, o resto do Caminho foi relativamente fácil e rápido.

O Miguel lá ia soltando os gritos para incentivar as tropas e a coisa resultava para alguns que fugiam do pelotão até desaparecerem da vista, outros ficavam para trás, a dispersão do grupo foi uma constante nos dois dias, por vezes com intervalos de kms entre o primeiro e o ultimo. O Cunha aproveitou para tentar ganhar algum, e fez vários carretos para cima e para baixo do monte, a rebocar alguns tresmalhados que começavam a dar de si, mas ao que consta teve azar porque ninguém lhe pagou. Ingratos.

Nesta etapa, as placas toponímicas são quase inexistentes o que deu origem a que passassemos por Frixe e Lires os locais mais mediáticos entre Muxia e Finisterra, sem que nos apercebêssemos, o que originou desencontrarmo-nos por duas vezes com a carrinha da logística e até chegamos primeiro do que esta a Finisterra.

Cento e vinte e três kms depois de termos saído de Santiago e 7 horas e meia a pedalar, às 19h30, estávamos em Finisterra, o km zero e o farol do cabo ficariam para o outro dia, pois eram horas de uma boa hidratação a sério e um banho retemperador, para depois afiar os dentes para o jantar.

domingo, 11 junho 2017

2º dia: Finisterra – Santiago

1.No segundo dia a história foi outra, depois de termos estado na véspera, hora e meia à espera do jantar, nem tudo foi mau, a espera foi muito bem aproveitada para conversar sobre…o quê? Alguém se lembra? Hum, achamos que não, mas todos nos lembramos do truque que o patife do Tozé – pois quem mais haveria de ser? –  ensinou ao Martinho, foi de facto um bom truque… prófundo, quando por fim terminamos de roer umas carnes assim, assim, o empregado também fez um truque com a conta do jantar, mais prófundo que o truque do Tozé.

Quando abandonamos o restaurante já passava da meia-noite, depois…” tchitchó corno”, e cama.

Durante a noite fomos brindados, pelas incansáveis gaivotas do fim do mundo, ao que parece, adoram fazer serenatas ao pé das janelas dos hoteis e, neste aspeto fomos uns privilegiados com o hotel que nos tocou, mas  não agradaram a toda a gente, muitos ddr não gostaram da música e queixaram-se que dormiram mal em contraste com as roncadelas telúricas vindas de quartos ocupados por peregrinos.

Cabo Finisterra

2.Finisterra, como já o dissemos no inicio é considerado por muitos o destino final do Caminho de Santiago, onde está a 3,5km, o mítico farol o ponto mais ocidental de espanha – durante séculos considerado o ponto mais ocidental da Europa, só mais tarde descobriu-se que o ponto mais ocidental fica em Portugal, no cabo da Roca em Sintra -, que deixou espantados os romanos ao verem o sol desaparecer por detrás do oceano e que acreditavam que era neste local – finis terrae –, que as almas  iam para ao céu.

Começamos o dia a fazer os últimos 3,5kms do Caminho desde a vila até ao Cabo Finisterra, onde se encontra o marco com a sinalética da vieira a assinalar o km zero. O fim do Caminho

O imponente edifício do farol está rodeado de escarpas perigosas, reza a história que foi palco de duas batalhas navais nos séculos XVIII e XIX entre o reino unido e a frança e de muitos naufrágios, o maior deu-se em 1870 quando um navio de passageiros se afundou com 482 pessoas, o acontecimento mais trágico da costa da morte.

3.São várias as tradições quando se chega ao fim do Caminho, ao km zero, como ver o nascer do sol que renasce tal como o peregrino que chegou ao fim e renasce de novo, infelizmente para nós o tempo estava nublado e lá se foi o nascer do sol e alguns de nós bem precisavam de renascer.

Outra das tradições é tomar banho no mar ou pelo menos molhar os pés e queimar ou deixar algo que o peregrino usou durante o Caminho, uma forma de celebrar uma nova vida. O Chico foi o único que cumpriu esta tradição e queimou um par de sapatilhas, que tinha utilizado há dois anos.

Ao fim de vinte minutos, partimos do km zero, iniciando a odisseia do dia, voltamos à vila e continuamos pelo Caminho pejado de peregrinos que, àquela hora se dirigiam para o farol do cabo, sempre pelo litoral a circunscrever as várias baías pela marginal, muito  cool.

4.O grupo tal como no dia anterior continuou desagregado, um clássico difícil de corrigir e foi por causa deste clássico fugitivo que depois de Corcubión em Caminhos Chans, km 23 dos 35 que teriamos de fazer até à bifurcação no Hospital onde tínhamos estado no dia anterior que, distraídos com as paisagens, seguimos em frente e só quando o Milo Santos deu pelo engano e tocou a rebate, já tínhamos percorridos indevidamente 18km, pela AC550, até Caldebarcos.

Como a disposição de fazer mais vinte kms para trás era pouca ou nenhuma e tinhamos alternativa, de resto a rota do Caminho de Santiago estava praticamente feita, só faltavam 12 kms, sem stress, fomos lanchar na boa, estavamos em Caldebarcos. Reajustamos o GPS para nova rota que haveria de ser pixante até Santiago, no entanto este engano, custou-nos caro, pois tivemos de subir duas serras, Santa Comba de Carnota e as As Paxareiras (serra de Outes?), duas subidas longos com grau de dificuldade médio, que nos fizeram derreter de transpiração mas, depois, voar por aquelas descidas de kms sem fim, com pouco transito, deram um gozo dos diabos.

O aniversário do Martinho

Ao fim numa dessas descidas paramos para comer os restos do saco de comida do dia anterior na pacata povoação da Serra de Outes. Como o Martinho fazia anos, obsequiou-nos com um bolo de aniversário comprado numa pastelaria local, para que todos os ddr lhe cantassem os parabéns, um luxo, e, mesmo sabedores da proeza do truque da véspera, em que o Martinho foi protagonista, toda a gente comeu o bolo partido por ele e lambeu os dedos, o champanhe será noutra ocasião a combinar em casa dele. Com este gesto o Martinho subiu ainda mais na nossa consideração. Parabens.

A ultima paragem e sellagem, foi já às portas de Santigo, o calor assim o exigiu.

Hás 16h00, estávamos novamente no ponto de partida, em frente à Catedral de Santigo. A aventura, algo desnorteada pelo Caminho Finisterra, tinha terminado.

Santiago de Compostela

Em jeito de resumo: foram dois dias excelentes, concluímos uma rota sempre adiada a cada ano. Embora o Caminho estivesse praticamente concluído  todos gostaríamos de o ter feito na volta, mas como vendo a perspetiva pelo lado positivo e estávamos ali pela aventura, peregrinamos por locais que mais ninguém peregrinou e haverá outras oportunidades de fazer tudo certinho, tudo certinho? Isso é outra história que só se concretizará quando as galinhas tiverem dentes ou os ddr sofrerem uma mutação genética drástica. Bom Caminho!

5.Não podemos terminar sem enaltecer os gestos solidários, rebocantes/empurrantes, do Cunha, Seara e Solinho, para com aqueles menos preparados fisicamente, que se esforçaram até aos limites para os manter no grupo e ao Carias que mais uma vez teve toda a paciência para nos aturar. Em nome do Grupo obrigado aos quatro.

Os dezoito: Filipe Torres; Francisco Ferreira; Emílio Santos; Celestino Palmeira; Paulo Santos; Emílio Hipólito; Rui Faria; Narciso Ribeiro; Paulo Fernandes; António Maia; Tiago Costa; António Solinho; Marco Gonçalves; Martinho Anthony; Eurico Cunha; André Tarrio; Miguel Dias e na logística Zacarias Palmeira

Agumas fotos (falta a de grupo), tiradas pelo Narciso e Chico e o excelente vídeo do Chico sobre a parte mais soft do Caminho.

Fátima 2017

1.Quando iniciamos no sábado dia 13, o périplo Apulia, Mira, Figueira da Foz, milhares de peregrinos em Fátima preparavam-se para viver um dia de fé espiritual sob o auspício do Papa Francisco. O país de modo geral, esteve focado no que lá se passou, nas cerimónias religiosas do centenário e na canonização dos dois pastorinhos Francisco e Jacinta – já agora porque não canonizaram a Lucia? –  até à sua despedida, quando o helicóptero levantou voo com o Papa Mário Bergoglio de regresso ao Vaticano.

Connosco, um grupo de vinte elementos (mais um na logística), a presença do Papa, por força das circunstãncia, passou-nos praticamente ao lado, estivemos mais concentrados no aspeto carrancudo do tempo na espectativa de quando começaríamos a tomar banho de chuveiro, como previa a metereologia, felizmente a água que caiu mal deu para lavar a cara e não fosse a bufaria do vento sueste a fustigar-nos as bentas, teríamos tido uma viagem calma até à Figueira e a espectativa de alguns elementos, adeptos do clube campeão de futebol, esteve mais centrada no jogo que a sua equipa realizou ao fim do dia.

O que não faltou ao grupo desde o inicio foram carradas de boa disposição. Com dois rookies no grupo: António Soares e o Campos, este, uma aquisição de ultima hora ao vizinho concelho de Barcelos, é engraçado o que a maioria do grupo magicou sobre esta aquisição, durante os dois dias ouvimos bocas do género “deve ter saído em precária” e que tinha fugido daquela casa com nome de côr amarela, se assim pensou a maioria, foram injustos, o Campos portou-se muito bem, foi um excelente companheiro, a única falha, coisa pouca, foi querer substituir o chefe no comando das operações. Uma coisa é certa, ficará nos anais dos ddr da edição 2017.

A viagem até à Figueira, decorreu sem incidentes, nem um furinho para amostra, o mais relevante, foi o desvio para conhecer Murtosa, uma pacata vila do distrito de Aveiro, demos a volta à vila, uma visita muito didática, as ruas tinham casas dos dois lados e muitos carros estacionados e havia uma igreja, e, se tivéssemos continuado iriamos conhecer um sapal da ria, onde a estrada que se tinha posto mais a jeito quando saímos da rotunda terminava, como não estávamos para aí virados, voltamos para trás e prosseguimos pela EN109

Em Mira, fizemos a habitual pausa nestas andanças, de duas horas e meia, para almoçar e…para fazer alongamentos, nos Moinhos Quinta da Areia em Casal de S.Tomé www.aamarg.org/index.php/moinhos-da-quinta-areia , como sempre, fomos muito bem recebidos pelo seu proprietário, Sr Carlos Miranda e a refererência dos moinhos da quinta, o moleiro Sr. Manuel “Reco” e família, com um opiparo almoço, muito bem regado e com doses de pachorra para nos aturar. No fim, falhou (mas por pouco) mais uma tentativa para destruir a quinta, felizmente ainda não foi desta.

De Mira até à Figueira, o poiso para a pernoita, foi um pulo. A casa dos Limonetes na quinta agricola de Tavarede posta à nossa disposição, foi muito cool, mesmo para quem dormiu em sacos cama e…em cima da bancada da cozinha.

Enquanto palmilhamos os 3km de distãncia até ao restaurante onde tivemos vaga, os adeptos do clube campeão nacional de futebol, faziam a festa com as buzinas dos carros e cachecóis da ordem, uma chatice para adeptos doutros clubes.

Por volta da meia noite também ficamos a saber que Portugal tinha ganho nas cantigas da eurovisão. Um dia em cheio a fazer recordar o que se ouvia dizer aos críticos do antigo regime fascista que alcunhavam o nosso país de três efes: Fátima, Futebol e Fado, velha máxima que identificava o que era ser culturalmente português, pois viam nestes três fenómenos a manipulação do regime instalado para adormecer o povo servindo-lhe doses maciças sobre Fatima, Futebol e Fado. É claro que hoje em dia o panorama é diferente, no entanto a existência de campeões que representam o país gera um fenómeno de orgulho em ser português.

Com intervalos e conforme a vontade, íamos regressndo à quinta de táxi, não é que estivéssemos cansados, 196kms nem deram p`ra aquecer, pois…, mas não havia pachorra para fazer mais três kms a butes e foi numa dessas carradas taxistantes, que fomos recebidos à entrada na quinta por dois policias à civil e um fardado, motivo: alguém bufou à policia que viu quatro indivíduos a escalar o muro da quinta. Depois de interrogados, explicamos a contragosto que, embora os quatro indivíduos mal-encarados, que foram vistos a assaltar a quinta e com aspeto de terroristas, eram nossos colegas e fizeram-no porque a porta da entrada estava fechada a cadeado, a coisa compôs-se, esclarecidos foram embora, mas tivemos à mesma de escalar o muro para entrar. No minuto seguinte, o Campos, um dos terroristas do primeiro assalto, exigiu por telefone o resgate do portão aberto para a restante cambada que ainda faltava entrar. A encarregada dos animais da quinta não teve outro remédio senão levantar-se da cama e cumprir a ameaça.

2. No segundo dia a saga continuou, à saída da ponte, um novo elemento foi integrado no grupo, fê-lo de forma fulgurante, depois de nos cumprimentar, mandou-se para cima dos rails e capotou para o outro lado. É a vida, quem levanta a mão em cumprimento e esquece-se do que vai a fazer, sujeita-se. Um grande abraço dos durosderoer amigo Adélio.

Chegamos a Fátima, relativamente cedo se comparado com os anos anteriores.

Os vestígios da presença do Papa, ainda se notavam, aqui e além nas imediações do santuário, viam-se algumas bandeiras abandonadas com o  foto do Papa e algumas torres meio desfeitas que suportaram os meios audiovisuais.

Entramos no recinto, centro de fé dos portugueses, os peregrinos a assistir às cerimónias religiosas, idênticas às do dia 13, ocupavam boa parte do santuário que no dia anterior uniu milhares de peregrinos que com emoção e alegria certamente tiveram a maior experiência espiritual das suas vidas com a presença do Papa Francisco, o Papa do povo como já é conhecido.

Cada um de nós desligou-se do grupo e refugiou-se em si, em silêncio, abstraindo-se de tudo, cada um à sua maneira embrenhou-se na mística espiritual do Santuário. Este momento de introspeção, também foi um dos motivos porque fomos a Fátima.

3. Resta-nos agradecer à Isabel Martins e à Rosa Cunha mais uma vez pela disponibilidade em nos trazer de volta no autocarro e ao Carias que nos acompanhou diariamente durante os dois dias.

O grupo de 2017:

Filipe Torres; Francisco Ferreira; Emílio Santos; Celestino Palmeira; Emílio Hipólito; Paulo Santos; Filipe Correia; Narciso Ribeiro; António Maia; Tiago Costa; António Solinho; Marco Gonçalves; Eurico Cunha; Celestino Faria; Agostinho Filipe; André Tarrio; António Soares; Alberto Ribeiro; Miguel e Campos – na logística: Zacarias Palmeira; Isabel Martins e Rosa Cunha

Daqui a três semanas, temos os Caminhos de Santiago, até lá cuidem-se.

Video de Mira e fotos

Em modo Trail

1.Hoje estivemos em modo trail desde o inicio da manhã até às 13h30 da tarde, tempo suficiente para nos embrenharmos no espírito trialista, no fim demos por bem empregue o tempo despendido. Foi divertido, costuma-se dizer que quem só percebe de uma coisa ou assunto, nem dessa coisa ou assunto percebe e nós acrescentamos: quem se dedica em exclusivo uma só modalidade desportiva, abdica de experimentar outras formas de prazer igualmente saudáveis, reconfortantes para o corpo e mente.

Os ddr como grupo versátil, nunca enjeita as possibilidades que nos são proporcionadas ou as procuramos e de vez em quando pulamos para outras praias, para dar umas pagaiadelas a descer o rio Cávado, participar de vespa como ontem o Chico e Mota com a sua comandita Vimaranense, e, claro, trilhar por montes e vales, a nossa praia favorita e a que mais se aproxima de um trail e agora, desta vez com a camisola do “Apulia a correr” (a maior parte), na III edição do Trail de Esposende, e, um ddr puro sangue, Cesar Nogueira, no 12º Trail das 6 colinas em França, terminando num excelente 26º lugar. Hum, com tiradas de quase 200kms bimensais de bicicleta,  qualquer dia a Ryanair perde um cliente, que passou a vir a Portugal de bicicleta ou a correr, desde frança.

De resto sete de nós – um no controle no Picotinho -, estivemos o tempo todo envolvidos com a logística num dos pontos críticos do percurso espalhado pela arriba a pique da Sra da Paz. Apesar da chatice do atraso, foi muito divertido sentir o pulsar dos 1400 trialistas enquanto desciam o monte auxiliados por cordas – os primeiros voaram de pedra em pedra monte abaixo. O prazer com que os atletas desfrutavam o trail, a correr pelo prazer de correr e depois a quantidade surpreendente, ou talvez não, de mulheres, dos 1411 atletas que chegaram ao fim, 452 eram mulheres (contra 328 em 2016), dando sem dúvida um certo glamour ao Trail.

Em jeito de conclusão, realçamos a quantidade de elementos do “Apulia a Correr”, um grupo heterogénio, recém-formado, ou antes, recém-oficializado, porque a maior parte dos seus elementos há muitos anos que trilham montes e vales, por este país fora e até estrangeiro, com provas dadas. Parabens.

2.Se te divertiste-te com o Trail, daqui a mês e meio podes continuar a desfrutar dos mesmos trilhos ou similares em btt durante dois dias do Luso Galaico, a começar pelo Extreme de 200kms até Paredes de Coura e Passeio Junior no dia 22 abril e Meia-Maratona e Maratona no dia 23 em redor do concelho de Esposende. Não deixes de participar num dos eventos mais mediático e antigo do norte do país.

Algumas fotos, de descontração antes da chegada dos atletas à Sra da Paz e de alguns elementos do Apulia a Correr:

O Chefe

Realizou-se na passado dia 28, o tradicional jantar de fim de ano dos Duros De Roer. Foi bonito pá,  ver tanta gente esfomeada, o maior ajuntamento de sempre do reino, o que não admira porque o grupo a cada ano tem vindo a crescer com a adesão de novos elementos,  sinal de que os ddr continuam, de boa saude e cheios de vitalidade.

O repasto decorreu calmo e animado, conversou-se de tudo e mais alguma coisa e desta vez ninguém tentou passar uma mesa de 1 metro de largura,  por uma porta de 50cm.

Um dos momentos altos do convivio, foi a entrega de diplomas a novos membros do grupo. Perante a assembleia atenta dos todos poderosos membros dos ddr, mais dois elementos foram diplomados;  o Martinho Ribeiro e Arsénio Almeida, que ao fim de largos meses a penar as arguras da recruta, receberam o tão almejado diploma “Duro De Roer” das mãos do chefe.

Bem vindos ao reino campeões.

 

 

Mensagem de Sua Ex o Chefe dos ddro-boss

Carríssimos duros de roer, só algumas palavras de circunstância como se impõe neste jantar de fim de ano:

1.Começemos por saudar a presença dos nossos ddr, César Nogueira, João da Silva e Hélder Santos, que mesmo longe do reino, como verdadeiros ddr`s, continuam a par das manobras da seita, dando-nos a satisfação das suas presenças quer nos treinos, ou nos nossos convívios, quando nos visitam.  

2.Pois é meus amigos, mais um ano está prestes a terminar, e as esperanças renovam-se para que o próximo ano seja melhor ou pelo menos igual a este.

No que concerne aos ddr, este ano não foi muito diferente dos anos anteriores, poderíamos até decalcar o que foi dito em 2015, pois vivemos de forma intensa as mesmas aventuras, as mesmas incidências surreais à ddr, andamos por aí, ao sabor da aventura, a pedalar, a correr ou até a andar de vespa e mota, por onde nos deu a real gana,  tudo com o mesmo objetivo: passarmos uns bons momentos e acima de tudo divertirmos-nos.

3.Nem tudo correu conforme a agendamento planeado no principio do ano, temos consciência que não somos um grupo certinho, longe disso, nem nunca o seremos, se fossemos nunca seriamos os durosderoer e, como respondeu um dia destes um ddr ao ser advertido por chegar tarde com o treino a decorrer “no dia em que houver regras a sério o grupo deixa de funcionar”.

Como chefe, não sei se a formula é esta para a longevidade do grupo, deixo a análise para vós, por mim, quero antes acreditar que o critério seguido ao longo dos anos, na escolha dos elementos que constituem o grupo, pelo seu carater irreverente e obstinado, com alguma dose de maluqueira à mistura para ultrapassar obstáculos que nem ao diabo lembra, muitos vezes premiados com um belo malhanço e as burras em fanicos, tem sido determinante para que ao fim de 16 anos continuemos a andar por aí com o mesmo entusiasmo de sempre a divertirmo-nos, porque é isso que sabemos fazer melhor, pois quem não domina a vida a sorrir, nunca conseguirá dominá-la

É o nosso ADN e não o vamos alterar nunca, somos mais que um grupo de bons rapazes que gosta do que fazem nos tempos livres, com necessidade de socializar, é isso que nos define, 

4.Para o próximo ano, não há previsões, pois as dos últimos anos tem saído sempre furadas e, tal como o caminho faz-se caminhando, participaremos decerto em algumas aventuras, aventurando-nos, faremos o que tem de ser feito, contudo temos algumas datas alinhavadas de que já tendes conhecimento, o resto logo se verá, navegaremos com terra à vista.

 5.Terminemos com um brinde aos novos elementos ddr e um grande brinde aos durosderoer depois do grito de ipiranga do nosso amigo Nelson..,

A todos, umas boas entradas

 Boas festas!

O Chefe Filipe Torres

 

Obs: receita anti-gripe:

Chá de limão c/ casca; gengibre fresco 4 rodelas c/grossura de um dedo; 3 paus de canela.

Deixar ferver 5 minutos e repousar 15 a 20, depois acrescentar mel e beber ao deitar.

Esta mezinha da minha avó, não resultou em mim, continuo com uma gripe do caraças.